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O crítico literário

Muitas vezes interpretados erradamente, o crítico e a crítica na sociedade brasileira são vistos como "alguém ou algo que fala mal". Um comentário mirabolante de valeu ou não valeu, não é crítica.



   Literatura não é matemática. A crítica literária no Brasil é pobre. Exatidão, aqui, é termo literário. Quando nada se tem a falar do sujeito ou do livro escrito por ele, diz-se exato. Pazes feitas entre um (o crítico) e outro (o escritor): um porque descobriu o que dizer, já que não enxergou um palmo dentro da obra; outro, porque acariciado, levou o elogio por ter frequentado com atenção as aulas de redação. 

  Segundo a tradição da crítica literária caracteriza-se por uma atenção filológica ao texto que é da ordem do comentário. Trata-se de uma aproximação que não alcança jamais o conteúdo de verdade do texto comentado, fica-se pelos elementos objetivos, os elementos reais do texto que o compõem. E esses elementos são tanto mais notórios e significativos quanto mais o tempo passa (a concepção de que o conteúdo material está ligado à sobrevivência da obra já tinha sido exposta por Walter Benjamin no seu ensaio sobre a tarefa do tradutor, recomento a leitura). Essas coisas, no mundo onde elas surgem, não são jamais experimentadas quanto ao seu sentido, não são objeto de uma verdadeira experiência na leitura se se tratar de simples e cega aceitação do que é apresentado. A ideia teórica subentendida em todas as análises literárias de Benjamin por exemplo, é a de que os textos tornam possível uma verdadeira experiência, um acesso ao teor de verdade das coisas quando são encaradas de frente, analisadas sem pre-conceitos e interesses.

   No Brasil, um livro nem sempre vale pelo que é. O escritor precisa ser pária ou santo para somar interesse ao que escreveu. É um culto mais à personalidade do que à literatura. Às vezes, o autor é culpado. Às vezes, a crítica quer Indiana Jones e não José J. Veiga. O que é complicadíssimo equacionar isso ou dar medidas em uma balança que tem se acostumado a ser tendenciosa demais, muitas vezes alavancando as mais medíocres (termo técnico) produções. Basta um nome midiático abrir um curso, lotamos as saletas para escutá-los. E nada, como diz a música: “Eu presto atenção ao que eles dizem, mas eles não dizem nada”.

   E importante dizer também que o brasileiro não sabe captar uma crítica, primeiramente muitos ainda tem a errônea ideia de que criticar algo é "apenas falar mal", deixando de perceber os pesos usados no julgamento de quem fala. Tenho acompanhado com simpatia o mercado editorial brasileiro (com interesse cavalar no nordeste) desde 2009. Nesses últimos anos vi editoras, selos, blogs, sites, escritores e o que é melhor, leitores, crescendo e se qualificando. O que me leva ao derradeiro parágrafo deste post.

   Quem são os propriamente ditos críticos de uma leitura, o escritor, o editor, o especialista, ou o leitor? Quando honesta, erudita e atualizada, a atividade crítica pode contribuir com três exigências cada vez mais cruciais para uma geração literária: formar leitores mais exigentes, desanimar a proliferação de obras dispensáveis e ajudar as editoras a selecionar bons escritores. Escreveu o novelista coreano Yun Heunggil: “O bom escritor não teme o bom crítico”.

Cadê o Português?

Uma provocação acerca do isolamento que pode separar duas nações unidas pela mesma língua.


Essa pergunta titular serve não apenas sobre o questionamento da nossa língua, como também para questionar onde estão os autores portuguese. Pois não bastasse o isolamento causado pela mídia literária e o desinteresse dos alunos, agora vem as discussões políticas educacionais que pretendem por fim a obrigatoriedade do estudo de autores portugueses nas escolas públicas.

Gostaria de começar deixando claro que sou totalmente a favor de uma retomada e valorização de nossa literatura, de uma maior apresentação e apreciação de escritores nacionais na mídia e no mercado. Contudo, a forma como o debate está sendo discutido me parece muito mais voltado para uma questão de "jeitinho brasileiro" do que realmente preocupado com centralização do conteúdo.

Como o Governo tem anunciado cortes e mais cortes na Educação, fechando bibliotecas escolares e praticamente assassinando a cultura literária com programas de adestramento dos alunos na gramática e praticamente apagando o ensino de Literatura nas escola o que em si já é um verdadeiro retrocesso não apenas da cultura, mas também do ensino.

Uma última provocação, o que pensaríamos dos EUA se não fizessem os seus estudantes do ensino médio ler Shakespeare? Ou dos países ibero-americanos de língua espanhola se ignorassem a grandeza literária de Cervantes?

Editora da Semana - LeYa

A partir de hoje toda semana uma editora brasileira será escolhida aqui no blog para ser apresentada junta com alguns livro cuje os quais já li. Nossa primeira da lista será a editora LeYa.


Bienal do Livro ou Comércio Editorial?

E foi dada a largada para a XI Bienal Internacional do Livro no Ceará. O evento que já tem data e local confirmados: Centro de Eventos de 5 a 14 de Dezembro. Aqui deixo algumas ponderações sobre a bienal de 2012 e o que esperar para esse ano.

Como a bienal do livro no Ceará é uma feira monumental que tem uma ideologia direcionada para aparar e suprir os gostos dos elementos que fazem o mundo literário: Editoras, livrarias, escritores e leitores (a ordem não é essa por acaso). Como recriar uma cultura literária em um estado que já teve gigantes da literatura como José de Alencar, Rachel de Queiroz e outros, tendo o comércio de livro como um dos mais caros do país?

Qual o incentivo oferecido para uma cultura onde é mais barato ir para um pagodão ou baile funk e gastar com álcool, drogas e prostitutas que buscar entar em uma livraria ou sebo a procura de um livro barato?

A bienal de 2012 se provou um verdadeiro culto ao deus do mercado, não me entendam aqui como um marxista, mas como um leitor que com lentes críticas pode ver que a verdadeira literatura é postade lado em prol de escritores "famosos", filhos de celebridades ou políticos. A iniciativa e o espaço oferecido para novos escritores é quase ínfimo ou nenhum. 

A única coisas positiva que vi foi o fator cultural da bienal ser levado em conta, atrações não faltaram e para todos os gostos, mesmo assim é triste ver aspirantes promissores a escritores e poetas tendo que vender livros de mão em mão e até saindo no prejuízo de suas produções por falta de espaço no evento. Por outro lado são esses os autênticos escritores de nossa terra, o valentes que dam um olé nos gigantes do mercado.

Bem, a data está marcada e eu estrei lá mais um vez conferino o evento, até meus amigos.
Boa leitura!

Nem só de clássicos vive o leitor

Como leitor inveterado que sou, aprecio profundamente vários estilos e gêneros literário, do milenar ao romantismo aos contemporâneos acadêmicos, dos gigantes nacionais como Machado de Assis e José de Alencar aos monstros best-seller atuais como J. K. Howlin, Dan Brown e George R. R. Martin. Creio que em todas as épocas e regiões aparecem escritores capazes de satisfazer um grande público, seja este público infantil, jovem ou adulto. Porém existe uma grande resistência de novos leitores se interessarem por obras clássicas como Sonetos de Camões, Crime e Castigo ou Don Quixote. A pergunta inicial depois dessas linhas é: Isso é ruim?

Primeiramente defendo que qualquer tipo de leitura gera algum resultado, seja em livros, mangás, jornais ou revista. Se hoje leem mais Harry Potter que Capitu ou é mais excitante ler os 50 Tons de Cinza que o naturalismo de O Cortiço é pelo menos o sinal de que ainda existe uma massa ávida de leitores em nossas escolas. O que é algo muito bom tendo em vista que as aulas de Literatura foram paticamente banidas do currículo escolar para mais aulas de decoreba de português. Os textos clássicos aparecem apenas para apresentar características da época e das obras só é passada um simples resumo.

O que pode ser chamada de "literatura de entretenimento" deve ser ainda mais incentivada pelos professores, poucos sabem quanta filosofia existem em uma obra como O Senhor dos Anéis ou Harry Potter e a Câmara Secreta, o teor histórico na saga Assassin's Creed que é digna de uma dissertação de mestrado em história, os personagens de mangás como One Piece, Naruto e Death Note e as implicações emocionais e psíquicas de suas ações são só alguns bons exemplos de o quanto o movimento literário da atualidade não só não deve ser criticado sem uma análise profunda, como deve ser promovido nas escolas, pois quer os professores gostem ou não, esses livros os alunos leem.

ARMADA DE DUMBLEDORE REUNIDA PARA FINAL DA COPA MUNDIAL DE QUADRIBOL

ARMADA DE DUMBLEDORE REUNIDA PARA FINAL DA COPA MUNDIAL DE QUADRIBOL

escrita pela correspondente de fofocas do Profeta Diário, Rita Skeeter.

(Tradução livre sem fins comerciais, esse texto originalmente em inglês é de autoria de J. K. Howling)


Existem celebridades – e existem celebridades. Vimos muitas caras famosas do mundo bruxo a nos agraciar aqui no Deserto da Patagônia – Ministros e Presidentes, Celestina Warbeck, a banda controversa americana The Bent-Winged Snitches – todos causaram urros de excitação, com membros da multidão se espremendo para conseguir autógrafos e até lançando Encantamentos de Ponte para alcançar as alas Vips acima das cabeças na plateia.

Mas quando a palavra se espalhou no acampamento e estádio que uma certa turma infame de bruxos (não mais aqueles adolescentes de rosto jovem que tinham no seu apogeu, porém ainda reconhecíveis) tinha chego para a final, a excitação foi além de tudo já visto. Enquanto a multidão se debandava para encontrá-los, as tendas se esvaziavam e as crianças pequenas mal se continham. Fãs de todos os cantos do mundo se espremeram na área onde diziam que os membros da Armada de Dumbledore estavam, desesperados para ter um vislumbre do homem que eles ainda chamam de O escolhido.

A família Potter e o resto da Armada de Dumbledore ganharam acomodações na seção VIP do acampamento, que é protegida por encantos pesados e patrulhada por bruxos-seguranças. A presença deles acarretou numa multidão, todos ali com esperança de ver seus heróis. Às 15 horas do dia de hoje, eles ganharam o que queriam, quando Potter levou seus filhos James e Albus para visitar o complexo onde ficam os jogadores, onde ele apresentou-os ao apanhador búlgaro Viktor Krum.

Prestes a completar 34, existem alguns fios cinzas no famoso cabelo negro do auror, mas ele continua usando seus distintos óculos redondos que alguns podem dizer que caem melhor numa criança de 12 sem estilo. A famosa cicatriz de raio tem companhia: Potter agora tem corte feio acima de sua bochecha direita. Pedidos de mais informações sobre a proveniência meramente produzem a resposta de sempre do Ministério da Magia: “Nós não comentamos sobre as missões super secretas do Departamento de Aurores, como já falamos 514 vezes, sra. Skeeter.” Então o que eles estão escondendo? Estaria o Escolhido enredado em mistérios que podem um dia explodir todos nós, mergulhando-nos numa nova era de terror e mutilação?

Ou será que essa ferida tem uma origem mais humilde, uma que Potter está desesperado para esconder? Será que talvez sua esposa o amaldiçoou? Será que rachaduras estão começando a aparecer numa união que os Potters estão determinados a promover como feliz? Será que devemos interpretar algo no fato de sua mulher Ginevra estar perfeitamente contente ao deixar seu esposo e filhos em Londres enquanto treina para a Copa? Ninguém sabe se ela realmente tem o talento ou experiência necessários para ser mandada para a Copa Mundial de Quadribol (sabemos sim – Não tem!!), mas vamos encarar, quando seu sobrenome é Potter, portas se abrem, confederações esportivas internacionais se curvam em reverência e editores do Profeta Diário te dão destaques na capa.

Como seus fãs devem se lembrar, Potter e Krum competiram um contra o outro no polêmico Torneio Tribruxo, mas aparentemente não guardam nenhum ressentimento, já que se abraçaram quando se viram (o que aconteceu naquele labirinto? É tentador especular, dado o quão caloroso foi o cumprimento dos dois). Depois de meia hora conversando, Potter e seus filhos retornaram para o acampamento, onde socializaram com o resto da Armada Dumbledore até a noite.

Na tenda ao lado estão os amigos mais próximos do Potter, aqueles que sabem tudo sobre ele, mas sempre se recusaram a falar com a imprensa. Estão eles com medo, ou são os próprios segredos deles que eles temem que sejam vazados, manchando a lenda criada em torno da derrota Daquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado? Atualmente casados, Ronald Weasley e Hermione Granger estiveram com Harry Potter em quase todos os momentos de sua trajetória. Como o resto da Armada de Dumbledore, eles lutaram na Batalha de Hogwarts e sem dúvidas merecem os aplausos e medalhas por sua bravura dados a eles pelo mundo bruxo.

Logo após o fim da batalha, Weasley, cujo famoso cabelo ruivo parece ligeiramente mais rareado, também conseguiu um emprego no Ministério da Magia junto com seu melhor amigo, mas saiu dois anos depois para co-gerenciar o altamente bem-sucedido empório de piadas e truques bruxos, o Gemialidades Weasley. Estaria ele, como falou na época “feliz por ajudar meu irmão Jorge num negócio que eu sempre amei”? Ou ele se encheu de ficar sempre à sombra de seu amigo Potter? Será que o trabalho no Departamento de Aurores foi muito para um homem que admitiu que a destruição das Horcruxes Daquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado o deixou “profundamente mal”? Dessa distância, ele não mostra nenhum sinal óbvio de doença mental, mas o público não pode olha-lo de mais perto para poder tirar suas próprias conclusões. Isso não é suspeito?

 Hermione Granger, obviamente, sempre foi a femme fatale do grupo. Reportagens da época revelaram que, quando adolescente, ela brincou com o coração de Potter antes de ser seduzida pelo musculoso Viktor Krum, e finalmente namorando com o fiel companheiro de Potter. Depois de uma carreira meteórica que a tornou Chefe do Departamento de Execução de Leis Magicas, ela agora está inclinada a ir ainda mais alto no Ministério, e também é mãe de Hugo e Rose. Será que Hermione provou que uma bruxa pode ter tudo (Não – olhem seu cabelo.)?

Além disso, temos aqueles membros da Armada de Dumbledore que receberam ligeiramente menos publicidade que Potter, Weasley e Granger (estariam eles ressentidos? Quase que com certeza.) Neville Longbottom, agora um professor muito popular de Herbologia na Escola Hogwarts de Magia e Bruxaria, também está aqui na Patagonia com sua esposa Hannah. Até recentemente, o casal vivia no Caldeirão Furado em Londres, mas boatos afirmam que Hannah não apenas foi treinada para Curadora, como também está se candidatando à vaga de enfermeira em Hogwarts. Fofocas sugerem que ela e seu marido gostam de Whisky de Fogo mais do que esperaríamos de pessoas que cuidam de nossas crianças, mas sem dúvidas esperamos que ela tenha sorte na sua empreitada.

Por último entre os principais membros da Armada de Dumbledore, temos, obviamente, Luna Lovegood (agora casada com Rolf Scamander, neto do aclamado Magozoologista Newt). Ainda encantadoramente excêntrica, Luna anda pra lá e pra cá na seção VIP com hobbies compostos com as cores de todos os 16 países qualificados. Seus gêmeos estão “em casa com seu avô”. Seria esse um eufemismo para “Muito perturbados para serem vistos em público”? Certamente alguém mais rude poderia sugerir isto.

Diversos outros membros da Armada estão aqui, mas é entre esses seis que os holofotes brilham mais forte. Onde quer que uma cabeça vermelha esteja, alguém pode deduzir que pertença a um Weasley, mas é difícil de dizer se é de Jorge (endinheirado co-fundador do Gemialidades Weasley), Carlinhos (domador de dragões, ainda solteiro – porque?) ou Percy (Chefe do Departamento de Transportes Mágicos – é sua culpa que a rede Flu está tão congestionada!). O único fácil de indentificar é o Gui que, pobre homem, é gravemente desfigurado depois de seu confronto com um lobisomem e, mesmo assim (encantamento? Poção do amor? Chantagem? Sequestro?) é casado com a inegavelmente deslumbrante (porém sem dúvidas cabeça-de-vento) Fleur Delacour.

Provavelmente veremos esses e outros membros da Armada de Dumbledore nos camarotes Vip’s no final da Copa, contribuindo para o glamour do evento. Vamos torcer para que o comportamento de dois de seus jovens herdeiros não causem embaraço para eles, trazendo vergonha para aqueles que honraram seu sobrenome bruxo.

É sempre complicado invadir a privacidade de adolescentes, mas a verdade é que qualquer um próximo de Harry se beneficia e precisa pagar com a pena de despertar interesse do público. Sem dúvidas, Potter vai ficar triste em saber que seu afilhado de 16 anos Teddy Lupin – um esguio meio-lobisomem com cabelo azul-brilhante – está se comportando de um jeito que prejudica a realeza bruxa desde que chegou no acampamento VIP. Talvez seja pedir demais que o sempre ocupado Potter eduque seu selvagem afilhado com uma rédea mais curta, educação que foi confiada à ele pelos pais do garoto antes de morrerem, mas estremecemos só de  pensar no que pode acontecer caso o Lupin não sofra uma intervenção urgente. Enquanto isso, O senhor e a senhora Gui Weasley talvez fiquem felizes em saber que sua linda e loira filha Victoire parece se sentir atraída para qualquer canto escuro que Lupin esteja enfiado. A boa notícia é que ambos parecem ter inventado um método de respirar por suas orelhas. Não consigo pensar em outra maneira deles conseguirem ter sobrevivido por tempos tão prolongados de, como diziam na minha época, ‘amassos’.

Mas não sejamos severos! Harry Potter e seus companheiros nunca disseram que eram perfeitos! E para aqueles que querem saber exatamente o quão imperfeitos eles são, minha nova biografia: Armada de Dumbledore: O lado negro dos soldados dispensados estará disponível em 31 de Julho.

Filosofia - lições para a vida.


Não faz muito tempo que ler sobre filosofia era visto como coisa de gente que pensa demais, que vive em um mundo paralelo. Mas, desde o começo da última década, uma nova geração de pensadores vem se dedicando a popularizar a disciplina. Nomes como o suíço radicado em Londres Alain de Botton, o britânico Trevon Curnow e o americano William Irvine têm mostrado que pensadores das antigas podem ajudar você com eternas questões da humanidade, claro, mas também com problemas contemporâneos, como a ditadura da magreza ou o excesso de estímulos provocado pela internet. 

A proposta tem feito sucesso. Basta um passeio por livrarias para constatar que a filosofia está na moda. Nas listas de mais vendidos há volumes como Aprender a Viver: Filosofia para os Novos Tempos, de Luc Ferry, e The Guide to Good Life (O Guia para a Boa Vida, sem edição brasileira), de Trevon Curnow. No Brasil, O Livro da Filosofia, de Will Buckingham, e Nietzsche para Estressados, de Allan Percy, estão no top 10 de não ficção. “O momento é propício. Vivemos em um mundo de acúmulo de informações e falta de significados. As pessoas estão se vendo forçadas a pensar filosoficamente para encontrar um sentido na vida”, afirma o australiano Peter Singer, professor de filosofia da Universidade de Princeton, nos EUA, e autor de Ética Prática

Essa nova onda se baseia em uma antiga tradição da filosofia que reflete sobre a vida e serve de guia para a nossa existência — em vez de se preocupar com a definição de conceitos, como justiça, ética e verdade. Sábios da Antiguidade, como Sócrates, Sêneca e Epicuro, e alguns mais próximos na história, como Schopenhauer (1788- 1860) e Nietzsche (1844-1900), trabalhavam nessa linha de filosofia para o dia a dia, que renasce também em palestras, cursos e até em uma nova forma de terapia. 

Nos EUA e na Europa, já existe a chamada terapia filosófica. Em consultas, o paciente fala livremente sobre sua vida, dificuldades e interesses, e o filósofo analisa o discurso e tenta mostrar as lições que pensadores como Platão e Aristóteles têm a apresentar no caso. Os profissionais são credenciados por associações como a Sociedade Americana para Filosofia, Aconselhamento e Psicoterapia, que tem 300 terapeutas licenciados — há 10 anos, eram 90. “As sessões ajudam com um problema que está na raiz de muitas crises de depressão e ansiedade hoje: o excesso de expectativas em relação à felicidade e ao amor”, diz Lou Marinoff, analista filosófico e autor de Mais Platão, Menos Prozac!

Mesmo quem não pretende trocar Freud e Lacan por Sócrates ou Nietzsche tem encontrado espaço para filosofar. As instituições que oferecem cursos livres na área só se multiplicam. Com promessa de chegar ao Brasil neste ano, desde 2008 funciona em Londres a Escola da Vida, fundada por Alain de Botton, um dos expoentes da popularização da filosofia. Autor do novo livro Religião para Ateus e famoso por seu Consolações da Filosofia, de Botton mostra como as ideias de pensadores de outros tempos podem ajudar em questões atuais. Sua escola segue a proposta, com palestras e cursos sobre dieta vegetariana, equilíbrio entre trabalho e vida, como ser cool e as diferenças entre amizade real e virtual. “A filosofia é um modo de pensar. Pode descrever qualquer assunto — sexo, bebês, dinheiro, esquis.” 

Em aulas ministradas por Emrys Westacott, professor da Universidade Alfred, em Nova York, a disciplina que até pouco tempo se restringia aos corredores acadêmicos se tornou tão prosaica que chegou ao orçamento dos universitários. No curso Mão de Vaca: A Boa Vida com um Dólar por Dia, Westacott analisa propaganda e consumismo a partir de textos de filósofos como Epicuro (que extraía o máximo de prazer do mínimo, veja Dieta, por Epicuro na próxima página). Os estudantes experimentam na prática a ideia de viver com pouco: cortam os cabelos uns dos outros (para economizar no salão) e celebram a formatura com um concurso de receitas baratas. Dois alunos já juntaram 200 sachês de ketchup para fazer uma espécie de sopa de tomate. 

Com um punhado de tesouras e molhos industrializados, Westacott afirma resgatar grandes reflexões da humanidade: O que faz as pessoas felizes? O que é sabedoria?. “Assim, a filosofia recupera um espaço que havia se tornado quase somente da psicologia.” 

Mas, afinal, o que esses grandes sábios têm a nos dizer? Confira a seguir ensinamentos de filósofos que vão ajudar você em suas crises existenciais. Deixe o divã de lado. Sente-se no sofá e boa sessão.
 

 Trabalhe para viver, mas não viva para trabalhar. 



 “Quem não se dá lazer não obtém o verdadeiro prazer” 


Michel de Montaigne (1533-1592) era um admirador de Sócrates, e não apenas por motivos intelectuais. “Não há nada mais notável em Sócrates do que ele ter encontrado tempo para aprender a dançar”, dizia. O filósofo francês não admitiria o ritmo de vida de um profissional do século 21, multitarefa e sem tempo para nada. “Quando eu danço, eu danço; quando eu durmo, eu durmo”, escreveu. “Numa época em que os pensadores valorizavam os escritos longos e difíceis, Montaigne passou a fazer textos curtos. Ele queria resgatar a ideia da filosofia da Antiguidade de guia para a vida das pessoas comuns”, afirma o historiador de filosofia Thomas Dixon, professor da Universidade de Londres e autor de Science and Religion: A Very Short Introduction (Ciência e Religião: Uma Breve Introdução, ainda não lançado no Brasil). 

Neste esforço, Montaigne trouxe à tona um conceito de Cleantes (330 a.C. – 225 a.C.), filósofo grego que ganhava a vida carregando tinas de água, mas preferia trabalhar à noite, e apenas o mínimo necessário, para ter tempo de pensar durante o dia. Ele defendia um conceito muito simples: trabalhe para viver, mas não viva para trabalhar. Você não somente será mais realizado na vida pessoal, como se tornará um profissional mais criativo. 

Montaigne também defendia este raciocínio. Dizia que muitas das maiores dificuldades que uma pessoa experimenta na vida são imaginárias — só de pensar nos riscos e ameaças a que estamos sujeitos já sofremos por antecipação. “Para ele, trabalhar demais pensando em garantir o futuro ou a estabilidade dos filhos e netos não é uma forma recomendável de se viver”, afirma Dixon. “Melhor é aproveitar a vida em todos os momentos.” 


 Tire o máximo de prazer do mínimo de comida 



“Aquele que não se satisfaz com pouco não se satisfaz com nada” 


Estima-se que, ao longo da vida, o filósofo grego Epicuro (341 a.C.- 270 a.C.) tenha escrito 300 livros com títulos como Sobre o Amor, Sobre a Música e Sobre a Natureza. Quase todos se perderam, mas o que sobrou é suficiente para entender sua filosofia aplicada à vida cotidiana. “Os conceitos de Epicuro são muito contemporâneos”, diz Trevor Curnow, professor de filosofia da Universidade de Cumbria, na Inglaterra, e autor de Ancient Philosophy for Everyday Life (Filosofia Antiga para a Vida Cotidiana, sem edição brasileira). 

Epicuro dizia que não saberia imaginar uma boa vida sem os prazeres do paladar, do sexo e da música. Os proporcionados pela comida eram especialmente importantes. O filósofo foi muito criticado e atacado pela Igreja Católica quando ela passou a assumir o controle sobre o Império Romano, mas suas teorias iam muito além da valorização dos excessos. Para Epicuro, a filosofia tinha a função de ensinar as pessoas a interpretar corretamente seus próprios impulsos físicos e, também, a dominá-los. Comer menos, por exemplo, é uma forma de autocontrole. E, de quebra, valoriza a satisfação ao saborear um pequeno pedaço de chocolate. A busca pelo prazer moderado como forma de atingir a plenitude e a felicidade é a essência do epicurismo, escola filosófica lançada pelo sábio e seguida por seus discípulos. 

De fato, Epicuro preferia água a vinho, valorizava jantares com legumes e azeitonas e dizia que um pedaço de queijo era mais do que o suficiente para um banquete. “Ele era um homem coerente com sua filosofia. Um pequeno prazer ocasional proporcionava um prazer maior. E, por isso, ensinava mais sobre o próprio corpo do que a comilança desmesurada”, diz Curnow. “Quem faz dieta tem muito o que aprender com Epicuro.” 

Outra dica útil do filósofo: o prazer é maior quando se come em grupo. Ele recomendava que, sempre que possível, as pessoas se reunissem para fazer refeições na companhia de familiares e amigos. A satisfação que vem com a troca de opiniões e histórias à mesa ameniza a necessidade de se alimentar compulsivamente. “Comer sozinho é coisa para leões ou lobos.” 


 Leia um pouco de tudo. Mas se especialize em alguma coisa.


“Não há fatos, apenas interpretações” 


Até os anos 1950, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) despertava pouco interesse nos departamentos de filosofia nas universidades. Porém, mais recentemente, tornou-se um pensador popular não somente entre pesquisadores, mas também entre o público geral. Nas livrarias, há mais títulos com seu nome do que de qualquer outro grande filósofo. Parte disso se deve ao fato de que Nietzsche escrevia muito bem. Ele ficou famoso por seus textos curtos, que iam de uma frase a algumas poucas páginas. Além do mais, o autor tinha coisas interessantes a dizer sobre praticamente qualquer assunto. 

Seus livros costumam fazer referências a vários autores de sua época, de diversas áreas — inclusive compositores musicais. À primeira vista, Nietzsche parece valorizar o excesso de informação. Mas não se engane: se vivesse hoje, dificilmente o filósofo seria do tipo que fica com 10 janelas do navegador de internet abertas ao mesmo tempo ou vê alguma vantagem nessa história de multitask . "Para ele, conhecimento vasto não tem nada a ver com dados aleatórios reunidos sem critério, como fazemos hoje em dia ao navegar pela web”, afirma Douglas Burnham, professor de filosofia da Universidade de Staffordshire, no Reino Unido. 

Para Nietzsche, as pessoas precisam conhecer um pouco de música, literatura, artes. Mas não podem perder tempo demais soterradas em detalhes sobre cada tema. “A maior parte do dia deve ser dedicada a conhecer a fundo um determinado assunto. E isso não significa passar o dia inteiro lendo sobre ele”, afirma Burnham. Se você se interessa por engenharia, por exemplo, saia à rua, compare construções, procure pessoas que entendem mais do que você sobre o assunto. Em outras palavras: se Nietzsche estivesse vivo hoje, certamente diria: use o Google, mas com parcimônia. 


 Espere o pior de tudo. Assim, você ficará muito mais feliz quando as coisas derem certo. 



 “Quantas vezes o dia transcorreu como planejado?” 


Sêneca (4 a.C. — 65 d.C.) escreveu vários textos com orientações sobre como lidar com o fracasso para alcançar o sucesso, que ele mesmo não chegou a ter. A vida do filósofo foi longa e difícil. Político promissor, interrompeu a carreira aos 20 anos por causa de uma tuberculose. Ao se recuperar, foi condenado ao exílio. Estava lá quando um terremoto destruiu Pompeia e um incêndio botou Roma abaixo. Acabou sendo eleito o instrutor do imperador Nero, apenas para ser condenado à morte por seu discípulo — foi orientado a cortar as próprias veias do braço, sob acusação de participar de uma conspiração. Não funcionou. Sêneca, então, tomou veneno. Também não foi eficiente. Acabou se internando em uma sauna, até morrer por desidratação. 

Apesar de todas as dificuldades, Sêneca, um dos mais conhecidos filósofos romanos, não era um homem amargurado. Ele percebeu que os fracassos são inevitáveis, e que o segredo das pessoas mais bem-sucedidas é saber lidar com eles. 

A ideia é: já que os problemas inesperados são os que mais nos atingem, esteja preparado para o pior. Sempre que você entrar em um avião ou carro, saiba que aquela pode ser sua última viagem. Se não for, aproveite uma nova oportunidade para explorar a vida ao máximo. “Descobrir que as fontes de satisfação estão além de nosso controle e que o mundo não funciona da forma como gostaríamos é um choque de infância de que muitos não se recuperam”, diz o filósofo britânico Marcus Weeks, palestrante da Escola da Vida, em Londres. 

Para Sêneca, frustrações todos temos, o segredo é saber lidar com elas sem raiva, ansiedade, paranoia, amargura ou autopiedade. Precisamos manter o senso de realidade para não sucumbir à tentação de culpar os outros por tudo o que dá errado conosco. 

O sucesso, diz Sêneca, consiste em manter a paciência diante dos problemas que fogem do nosso controle, e focar no que, de fato, depende de você. Para isso, ele fazia um exercício: antes de dormir, listava suas frustrações, os insultos que havia escutado ao longo do dia e como havia se saído disso. 


Mais importante do que ser popular é defender suas próprias posições. 



"É sábio quem tem em si tudo que leva à felicidade” 


O fundador da filosofia ocidental foi condenado à morte por não adorar os deuses de Atenas e corromper a juventude com ideias não aceitas pela sociedade da época. Sócrates (469 a.C. – 399 a.C.) foi a julgamento e teve a chance de renegar suas ideias. Preferiu beber cicuta. Pagou com a vida o preço da impopularidade, mas não abriu mão de seus conceitos. Com isso, ele deixava uma última lição clara: não é possível levar a sério as opiniões alheias o tempo todo. Muitas vezes, é preciso ter a coragem de assumir suas próprias posições, por mais complicado que isso seja. 

É difícil agir assim. Afinal, ser popular é prazeroso. Observe: em uma roda de conversa, sempre aparece aquela pessoa simpática, carismática, que conta piadas de que todos riem e sente o prazer de ser bem recebido pelo grupo. Sócrates fazia o contrário: abordava estranhos na rua e perguntava, insistentemente, o que era a felicidade, quais os motivos para realizar sacrifícios para deuses, ou por que homens que vão às guerras são tão valorizados. Era irritante porque demonstrava o quanto os lugares-comuns não se sustentavam logicamente. “Sócrates era o chato que ninguém quer por perto”, afirma o filósofo Robert Rowland Smith, autor de Breakfast With Socrates (Café da Manhã com Sócrates, sem edição brasileira). “Suas perguntas irritavam quem não tinha interesse em debater com profundidade questões que parecem óbvias, mas não são.” 

Seus poucos discípulos entendiam o espírito de tantos questionamentos. Aristóteles sugeria que a amizade verdadeira só poderia existir quando duas pessoas compartilhassem sal — ou seja, dividissem refeições, impressões, opiniões. Já Platão, registrou em seus mais de 30 diálogos socráticos a dialética do mestre. Suas conversas se iniciavam com uma pergunta, que resultava em opiniões do interlocutor, primeiramente aceitas. Depois, era mostrado o contraditório daquelas opiniões, levando o interlocutor a reconhecer seu desconhecimento sobre o assunto. Para Sócrates, o importante era ter em mente que todos seus conceitos de vida podem estar errados. Por isso, precisam ser examinados até que provem ter lógica. Mesmo que isso traga impopularidade. Até porque, ninguém consegue ser popular e agradar a todos. 


 Se um relacionamento deu errado, parta para outro sem culpas 



“Amor é apenas instinto de sobrevivência da espécie” 


Poucos filósofos foram tão pessimistas como Arthur Schopenhauer (1788-1860). Quando um amigo sugeriu que os dois procurassem por mulheres, ele respondeu: “A vida é tão curta, questionável e evanescente que não merece qualquer tipo de esforço maior.” Quando, em viagem pela Itália, desobedeceu seu próprio preceito e cortejou várias mulheres, foi rejeitado por todas — o que só piorou suas expectativas com relação ao amor. Ainda assim, Schopenhauer tem dicas muito atuais a respeito de relacionamentos. Em linhas gerais, ele defende: desista do sonho do amor para toda a vida. Se um relacionamento deu errado (e, em algum momento, ele provavelmente vai dar), parta para outro, sem culpas. 

Schopenhauer acreditava que o amor era um mal necessário. O erro estaria em esperar demais dele e acreditar que só amamos uma vez na vida. “Para ele, o amor era terrível, instável, dilacerante, mas fundamental. Só não poderíamos sofrer tanto por ele”, afirma Douglas Burnham. 

O filósofo pessimista aprendeu com o trabalho de Montaigne que a mente não controla o corpo como gostaríamos, e tentou entender o porquê de tanta urgência, tanta angústia, tanta energia dedicada aos relacionamentos. Não seria por diversão, por intimidade ou por sexo, concluiu. Mas por um motivo mais fundamental: a necessidade de procriar e levar adiante o legado humano. E isso não teria nada a ver com o casamento ou a monogamia tão perseguida pelos amantes. Aliás, o filósofo tinha uma visão bem pessimista sobre juntar as escovas de dentes. “Casar significa fazer todo o possível para se tornar objeto de repulsa para o outro”, dizia. 

Ranzinza? Pode ser. O fato é que Schopenhauer, que teve alguns casos, mas nunca se casou, não tinha problemas em buscar novos amores quando um relacionamento acabava. 


 Pense na morte para fazer um balanço da vida. 



“A morte não é o pior que pode nos acontecer” 


Pegue papel e caneta (ou celular, notebook, tablet) e comece a anotar, em tópicos, todos os detalhes de seu próprio funeral. Que tipo de caixão você gostaria de ter? Com que roupa estaria vestido? Vai ser enterrado ou cremado? Quem não pode faltar ao enterro? Quem é dispensável e quem não deveria aparecer de forma alguma? Que tipo de discurso ou cerimônia combinaria mais com você? 

A recomendação é de Platão (428 a.C. — 348 a.C.): pensar no próprio funeral nos lembra que morreremos um dia. Assim, passamos a valorizar cada instante e a vivê-lo intensamente, afinal, pode ser o último. “Se não recordamos sempre disso, nos deixamos levar pela vida, quando deveríamos ter controle sobre ela”, afirma o filósofo britânico Nigel Warburton, outro grande responsável pela popularização da disciplina, com livros como O Básico da Filosofia. 

Pensar na morte nos faz viver melhor, com objetivos mais claros. Serve para reavaliar o rumo que damos à nossa existência e nos ajuda a identificar erros que cometemos, principalmente no relacionamento com pessoas importantes para nós. Por exemplo: se você morresse hoje, seu enterro seria parecido com o seu ideal? Se a resposta for sim, você está conduzindo sua vida na direção certa. Se for não, talvez seja hora de se reconciliar com aquele amigo ou familiar que hoje não participaria de sua derradeira despedida. 

Pensar em nosso fim nos dá a oportunidade de mudar o que está errado enquanto ainda é tempo. Deveria ser uma reflexão diária, não algo deprimente. "Para Platão, a morte define todos os momentos em que estamos acordados, e talvez também nossas horas de sono." 


Um pensador no divã 


Emrys Westacott, autor de Thinking Through Philosophy (Pensando Através da Filosofia, sem edição brasileira), fala sobre a popularização da disciplina e o quanto ela pode tomar espaço da psicologia 

A  filosofia pode ser pop sem ser rasa? 
Westacott: Existem muitas pessoas tentando deixar a filosofia mais acessível. Algumas seguem a linha da ficção, como Jostein Gaarder em O Mundo de Sofia. Outros relacionam a disciplina a temas de cultura popular, como Gregory Bassham com Harry Potter e a Filosofia e Willian Irwin com Os Simpsons e a Filosofia. Por fim, existem aqueles autores mais influentes, como Alain de Botton, que escrevem para o grande público. São esses os mais interessantes, pois respeitam os filósofos que abordam e vão além de resumir textos antigos. Eles traduzem e atualizam conceitos, mostram como eles são importantes para nós hoje. 

A terapia filosófica pode substituir a psicologia? 
Westacott: Substituir, não, complementar. As conversas com base em fundamentos filosóficos ajudam as pessoas a mudar radicalmente a forma de pensar na vida e na dimensão de seus próprios problemas. Depois de algumas sessões, podemos retomar o rumo, repensar prioridades. Esse é o principal objetivo da filosofia antiga. O resgate dessa tradição, na forma de terapia, é muito oportuno. 

Que livro você indicaria para quem nunca leu sobre filosofia? 
Westacott: Sempre recomendo A Ciência Gaia, de Nietzsche. É lindo e muito inspirador. Em frases curtas, apresenta insights sobre a moral, a arte, as guerras e a política.

 Exercícios filosóficos



O francês Roger-Pol Droit, autor de Filosofia em Cinco Lições, entre outros títulos de popularização da filosofia, ensina atividades rápidas para você refletir sobre a vida.

O MUNDO EM 20 MINUTOS: Sente-se em um sofá e imagine o seguinte: o mundo acabou de surgir e vai desaparecer em exatos 20 minutos. Admire sua existência, como se fosse uma lâmpada se apagando lentamente. Você vai sentir um profundo terror. E vai perceber a inutilidade de fazer planos demais para o futuro. O que vale é viver o presente — intensamente. 

A DOR DE CADA UM: Belisque seu braço. Depois de novo. E uma terceira vez, agora por mais tempo. Pense no que você está sentindo enquanto isso. Preste atenção na sensação de dor e na forma como ela evolui: primeiro mais forte, depois moderada. Perceba sua capacidade de se acostumar a situações desconfortáveis. Você verá que nada é tão ruim assim. 

NO MEIO DA MULTIDÃO: Passeie pelo perfil virtual de pessoas que você não conhece. Faça isso até se dar conta de que existe muita gente no mundo. O objetivo é perceber o quanto você é insignificante no conjunto da humanidade. Assim, você pode viver mais leve, sem levar tudo tão a sério. 

REALIDADE MOLDADA: Sente-se diante de uma paisagem e comece a olhar para ela. Não procure por detalhes, não foque em nada, apenas admire o conjunto, até que ele pareça bidimensional, como uma pintura. Imagine que ela está se desmanchando diante de seus olhos. Pronto: você percebeu o quanto a realidade é relativa e que não vale a pena ser radical na vida.

O Príncipe - Maquiavel - Resumo e Análise


Àqueles que chegam desavisados ao texto límpido e elegante de Nicolau Maquiavel pode parecer que o autor escreveu, na Florença do século XVI  um manual abstrato para a conduta de um mandatário. Entretanto, esta obra clássica da filosofia moderna, fundadora da ciência política, é fruto da época (Renascença) e não do lugar em que foi concebida.

Em 1513, depois da dissolução do governo republicano de Florença e do retorno da família Médici ao poder, Maquiavel é preso, acusado de conspiração. Perdoado pelo papa Leão x, ele se exila e passa a escrever suas grandes obras. O Príncipe, é uma esplêndida meditação sobre a conduta do governante e sobre o funcionamento do Estado, produzida num momento da história ocidental em que o direito ao poder já não depende apenas da hereditariedade e dos laços de sanguíneos. 

Não se encontra na obra de Maquiavel a celebre citação "Os fins justificam os meios".
Mais que um tratado sobre as condições concretas do jogo político, O Príncipe é um estudo sobre as oportunidades oferecidas pela fortuna, sobre as virtudes e os vícios intrínsecos ao comportamento dos governantes, com sugestões sobre moralidade, ética e organização urbana que, apesar da inspiração histórica, permanecem espantosamente atuais. considerações

O Príncipe (no original Il Principe) teve sua primeira edição publicada postumamente, em 1532. Trata-se de um dos tratados políticos mais fundamentais elaborados pelo pensamento humano, e que tem papel crucial na construção do conceito de Estado como modernamente conhecemos. No mesmo estilo do Institutio Principis Christiani de Erasmo de Roterdã: descreve as maneiras de conduzir-se nos negócios públicos internos e externos, e fundamentalmente, como conquistar e manter um principado. 

Dedicatória

A obra começa com Maquiavel fazendo vários elogios e enaltecendo Lorenzo de Médicis, na certa usando da boa e velha bajulação para o grande figurão e quem sabe ser recompensando com um cargo de confiança, quem voltar a ser chanceler e recuperar o prestigio social e politico. 

De quantas espécies são os principados e como são adquiridosOs principados hereditáriosOs principados misto

Tecendo os conceitos a respeito das duas formas de principados, os hereditários e os mistos. O primeiro, Maquiavel nos diz que: "em primeiro lugar, a dificuldade de se manter Estados herdados cujos súditos são habituados a uma família real é muito menor do que a oferecida pelas monarquias novas...". E nos ensina como lidar com tal situação: "...basta para isso evitar transgredir os costumes tradicionais e saber adaptar-se a circunstâncias imprevistas."
Assim, é interessante ressaltar de sua análise que estes são os menos tangíveis de dominação por parte de um usurpador qualquer e também os de maior capacidade de conservação de poder, devido a força existente no comando de um príncipe de uma linhagem de comando já tradicional
Nos principados mistos (aqueles anexados a um Estado novo), Maquiavel nos mostra que o novo governante pode se defrontar com problemas de controle. E o que ele nos ensina? Que o novo governante deve eliminar a linhagem de nobres que os dominava; não alteração da organização de leis e impostos preexistente; instalação de colônias ou a mudança do novo dominador para o local conquistado (esse dominador Maquiavel se referia tanto ao governante propriamente dito como um de sua confiança). O mais importante dessas novas possessões, era que se estabelecesse colônias a fim de se manter o controle sobre o território recém adquirido. Ele nos diz que: "Vivendo longe, o soberano só terá notícia deles (os problemas) quando houverem adquirido proporções irremediáveis."

A razão pela qual o reino de Dario, ocupado por Alexandre, não se rebelou contra seus sucessores após a morte deste

Os reinos têm sido governados de duas formas: 
por um príncipe e seus ministros, que o ajudam a administrar o país sob sua graça e licença; 
por um príncipe e vários barões, cuja posição se explica pela antiguidade da própria família e não por um favor do soberano.
Nos Estados governados por um príncipe e seus ministros o monarca tem maior autoridade: nenhuma pessoa é tida como superior; nos Estados governados por um príncipe e seus barões, eles têm prerrogativas, de que o rei não pode privá-los sem perigo para si. 
o país com um príncipe e seus ministros é mais difícil de conquistar, mas é mais fácil de manter, por suas forças unidas.
Já o país com um príncipe e seus barões é mais fácil de conquistar, mas apresenta maior dificuldade de manutenção, devido aos descontentamentos dos barões, as dificuldades criadas pelos que ajudaram o príncipe na conquista e pelos oprimidos por ele.

De que modo devem-se governar as cidades ou os principados que, antes da conquista, possuíam leis próprias

Há três maneiras de se manter um Estado acostumado a viver em liberdade e sob suas próprias leis:
-        arruinando-o;
-        residindo nele;
-        permitir que viva com suas próprias leis.
Segundo Maquiavel (e eu concordo plenamente) a maneira mais segura de garantir a manutenção da
conquista é arruinando.

Os principados conquistados com as próprias armas e qualidades pessoais


Uma pessoa prudente deve trilhar o caminho deixado pelos grandes, pois se caso não possa alcançá-lo, possa pelo menos se aproximar, servindo a si mesmo de boa comparação e referencia.

Os principados novos conquistados com as armas e virtudes de outrem

O príncipe que, para manter seu território, considere necessários tais atitudes, deve fazê-lo:
-        garantir-se contra seus inimigos;
-        fazer amizades;
-        conquistar pela força e fraude;
-        fazer-se amado e temido pelo povo;
-        fazer-se seguido e reverenciado pelos soldados;
-        destruir os que podem e querem ofendê-lo;
-        inovar antigos costumes;
-        ser bom e severo, magnânimo e liberal;
-        suprimir uma antiga milícia e substituí-la por outra;
-        manter a amizade dos reis e príncipes para que tenham satisfação em assisti-lo e medo de injuriá-lo.

Comete erro o príncipe que pensa que entre os personagens de importância é possível fazê-los esquecer antigas ofensas com novos benefícios.

Dos que conquistaram o principado com malvadez

  • há duas maneiras de se tornar príncipe que não são atribuídas à sorte ou à capacidade: através de favor dos concidadãos e por meio vil, criminoso: são meios que podem porventura serem usados caso seja necessário; 
  • não se deve, contudo, chamar de valor o assassinato dos compatriotas, a traição dos amigos, a conduta sem fé, piedade e religião, pois tais métodos podem conduzir ao poder mas nunca à glória; 
  • a diferença crucial está no uso da crueldade: quem é soberano por meio vil ou criminoso, se usar bem a sua crueldade e depois não persistir nela e a substituir por medidas benéficas aos seus súditos está garantido no poder; já as crueldades mal empregadas, mesmo sendo poucas a princípio, crescem ao invés de diminuir dificultando manter-se no poder. 
  • o conquistador deve praticar todas as crueldades ao mesmo tempo evitando repetí-las e depois tranquilizar e seduzir o povo com práticas benéficas, aos poucos; quem agir de outra forma e permanecer de arma em punho  nunca poderá depender dos seus súditos, que não terão confiança no governante: fazer o bem aos súditos, portanto, deve ser a fim de manter boas relações com eles para que nada lhe possa tirar do poder. 

O principado civil


  • o cidadão que se torna governante por favor de seus condidadãos instaura o governo civil: chegar à essa posição depende não só da sorte ou do valor mas também da astúcia, assistida pela sorte e chega-se à ela através do apoio da aristocracia e da opinião popular; 
  • o governo civil surge do desejo do povo de evitar a opressão e do desejo da aristocracia de comandar e oprimir o povo; 
  • o governo é instituído pela aristocracia quando os ricos percebem que não podem resistir ao povo e unem-se, exaltando um dos seus como príncipe afim de perseguir seus propósitos à sombra da autoridade soberana e; 
  • o governo é instituído pelo povo quando este não consegue mais resistir aos aristocratas e procura assim criar um príncipe que os proteja com sua autoridade; 
  • quem chegar ao poder com a ajuda dos ricos tem mais dificuldade de manter-se no poder do que quem chegar com o apoio do povo. 
  • contudo, quem chega ao poder com apoio do povo está só, quase ninguém se dispõe à obedecê-lo pois mesmo que seja fácil satisfazer as massas com a conduta justa não é fácil satisfazer a nobreza com ela, visto que de fato o povo tem objetivos mais honestos que a nobreza, que quer oprimir, ao passo que o povo apenas deseja evitar a opressão; 
  • o príncipe não pode se precaver da hostilidade do povo, que são muitos, mas pode se precaver da hostilidade dos poderosos, que são poucos; 
  • a pior coisa que o príncipe pode esperar de um povo hostil é ser abandonado, mas, da hostilidade dos nobres pode desejar a deserção e oposição ativa; 
  • o príncipe não pode se desfazer do povo, trocá-lo, mas pode fazer isso facilmente com os nobres, retirando-lhes posição que desfrutam à sua vontade ou concedendo-os outras que não lhes agradam; 
  • há dois tipos de nobres:  os que dependem da sorte do príncipe e os que não dependem: os primeiros devem ser respeitados e estimados, mas os segundos devem ser observados pois geralmente são covardes, têm objetivos ambiciosos e propósito definitivo e pensam mais em sí do que no soberano; 
  • quem se tornar príncipe pelo favor do povo deve manter sua amizade, bastando apenas não oprimí-lo; 
  • quem se torna príncipe com a ajuda dos nobres contra o desejo do povo deve procurar conquistar sua amizade, o que conseguirar se proteger o povo; 
  • logo, é necessário que o príncipe sempre tenha o favor do povo, caso contrário, não poderá contar com este na adversidade; 
  • quando o príncipe é corajoso, se baseia no povo e não se amedronta na adversidade, assim como não deixa de se preparar, que tenha seu próprio valor e consiga inflamar a massa, dificilmente se decepcionará com o povo pois terá construído bons alicerces no seu poder; 
  • quando o príncipe passa de governante civil para governante absoluto os Estados correm perigo: o soberano não terá tempo de assumir autoridade soberana pois o povo acostumado a obedecer magistrados não está pronto para obedecer diretamente ao príncipe, que em maus tempos terá dificuldades em encontrar homens em que possa confiar, logo, o príncipe prudente, que procura meios pelos quais os seus súditos sempre precisem do seu governo, em qualquer circunstâncias fará com que o povo sempre seja fiel ao soberano.

Como medir as forças de todos os principados

É examinada a situação do príncipe, se este, em caso de ataque, pode reunir um exército suficiente, e defender-se; ou se não, este não podendo combater, é forçado a refugiar-se no interior de seus muros, ficando na defensiva.
"Portanto, o príncipe que é senhor de uma cidade poderosa, e não se faz odiar, não poderá ser atacado; ainda que o fosse, o assaltante não sairia gloriosamente da empreitada."
O povo tem enorme influencia para definir o a força de um Estado; se o povo estiver ao lado do príncipe, mesmo que um dominador consiga tomar o lugar do príncipe, não se dará bem, pois o povo se levantará contra ele.

Os principados eclesiásticos

Estados eclesiásticos conquistados pelo valor ou pela sorte dificilmente são conservados por esses valores, pois são sustentados por antigos costumes religiosos, tão fortes e de tal qualidade que mantém os príncipes no poder não importando suas condutas e seu modo de vida; 
  • como tais estados respondem à razões superiores inalcançáveis pela mente humana e são mantidos e exaltados por Deus, somente um tolo ou presunçoso se ateveria a discutí-los; 
  • o papa Alexandre VI mostrou que um papa pode dominar pelo dinheiro e pela força e embora seu objetivo tivesse sido a grandeza do duque, suas ações trouxeram engrandecimento para a Igreja; já o papa Julio só aumentou o poder da Igreja e não o de uma pessoa em particular.

Os tipos de milícias e os soldados mercenários

Na ótica maquiaveliana, a base principal de um Estado são boas leis e bons exércitos. Há três tipos de tropas, são elas, próprias, mercenárias, auxiliares ou mistas. Sendo as mercenárias e as auxiliares prejudiciais e perigosas.

Os exércitos auxiliares, mistos e próprios

  • As forças auxiliares, pedidas a um vizinho em caráter de assistência ao Estado são tão inúteis quanto as mercenárias; 
  • um príncipe sábio evitará sempre essas forças preferindo os seus próprios soldados e preferirá ser derrotado com seu próprio exército do que vencer com tropas alheias, pois a vitória não poderá ser considerada genuína; 
  • as armas alheias sobrecarregam e limitam, isso quando não falham; 
  • os homens, imprudentes como são, inventam novidades e à primeira impressão agradável não percebem seu veneno e o mal que podem causar; 
  • aquele príncipe que não percebe os problemas do seu Estado quando eles surgem não é verdadeiramente sábio – e realmente poucos o são; 
  • em suma, nenhum príncipe pode ter segurança sem suas próprias forças pois sem elas, dependerá inteiramente da sorte, ficará sem meios confiáveis de defesa quando surgirem dificuldades – “nada é tão fraco e instável quanto a fama de uma potência que não se apóia nas suas próprias forças” 
  • as forças próprias de um soberano são aquelas compostas por seus súditos, cidadãos e dependentes e as demais são auxiliares ou mercenárias.

Os deveres do príncipe com suas tropas

O capítulo inicia mostrando o objetivo ou pensamento principal de um príncipe, que além da guerra, é também as leis e a disciplina. Esta é a única arte que se espera de quem comanda. Quem negligencia a arte da guerra, perde a consideração e o principal, o Estado.
A caça é indicada por Maquiavel como um ato a ser sempre praticado pelos soldados, para que estes se habituem à natureza das regiões, a posição das montanhas, a abertura dos vales, aos rios, pântanos...
"A fim se exercitar o espírito, o príncipe deve estudar a historia e as ações dos grandes homens; ver como se conduziram na guerra, examinar as razões das suas vitorias e derrotas, para imitar as primeiras e evitar as ultimas."
Estes são os deveres do príncipe que nunca deve se acomodar, mesmo nos tempos de paz, mas sempre estar preocupado para que suas tropas estejam em forma quando a sorte mudar, pois como foi dito no Capítulo III, as guerras não podem ser evitadas.

As qualidades pelas quais os homens, sobretudo os príncipes, são louvados ou vituperados

Maquiavel escreve sobre como um príncipe deve proceder ante seus súditos e amigos, explicando que para manter-se adorado é necessário que o líder saiba utilizar os vícios e das virtudes necessárias, fazendo o que for possível para garantir a segurança e o bem-estar.

A generosidade e a parcimônia

Aqui é explicado ao príncipe como cuidar de suas finanças, para não ser visto como gastador, e levar o povo à pobreza, cobrando muitos impostos para manter-se rico. O autor diz que o melhor é ser visto como miserável, pois com este julgamento ele poderá ser generoso quando bem entender, e o povo irá se acostumar com isso. Os príncipes que vão junto ao exército atacar e saquear outras cidades devem ser generosos com seus soldados, para que esses continuem sendo fiéis e motivados.

A crueldade e a clemência: se é melhor ser amado do que temido, ou o contrário

O filósofo defende que é melhor um príncipe ser temido do que amado, mostrando que as amizades feitas quando se está bem, nada dura quando se faz necessário, sendo que o temor de uma punição faz os homens pensarem duas vezes antes de trair seus líderes. Diz também que a morte de um bandido apenas faz mal a ele mesmo, enquanto a sua prisão ou o seu perdão faz mal a toda a comunidade. O líder deve ser cruel quanto as penas com as pessoas, mas nunca no caráter material "as pessoas esquecem mais facilmente a morte do pai, do que a perda da herança".

Os príncipes e a palavra dada


Maquiavel argumenta que o governante deve ser dissimulado quando é necessário, porém nunca deixando transparecer sua dissimulação. Não é necessário, a um príncipe, possuir todas as qualidades, mas é preciso parecer ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso já que às vezes é necessário agir em contrário a essas virtudes, porém é necessário que esteja disposto a modelar-se de acordo com o tempo e a necessidade.

Como evitar o desprezo e o ódio

O autor defende que o príncipe faça coisas para não ser odiado, como não confiscar propriedades, não demonstrar avidez ou desinteresse.

Se as fortalezas e muitas outras coisas cotidianas usadas pelos príncipes sejam úteis ou inúteis
Como um príncipe deve agir para ser estimado
Dos secretários que acompanham o príncipe
Como evitar os aduladores

Porque os príncipes da Itália perderam seus Estados

Nesse capitulo ele explica porque os príncipes italianos perderam seus Estados e como fazer para que isso não aconteça. Quando se é atacado, deve-se estar preparado para defender e nunca se deve "cair apenas por acreditar encontrar quem te levante" já que isso só irá acontecer se os invasores forem falhos.
Quanto pode a fortuna influenciar as coisas humanas e como se pode resistir a ela

Exortação para retomar a Itália e libertá-la dos bárbaros

Considerações finais:
Maquiavel foi um inegável revolucionário, disse o que a politica é aos invés de dizer o que ela deveria ser. O leigos em Maquiavel compram e assumem uma postura de que seus livros e ideias são coisas diabólicas e repugnam qualquer ação considerada por eles como amoral de maquiavélica  mal sabem esses que Maquiavel era um cidadão preocupado com seu pais e com seus conterrâneos.

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OBS: Meu resultado foi entre 70 e 100.

Você fez mais de 70 pontos e pode ser considerado altamente maquiavélico. Pessoas altamente maquiavélicas tendem a ser mais objetivas e calculistas ao interagir com outras pessoas. Elas também acreditam que é impraticável ser ético o tempo todo. Maquiavel aprovaria o seu jeito de pensar e agir.