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V de Vingança uma Análise de Idéias

Um dos personagem mais icônicos e um símbolo da cultura pop que por vezes assusta governos e empresas quando seu rosto é seguido da palavras "tango down". Como entender o fascínio provocado por esse enigmático personagem que superou as barreiras do tempo?



A historia, a obra de gráfica e o filme que é um estouro. A revista norte-americana Time questionou: “É possível para um grande estúdio de Hollywood fazer um filme de U$ 50 milhões no qual o herói é um terrorista? Um terrorista que aparece usando um colete de dinamite de um homem-bomba, que adota como lema, debaixo de uma máscara de madeira que ele nunca tira, que ‘explodir um prédio pode mudar o mundo’?”


O filme se baseia nos quadrinhos V de Vingança (V for Vendetta, no original) de Alan Moore e David Lloyd publicados em Agosto de 1988 (mês e ano em que eu nasci ^^). Baseado em sua insatisfação diante das adaptações de seus outros trabalhos, como Constantine, Liga Extraordinária e Do Inferno, Alan Moore reprovou a realização do filme antes mesmo das filmagens. David Lloyd, por sua vez, colaborou com a produção e deu declarações afirmando que o filme seria, obrigatoriamente, algo diferente da história em quadrinhos original ( e é, poderão ler alguns destaques que separei para comparação). Mas, mesmo com a reprovação de Moore e com alterações na história que serão sentidas por alguns fãs, o filme mantém o que há de essencial e subversivo dos quadrinhos (a Ideia).
Com um roteiro dos famosos irmãos Wachowski, da trilogia Matrix e Piratas do Caribe, e dirigido pelo iniciante James Mcteigue, (que também trabalhou em Matrix), V de Vingança é um blockbuster hollywoodiano que teve grandes plateias e um efeito intelectual muito bom. Quem interpreta V é Hugo Weaving, que atuou em Matrix, na pele do Agente Smith. O surpreendente é que a indústria do cinema não conseguiu impedir que o filme fosse uma ácida crítica a George Bush e Tony Blair, nem que tivesse como herói um mascarado explodindo prédios públicos, um herói que é um “vilão”.


O personagem principal, que quer ser chamado apenas pelo codinome V, não tira sua máscara nem para fritar um ovo! O filme se passa numa Inglaterra de 2020 (aproximadamente). Se a HQ dá a entender de que se instaurou uma ditadura empresarial-militar fascista decorrente de um golpe de estado (situação ainda muito presente no início dos anos 1980, década em que foi escrita), no filme, o grupo chega ao poder através de eleições, o que já demonstra a incorporação da democracia formal pela burguesia no século XXI. Que tem à frente um governo totalitário, eleito com o discurso de que a população deve abrir mão de seus direitos e liberdades para que o Estado a “proteja” da ameaça terrorista.
V planeja explodir o prédio do Parlamento no dia 5 de novembro. A data se refere à história de Guy Fawkes, um soldado inglês, católico, que, num ato contra o governo protestante da época, pretendia destruir o prédio do Parlamento britânico que ficou conhecido como a Conspiração da Pólvora. Ele foi preso em 5 de novembro de 1605 e enforcado alguns meses depois. A noite de 5 de novembro é lembrada até hoje na Inglaterra com fogos, fogueiras e com a queima de bonecos de Guy Fawkes, algo como a malhação de Judas (não importa a religião, a época ou o país, alguém sempre vai para na focar ou na fogueira rsrs).
Dos quadrinhos para as telonas
Os fãs dos quadrinhos notarão muitas diferenças entre a graphic novel e o filme. Tais diferenças, entretanto, não desagradaram a maioria, pois o resultado é um grande filme, que preserva o melhor da história e acrescenta aspectos importantes, inexistentes no papel. Além disso, a versão cinematográfica “corrigiu” alguns aspectos e salientou outros da trama (como deixar de lado as traições de uma das mulheres de um dos membros do partido).



A maioria das supressões são justificadas pelo tempo de duração da história, mais ainda assim é incrível que eles tinham conseguido resumir bem a historias de um herói em um único filme. Nos quadrinhos, a história é bastante complexa e dura vários anos, algo complicado de se transpor para o cinema. Isso foi determinante para o filme não poder mostrar a lenta transformação da personagem Evey dos quadrinhos, que no início era uma garota assustada de 16 anos que se prostituía e depois se torna a corajosa parceira de V. Nas telas, Evey (Natalie Portman, de Free Zone e Closer) já surge como uma mulher decidida e questionadora. É uma jovem bem instruída, amante das artes, porém assustada e temerosa. Seus pais foram executados pelas forças policiais por serem ativistas políticos que protestavam contra a ascensão do grupo fascista ao poder e ainda por cima, trabalha no canal BTN, a TV estatal rigidamente comandada pelo governo. Ela é salva por V após quase ser estuprada pelos Homens-Dedo (policiais). Seu personagem passa por uma verdadeira metamorfose no decorrer da película. Se no início do filme, mostrava-se servil e obediente ao sistema (apesar da plena consciência da tirania no poder) e às normas legais, depois passa a compreender os propósitos de V, forjando assim, não uma consciência de classe, mas uma consciência de luta contra a opressão da sociedade. Outro aspecto incorporado por Evey em decorrência de sua convivência com V é a ausência de uma identidade própria. Liberta de seus medos e fraquezas, Evey consegue sobreviver na Londres caótica sem se deixar reconhecer (e talvez sem reconhecer a mesma Evey).
O detetive Finch (Stephen Rea, de Entrevista Com o Vampiro) dos quadrinhos é muito mais perturbado, menos decidido, que seu correspondente na adaptação. O filme também não mostra que sua compreensão sobre V aparece durante uma visão que teve em Larkhill (um tipo de campo de concentração para onde eram levados os excluídos da nova sociedade, o que incluía minorias étnicas, sexuais, imigrantes e ativistas políticos), durante uma viagem com LSD. Outra diferença é que, nos quadrinhos, o personagem V é puro ódio contra aqueles que lhe torturaram, manipularam suas propriedades psíquicas e fisiológicas, e esse desejo de vingança, o combustível para suas ações “terroristas”, fazendo assim a sua justiça pessoal, já que a justiça legalmente constituída não pertenceria mais aos cidadãos, mas à classe dominante, ele faz discursos a favor da anarquia e da ausência de líderes como esse trecho em que ele se encontra com a estátua da justiça do Old Bailey.


“V - “Eu a admirava, apesar da distância (personificada pela estátua no alto do Old Bailey). Ainda criança, passando pela rua, eu admirava sua beleza”. Porém, naquele contexto a Justiça não passava de uma meretriz que flertava com os homens de uniforme. Quando “perguntado” pela estátua sobre quem tomou o seu lugar, ele responde que “seu nome é anarquia [...] com ela, aprendi que não há sentido na justiça sem liberdade” (p.43)

O que desaparece no filme, na telona, representa o fiel cumpridor de ordens do chanceler em assuntos investigativos da polícia. Também membro do Partido, ele acredita que sua missão em prol da sociedade é manter a ordem e a unidade através do trabalho na polícia. Honesto, ele leva seu trabalho a sério em seus princípios e quando as sucessivas revelações escusas sobre membros do Partido são trazidas à tona em suas investigações, começa a se questionar sobre quais interesses realmente representa.
Esteticamente o filme é grandioso. Aproveita o contraste de luz e sombra dos desenhos de Lloyd, que compunham um ambiente depressivo para a sociedade totalitária do futuro. O filme acrescenta a esse clima imagens mais impactantes. A escuridão é explorada em todo o seu mistério. E a máscara de V, diante das diferentes cenas e luminosidades, possui uma expressividade sem igual, a face de um “inimigo” sorridente.


Indivíduo e coletivo

V é um personagem singular, cativante, expressivo, criativo e teatral. Tais características são tão suas quanto seus planos de transformação social e sua participação nesse processo. Como os super-heróis da Marvel, ele usa máscaras e usa um codinome em sua missão de salvar o mundo. No entanto, há uma grande diferença entre V e Batman ou Super-homem, muito além do método de atentados.

Neste ponto o filme "supera" os quadrinhos. O V das grandes telas defende a necessidade (e não é somente um detalhe) da ação das massas nas transformações. V pretende explodir prédios, mas também incitar o povo a se rebelar contra o governo tirano. Segundo ele, explodir um prédio como o Parlamento é algo simbólico, mas um símbolo não vale nada se não tiver o povo na rua. Mesmo que sua principal tática seja essa, por diversas vezes V mostra que a ação isolada é insuficiente. Assim, o atentado proposto por V se diferencia, por exemplo, dos atentados do 11 de setembro de 2001. Mesmo acertando um importante símbolo do imperialismo, a morte de milhares de pessoas, entre elas muitos imigrantes, não levou a uma mobilização dos trabalhadores e deu mais fôlego a Bush e Blair.
E, apesar de todas as ações serem planejadas por V, não há um heroísmo messiânico. A princípio é uma luta individual, uma vingança com ações planejadas por ele, inclusive com um toque teatral. Entretanto, o individual se quebra, em primeiro lugar, pela máscara e pelo codinome, que escondem até o fim a identidade do personagem. Depois, essa individualidade se dissolve por completo na multiplicação das máscaras na multidão, expressa ainda melhor na fala de V, que, ao ser ameaçado com uma arma, afirma que “você pode matar um homem, mas não um ideal”. E a batalha deixa de ser uma atitude isolada, fruto de uma vingança pessoal, que dá nome ao filme.

Além da liberdade

Há lacunas, frestas. Os fãs mais puristas poderão reclamar das diferenças entre o filme e os quadrinhos. Outros poderão argumentar que os discursos de V mais próximos ao anarquismo foram suprimidos na versão cinematográfica. Uma cena de luta muito ‘matrix’ também era dispensável.

Os problemas da sociedade que são destacados no filme e combatidos pelo personagem principal se resumem à falta de liberdade numa sociedade autoritária. Nem o filme nem os quadrinhos questionam a desigualdade social, se há miséria, desemprego ou fome naquela realidade.
Entretanto, por mais divergências que se possa ter com os métodos da luta isolada ou da guerrilha, com o anarquismo ou a ausência dele, ou com o tom liberal do discurso, V de Vingança faz sua revolução nas telas. Não se muda o mundo explodindo um prédio, mas nenhuma lacuna prejudica a importância de este personagem mascarado estar em cinemas de todo o planeta com falas como “o povo deve temer seu governo. O governo é que deve temer seu povo”.
Comparações HQ e Cenima
O enredo mostra a ascensão, o auge e a queda de um regime totalitário futurista firmado na Inglaterra.
  • Nas histórias em quadrinhos, o nome do ditador deste regime é "Adam James Susan". Na versão cinematográfica ele foi renomeado para "Adam Sutler", que em muito se parece com o de Adolf Hitler;
  • No enredo, a bandeira do partido que sustentava o regime totalitário possuía um símbolo com formas geométricas e ângulos retos, tal qual a suástica nazista. Além disto, a bandeira era de cores preta e vermelha, uma inversão das cores utilizadas pelo Partido Nacional Socialista Alemão (Partido Nazista);
  • A história do ditador Sutler é quase igual a de Adolf Hitler, em especial no que tange a sua ascensão junto ao partido e ao governo;
  • Após o Tratado de Versalhes, o regime nazista atribuía a culpa dos problemas da Alemanha aos judeus. Além dos judeus, iniciaram perseguição aos negros, aos ciganos, aos homossexuais e aos deficientes físicos. O regime fictício do enredo atribuía a culpa pelo atentado ocorrido no metrô e na escola aos muçulmanos. Posteriormente, fomentou também a perseguição contra homossexuais.
  • No enredo, o regime de Sutler cria campos de concentração tais quais os da Alemanha nazista;
  • Existe no enredo uma polícia secreta, chamada em português de Dedos (inglês: fingers). No regime nazista havia também uma polícia secreta, a Gestapo;
  • Há uma forte crítica ao clero no enredo, mostrando escândalos de pedofiliaassassinatos, e busca pelo poder. Além do mais, no enredo, há um acobertamento por parte do clero (provavelmente anglicano) às experiências feitas em seres humanos.
  • A fala acentuada de V no filme, provém muito possivelmente do personagem Edmond Dantes, interpretado por Robert Donat, no filme Conde de Monte Cristo, o mesmo que o V assiste.

Saiba mais se quiser:

Para os fãs:

Os HQs escaneados de V de Vingança estão disponíveis em PDF download no 4Shared.
#1  http://www.4shared.com/get/anA8CC8g/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html
#2  http://www.4shared.com/get/08lY445n/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html
#3  http://www.4shared.com/get/l91Yyh61/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html
#4  http://www.4shared.com/get/MC-GGL1x/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html
#5  http://www.4shared.com/get/DeduQAsQ/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html

Vamos ler (também) gente séria!

Aqui peço desculpas aos meus leitores se o texto parece ofensivo, como de costume já disse: minha intenção nem sempre é agradar.

O que está acontecendo com a literatura? Não limitando literatura mais apenas os livros e escritores, mas à toda a teia de ação, os leitores, as editoras, os críticos, a Academia e tudo mais que a toca.

Temos a literatura paga a milhões num país colapsado, o mito imbecilizante do “está na televisão é porque é bom”, pronto a fabricar "gênios" literários todos os meses. Temos um país de universitários, mestres, doutorados e políticos para quem o livro se tornou um objecto simbólico de status quo, mas cujo nível de literacia não passa o grau zero da literatura que são José Rodrigues dos Santos, Helena Sacadura Cabral ou os bestsellers internacionais.
As editoras transformaram-se em empresas geridas para dar lucro financeiro e não cultural, e são geridas por pessoas que não fazem a menor ideia de quem foi Homero, Cervantes, Camões, Tolstoi ou Dostoiévski, e que não sabem, portanto, que a literatura não é aquilo que se imprime em papel, mas, sim, aquilo que resulta do esforço heroico do Homem para dar sentido ao caos — e que é nela, e através dela, que se ilumina o que fomos aprendendo sobre a natureza humana.

Não me entendam como alguém que torce o nariz para obras primorosas e que criam e recriam mais e mais leitores, como a série Harry Potter ou a Trilogia Jogos Vorazes, ou os livros de suspense e mistério de Dan Brown. Eu mesmo sou fã deles, mesmo assim não posse deixar de questionar o quanto o mercado literário global está cada vez mais manipulativo e tendencioso, à exemplo quase não se encontra mais espaço para poemas, prozas e regionalismo nas pratilheiras ou em sites.

Pense você um pouco, vai mesmo ler tudo que é jogado no mercado, sem jamais experimentar o que um simples José escreveu?


Bienal do Livro ou Comércio Editorial?

E foi dada a largada para a XI Bienal Internacional do Livro no Ceará. O evento que já tem data e local confirmados: Centro de Eventos de 5 a 14 de Dezembro. Aqui deixo algumas ponderações sobre a bienal de 2012 e o que esperar para esse ano.

Como a bienal do livro no Ceará é uma feira monumental que tem uma ideologia direcionada para aparar e suprir os gostos dos elementos que fazem o mundo literário: Editoras, livrarias, escritores e leitores (a ordem não é essa por acaso). Como recriar uma cultura literária em um estado que já teve gigantes da literatura como José de Alencar, Rachel de Queiroz e outros, tendo o comércio de livro como um dos mais caros do país?

Qual o incentivo oferecido para uma cultura onde é mais barato ir para um pagodão ou baile funk e gastar com álcool, drogas e prostitutas que buscar entar em uma livraria ou sebo a procura de um livro barato?

A bienal de 2012 se provou um verdadeiro culto ao deus do mercado, não me entendam aqui como um marxista, mas como um leitor que com lentes críticas pode ver que a verdadeira literatura é postade lado em prol de escritores "famosos", filhos de celebridades ou políticos. A iniciativa e o espaço oferecido para novos escritores é quase ínfimo ou nenhum. 

A única coisas positiva que vi foi o fator cultural da bienal ser levado em conta, atrações não faltaram e para todos os gostos, mesmo assim é triste ver aspirantes promissores a escritores e poetas tendo que vender livros de mão em mão e até saindo no prejuízo de suas produções por falta de espaço no evento. Por outro lado são esses os autênticos escritores de nossa terra, o valentes que dam um olé nos gigantes do mercado.

Bem, a data está marcada e eu estrei lá mais um vez conferino o evento, até meus amigos.
Boa leitura!

Nem só de clássicos vive o leitor

Como leitor inveterado que sou, aprecio profundamente vários estilos e gêneros literário, do milenar ao romantismo aos contemporâneos acadêmicos, dos gigantes nacionais como Machado de Assis e José de Alencar aos monstros best-seller atuais como J. K. Howlin, Dan Brown e George R. R. Martin. Creio que em todas as épocas e regiões aparecem escritores capazes de satisfazer um grande público, seja este público infantil, jovem ou adulto. Porém existe uma grande resistência de novos leitores se interessarem por obras clássicas como Sonetos de Camões, Crime e Castigo ou Don Quixote. A pergunta inicial depois dessas linhas é: Isso é ruim?

Primeiramente defendo que qualquer tipo de leitura gera algum resultado, seja em livros, mangás, jornais ou revista. Se hoje leem mais Harry Potter que Capitu ou é mais excitante ler os 50 Tons de Cinza que o naturalismo de O Cortiço é pelo menos o sinal de que ainda existe uma massa ávida de leitores em nossas escolas. O que é algo muito bom tendo em vista que as aulas de Literatura foram paticamente banidas do currículo escolar para mais aulas de decoreba de português. Os textos clássicos aparecem apenas para apresentar características da época e das obras só é passada um simples resumo.

O que pode ser chamada de "literatura de entretenimento" deve ser ainda mais incentivada pelos professores, poucos sabem quanta filosofia existem em uma obra como O Senhor dos Anéis ou Harry Potter e a Câmara Secreta, o teor histórico na saga Assassin's Creed que é digna de uma dissertação de mestrado em história, os personagens de mangás como One Piece, Naruto e Death Note e as implicações emocionais e psíquicas de suas ações são só alguns bons exemplos de o quanto o movimento literário da atualidade não só não deve ser criticado sem uma análise profunda, como deve ser promovido nas escolas, pois quer os professores gostem ou não, esses livros os alunos leem.

Hora de Marx

Nesses tempos de capitalismo selvagem, uma boa dose de conceitos e teoria marxista é sempre ben-vinda. Para começar que tal assistirmos a um breve documentário.


Karl Marx foi um dos mais poderosos e influentes teoricos da história, suas contribuições nos campos da filosofia, sociologia e economia ecoam em grandes debates por universidades do mundo todo.


De La Servitude Moderne.

O objetivo principal deste filme é de por em dia a condição do escravo moderno dentro do sistema totalitário mercante e de evidenciar as formas de mistificação que ocultam esta condição subserviente.  Alguns esperarão encontrar aqui soluções ou respostas feitas, tipo um pequeno manual de "como fazer uma revolução?" Esse não é o propósito deste filme. Melhor dizendo, trata-se mais exatamente de uma crítica da sociedade que devemos combater.  Não precisamos de um guru que venha explicar à nós como devemos agir: a liberdade de ação deve ser nossa característica principal. Aqueles que desejam permanecer escravos estão esperando o messias ou a obra que bastando seguir-la ao pé da letra, libertam-se.


O texto e o filme são isentos de direitos autorais, podem ser recuperados, divulgados, e projetados sem nenhuma restrição. Inclusive são totalmente gratuitos, ou seja, não devem de nenhuma maneira ser comercializados. Pois seria incoerente propor uma crítica sobre a onipresença das mercadorias com outra mercadoria. A luta contra a propriedade privada, intelectual ou outra, é nosso golpe fatal contra a dominação presente.  Este filme é difundido fora de todo circuito legal ou comercial, ele depende da boa vontade daqueles que asseguram sua difusão da maneira mais ampla possível. Ele não é nossa propriedade, ele pertence àqueles que queiram apropriar-se para que seja jogado na fogueira de nossa luta.  Jean-François Brient e Victor León Fuentes.


Dica: Pocure fazer download da HQ Filósofos em Ação, leia a edição contemplada com o pensamento de Karl Marx, vale a pena você verá e ainda dará boas risadas.

Odiosa raça (humana)

O que falta dizer sobre o racismo? Qual foi o cartaz que não pregaram, que canção ainda não foi cantada, quais poemas faltam comporem sobre isso? Assistimos durante essa semana a avalanche jornalística reprisando pela milionésima vez o assunto. Um cenário normal, momento de concentratração durante um lance de mais uma simple partida de futebol, até alguém jogar uma banana no campo ofendendo a raça dominate do planeta, a raça humana.

O que me preocupa é que a civilização mesmo com os dois pés já bem firmados nesse século ainda não tenha superados as sombras de sua história como o racismo e xenofobia. O racismo é o pior dos preconceitos, pois ele visa não somente agredir e violentar a figura da dignidade humana, mais também aniqular o próprio indivíduo. Essa ação é a negação do outro, é uma forma de diminuir e até desumanizar a pessoa por meio da humilhação.

Quando uma pessoa olha para outra e em seu olhar renega a existência da outra, seu olhar se torna mais frio e mais terrível que uma tempestade no mais duro inverno.

Hiruzen Sarutobi, Terceiro Hokage.




Mas o que me chamou atenção também foi a enxurrada medonha de hastags como #somostodosmacacos e #bananaproracismo. A atitude do jogador Daniel Alves foi legítima e me pareceu muito clara, mas a resposta em 'apoio' ao jogador parece ter uma distorção sem igual, milhares de pessoas postando fotos e videos comendo bananas se comparando a macacos? Claro que interpretações existem e elas são livres, mas é preciso se perguntar: ISSO FOI MESMO ÚTIL? PUNIL ALGUÉM? MELHOROU A MENTE DE NOSSOS SEMELHANTES? O QUE MUDOU NO MEIO PÚBLICO?


O momento agora é campo fértil para começar a mudar esse cenário efetivamente. Punições exemplares devem ser dadas para que as ações não fiquem apenas na 'conscientização' ou toda política e educação contra o racismo vai ficar parada na boa vontade.

Se me perguntar alguma coisa sobre as campanhas que estão rolando na internet vou responder: NÃO SOU MACACO, ENFIE ESSA BANANA NO SEU C#!, EU QUERO É RESPEITO!

1964 - Nos tempos da opressão.

Ver o atual estado da nossa sociedade sem dúvida por vezes causa a provocação de se questionar: como eram as coisas antes? Como seria minha vida em outra época ou estado político? Como ainda nao há a venda de máquinas do tempo ou portais dimensionais na internet (urânio, plutonio e virgindade já estão à venda, e baratinho) o jeito é especular e criar cenários de possiveis acontecimentos. Para os que gostaria de saber essas respostas a revista Super Interessante lançou uma espécie de game-quiz nomeado De Volta a 1964. O intuito é provocar uma reflexão sobre as consequências de suas escolhas numa época de opressão em plena ditadura militar. Eu fiz o teste e devo dizer que o resultado de minhas escolhas me parecem bem fiéis com o futuro de um jovem solteiro de mente inquieta e recem formado em filosofia.

Assista aos vídeos promocionais do jogo. Depois clique no link abaixo para jogar.






Meu Resultado: Sendo honesto comigo mesmo e respondendo as perguntas sendo fiel as minhas opiniões e convicção o resultado apontou: 7% das pessoas que fizeram o teste tiveram a mesma atitude que você para essa época. Você provavelmente seria uma das mentes perseguidas pelo governo obrigando-se à se exilar para salvar a propria vida e dos entes queridos, anos no exílio e desfrutando de uma política mais simpática com intelectuais você não pensa em retornar para o país uma vez que a Lei de Anistia também assegurou os opressores e torturadores do regime militar. 

Um livro de presente


Todas as culturas em certo momento expressa o ato de troca ou de congratulação, muitas vezes o elemento desse ato é um presente. Antes se presenteava com coisas simbólicas, muitas vezes de ordem mistica ou religiosa, outras tantas de caráter mas ostentador de poder ou riqueza. Mas seja como for, entre todos os presentes possíveis de se dar à alguém, um bom livro é sem duvida algo de muita apreciação. As pessoas as vezes me perguntam por que eu gosto de ganhar livros, ou porque eu costumo presentear com tal objeto.


Bem, eu sempre fui um rato de biblioteca (embora meus pais e avós preferissem que eu fosse uma coruja de igreja ^^), e um livro era uma coisa que conseguia me distrair mais do que o Super Nintendo (vixii só velho mesmo rsrs). As pessoas não imaginam o quanto pode ser prazeroso deixar de navegar na internet para viajar dentro dum bom livro.


Aos poucos comecei à influenciar outros amigos e passamos a sempre presentear com livros. "Inventamos" até uma brincadeira: Amigo Fino (amigo secreto só que só se pode dar livros) e por vezes combinávamos de tematizar o livros; amigo azul (aventura/), amigo vermelho (drama/romance), amigo negro (suspense/terror), amigo verde (fantasia). Muito recomendado deixar o já batido Amigo Secreto e o diabético Amigo Doce de lado para testar um Amigo Fino.


Pude certa vez perceber em uma conversa entre amigos e colegas em um barzinho que o ato de presentear com um livro depende de alguns tipos de indivíduos, como nessa conversa entre mim e um ex-colega da faculdade.

     " -  Ei mah, o que tu acha que eu dou no aniversário dela? Tem que ser alguma coisa legal.
       -  Dá um livro!
       -  Não – disse ele tristemente – Um livro ela já tem! "

Depois de rir muito, notei que algumas pessoas não sabem muito bem mesmo é qual livro ou que tipo de livro dar. Por isso, minha próximas postagem serão sobre 10 Livros para presentear no Natal. Farei listas de diversos gêneros e temas para que possam ler e ou escolher um para pedir de presente ou um para presentear.


Aguardem a primeira lista 10 Livros para não-leitores ou iniciantes às 12:00 de amanhã .

Até mais e boa leitura!

O dia que Einstein mais temia.


E agora temos legiões de zumbis enfrente à caixas tecnológicas.

Filosofia - lições para a vida.


Não faz muito tempo que ler sobre filosofia era visto como coisa de gente que pensa demais, que vive em um mundo paralelo. Mas, desde o começo da última década, uma nova geração de pensadores vem se dedicando a popularizar a disciplina. Nomes como o suíço radicado em Londres Alain de Botton, o britânico Trevon Curnow e o americano William Irvine têm mostrado que pensadores das antigas podem ajudar você com eternas questões da humanidade, claro, mas também com problemas contemporâneos, como a ditadura da magreza ou o excesso de estímulos provocado pela internet. 

A proposta tem feito sucesso. Basta um passeio por livrarias para constatar que a filosofia está na moda. Nas listas de mais vendidos há volumes como Aprender a Viver: Filosofia para os Novos Tempos, de Luc Ferry, e The Guide to Good Life (O Guia para a Boa Vida, sem edição brasileira), de Trevon Curnow. No Brasil, O Livro da Filosofia, de Will Buckingham, e Nietzsche para Estressados, de Allan Percy, estão no top 10 de não ficção. “O momento é propício. Vivemos em um mundo de acúmulo de informações e falta de significados. As pessoas estão se vendo forçadas a pensar filosoficamente para encontrar um sentido na vida”, afirma o australiano Peter Singer, professor de filosofia da Universidade de Princeton, nos EUA, e autor de Ética Prática

Essa nova onda se baseia em uma antiga tradição da filosofia que reflete sobre a vida e serve de guia para a nossa existência — em vez de se preocupar com a definição de conceitos, como justiça, ética e verdade. Sábios da Antiguidade, como Sócrates, Sêneca e Epicuro, e alguns mais próximos na história, como Schopenhauer (1788- 1860) e Nietzsche (1844-1900), trabalhavam nessa linha de filosofia para o dia a dia, que renasce também em palestras, cursos e até em uma nova forma de terapia. 

Nos EUA e na Europa, já existe a chamada terapia filosófica. Em consultas, o paciente fala livremente sobre sua vida, dificuldades e interesses, e o filósofo analisa o discurso e tenta mostrar as lições que pensadores como Platão e Aristóteles têm a apresentar no caso. Os profissionais são credenciados por associações como a Sociedade Americana para Filosofia, Aconselhamento e Psicoterapia, que tem 300 terapeutas licenciados — há 10 anos, eram 90. “As sessões ajudam com um problema que está na raiz de muitas crises de depressão e ansiedade hoje: o excesso de expectativas em relação à felicidade e ao amor”, diz Lou Marinoff, analista filosófico e autor de Mais Platão, Menos Prozac!

Mesmo quem não pretende trocar Freud e Lacan por Sócrates ou Nietzsche tem encontrado espaço para filosofar. As instituições que oferecem cursos livres na área só se multiplicam. Com promessa de chegar ao Brasil neste ano, desde 2008 funciona em Londres a Escola da Vida, fundada por Alain de Botton, um dos expoentes da popularização da filosofia. Autor do novo livro Religião para Ateus e famoso por seu Consolações da Filosofia, de Botton mostra como as ideias de pensadores de outros tempos podem ajudar em questões atuais. Sua escola segue a proposta, com palestras e cursos sobre dieta vegetariana, equilíbrio entre trabalho e vida, como ser cool e as diferenças entre amizade real e virtual. “A filosofia é um modo de pensar. Pode descrever qualquer assunto — sexo, bebês, dinheiro, esquis.” 

Em aulas ministradas por Emrys Westacott, professor da Universidade Alfred, em Nova York, a disciplina que até pouco tempo se restringia aos corredores acadêmicos se tornou tão prosaica que chegou ao orçamento dos universitários. No curso Mão de Vaca: A Boa Vida com um Dólar por Dia, Westacott analisa propaganda e consumismo a partir de textos de filósofos como Epicuro (que extraía o máximo de prazer do mínimo, veja Dieta, por Epicuro na próxima página). Os estudantes experimentam na prática a ideia de viver com pouco: cortam os cabelos uns dos outros (para economizar no salão) e celebram a formatura com um concurso de receitas baratas. Dois alunos já juntaram 200 sachês de ketchup para fazer uma espécie de sopa de tomate. 

Com um punhado de tesouras e molhos industrializados, Westacott afirma resgatar grandes reflexões da humanidade: O que faz as pessoas felizes? O que é sabedoria?. “Assim, a filosofia recupera um espaço que havia se tornado quase somente da psicologia.” 

Mas, afinal, o que esses grandes sábios têm a nos dizer? Confira a seguir ensinamentos de filósofos que vão ajudar você em suas crises existenciais. Deixe o divã de lado. Sente-se no sofá e boa sessão.
 

 Trabalhe para viver, mas não viva para trabalhar. 



 “Quem não se dá lazer não obtém o verdadeiro prazer” 


Michel de Montaigne (1533-1592) era um admirador de Sócrates, e não apenas por motivos intelectuais. “Não há nada mais notável em Sócrates do que ele ter encontrado tempo para aprender a dançar”, dizia. O filósofo francês não admitiria o ritmo de vida de um profissional do século 21, multitarefa e sem tempo para nada. “Quando eu danço, eu danço; quando eu durmo, eu durmo”, escreveu. “Numa época em que os pensadores valorizavam os escritos longos e difíceis, Montaigne passou a fazer textos curtos. Ele queria resgatar a ideia da filosofia da Antiguidade de guia para a vida das pessoas comuns”, afirma o historiador de filosofia Thomas Dixon, professor da Universidade de Londres e autor de Science and Religion: A Very Short Introduction (Ciência e Religião: Uma Breve Introdução, ainda não lançado no Brasil). 

Neste esforço, Montaigne trouxe à tona um conceito de Cleantes (330 a.C. – 225 a.C.), filósofo grego que ganhava a vida carregando tinas de água, mas preferia trabalhar à noite, e apenas o mínimo necessário, para ter tempo de pensar durante o dia. Ele defendia um conceito muito simples: trabalhe para viver, mas não viva para trabalhar. Você não somente será mais realizado na vida pessoal, como se tornará um profissional mais criativo. 

Montaigne também defendia este raciocínio. Dizia que muitas das maiores dificuldades que uma pessoa experimenta na vida são imaginárias — só de pensar nos riscos e ameaças a que estamos sujeitos já sofremos por antecipação. “Para ele, trabalhar demais pensando em garantir o futuro ou a estabilidade dos filhos e netos não é uma forma recomendável de se viver”, afirma Dixon. “Melhor é aproveitar a vida em todos os momentos.” 


 Tire o máximo de prazer do mínimo de comida 



“Aquele que não se satisfaz com pouco não se satisfaz com nada” 


Estima-se que, ao longo da vida, o filósofo grego Epicuro (341 a.C.- 270 a.C.) tenha escrito 300 livros com títulos como Sobre o Amor, Sobre a Música e Sobre a Natureza. Quase todos se perderam, mas o que sobrou é suficiente para entender sua filosofia aplicada à vida cotidiana. “Os conceitos de Epicuro são muito contemporâneos”, diz Trevor Curnow, professor de filosofia da Universidade de Cumbria, na Inglaterra, e autor de Ancient Philosophy for Everyday Life (Filosofia Antiga para a Vida Cotidiana, sem edição brasileira). 

Epicuro dizia que não saberia imaginar uma boa vida sem os prazeres do paladar, do sexo e da música. Os proporcionados pela comida eram especialmente importantes. O filósofo foi muito criticado e atacado pela Igreja Católica quando ela passou a assumir o controle sobre o Império Romano, mas suas teorias iam muito além da valorização dos excessos. Para Epicuro, a filosofia tinha a função de ensinar as pessoas a interpretar corretamente seus próprios impulsos físicos e, também, a dominá-los. Comer menos, por exemplo, é uma forma de autocontrole. E, de quebra, valoriza a satisfação ao saborear um pequeno pedaço de chocolate. A busca pelo prazer moderado como forma de atingir a plenitude e a felicidade é a essência do epicurismo, escola filosófica lançada pelo sábio e seguida por seus discípulos. 

De fato, Epicuro preferia água a vinho, valorizava jantares com legumes e azeitonas e dizia que um pedaço de queijo era mais do que o suficiente para um banquete. “Ele era um homem coerente com sua filosofia. Um pequeno prazer ocasional proporcionava um prazer maior. E, por isso, ensinava mais sobre o próprio corpo do que a comilança desmesurada”, diz Curnow. “Quem faz dieta tem muito o que aprender com Epicuro.” 

Outra dica útil do filósofo: o prazer é maior quando se come em grupo. Ele recomendava que, sempre que possível, as pessoas se reunissem para fazer refeições na companhia de familiares e amigos. A satisfação que vem com a troca de opiniões e histórias à mesa ameniza a necessidade de se alimentar compulsivamente. “Comer sozinho é coisa para leões ou lobos.” 


 Leia um pouco de tudo. Mas se especialize em alguma coisa.


“Não há fatos, apenas interpretações” 


Até os anos 1950, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) despertava pouco interesse nos departamentos de filosofia nas universidades. Porém, mais recentemente, tornou-se um pensador popular não somente entre pesquisadores, mas também entre o público geral. Nas livrarias, há mais títulos com seu nome do que de qualquer outro grande filósofo. Parte disso se deve ao fato de que Nietzsche escrevia muito bem. Ele ficou famoso por seus textos curtos, que iam de uma frase a algumas poucas páginas. Além do mais, o autor tinha coisas interessantes a dizer sobre praticamente qualquer assunto. 

Seus livros costumam fazer referências a vários autores de sua época, de diversas áreas — inclusive compositores musicais. À primeira vista, Nietzsche parece valorizar o excesso de informação. Mas não se engane: se vivesse hoje, dificilmente o filósofo seria do tipo que fica com 10 janelas do navegador de internet abertas ao mesmo tempo ou vê alguma vantagem nessa história de multitask . "Para ele, conhecimento vasto não tem nada a ver com dados aleatórios reunidos sem critério, como fazemos hoje em dia ao navegar pela web”, afirma Douglas Burnham, professor de filosofia da Universidade de Staffordshire, no Reino Unido. 

Para Nietzsche, as pessoas precisam conhecer um pouco de música, literatura, artes. Mas não podem perder tempo demais soterradas em detalhes sobre cada tema. “A maior parte do dia deve ser dedicada a conhecer a fundo um determinado assunto. E isso não significa passar o dia inteiro lendo sobre ele”, afirma Burnham. Se você se interessa por engenharia, por exemplo, saia à rua, compare construções, procure pessoas que entendem mais do que você sobre o assunto. Em outras palavras: se Nietzsche estivesse vivo hoje, certamente diria: use o Google, mas com parcimônia. 


 Espere o pior de tudo. Assim, você ficará muito mais feliz quando as coisas derem certo. 



 “Quantas vezes o dia transcorreu como planejado?” 


Sêneca (4 a.C. — 65 d.C.) escreveu vários textos com orientações sobre como lidar com o fracasso para alcançar o sucesso, que ele mesmo não chegou a ter. A vida do filósofo foi longa e difícil. Político promissor, interrompeu a carreira aos 20 anos por causa de uma tuberculose. Ao se recuperar, foi condenado ao exílio. Estava lá quando um terremoto destruiu Pompeia e um incêndio botou Roma abaixo. Acabou sendo eleito o instrutor do imperador Nero, apenas para ser condenado à morte por seu discípulo — foi orientado a cortar as próprias veias do braço, sob acusação de participar de uma conspiração. Não funcionou. Sêneca, então, tomou veneno. Também não foi eficiente. Acabou se internando em uma sauna, até morrer por desidratação. 

Apesar de todas as dificuldades, Sêneca, um dos mais conhecidos filósofos romanos, não era um homem amargurado. Ele percebeu que os fracassos são inevitáveis, e que o segredo das pessoas mais bem-sucedidas é saber lidar com eles. 

A ideia é: já que os problemas inesperados são os que mais nos atingem, esteja preparado para o pior. Sempre que você entrar em um avião ou carro, saiba que aquela pode ser sua última viagem. Se não for, aproveite uma nova oportunidade para explorar a vida ao máximo. “Descobrir que as fontes de satisfação estão além de nosso controle e que o mundo não funciona da forma como gostaríamos é um choque de infância de que muitos não se recuperam”, diz o filósofo britânico Marcus Weeks, palestrante da Escola da Vida, em Londres. 

Para Sêneca, frustrações todos temos, o segredo é saber lidar com elas sem raiva, ansiedade, paranoia, amargura ou autopiedade. Precisamos manter o senso de realidade para não sucumbir à tentação de culpar os outros por tudo o que dá errado conosco. 

O sucesso, diz Sêneca, consiste em manter a paciência diante dos problemas que fogem do nosso controle, e focar no que, de fato, depende de você. Para isso, ele fazia um exercício: antes de dormir, listava suas frustrações, os insultos que havia escutado ao longo do dia e como havia se saído disso. 


Mais importante do que ser popular é defender suas próprias posições. 



"É sábio quem tem em si tudo que leva à felicidade” 


O fundador da filosofia ocidental foi condenado à morte por não adorar os deuses de Atenas e corromper a juventude com ideias não aceitas pela sociedade da época. Sócrates (469 a.C. – 399 a.C.) foi a julgamento e teve a chance de renegar suas ideias. Preferiu beber cicuta. Pagou com a vida o preço da impopularidade, mas não abriu mão de seus conceitos. Com isso, ele deixava uma última lição clara: não é possível levar a sério as opiniões alheias o tempo todo. Muitas vezes, é preciso ter a coragem de assumir suas próprias posições, por mais complicado que isso seja. 

É difícil agir assim. Afinal, ser popular é prazeroso. Observe: em uma roda de conversa, sempre aparece aquela pessoa simpática, carismática, que conta piadas de que todos riem e sente o prazer de ser bem recebido pelo grupo. Sócrates fazia o contrário: abordava estranhos na rua e perguntava, insistentemente, o que era a felicidade, quais os motivos para realizar sacrifícios para deuses, ou por que homens que vão às guerras são tão valorizados. Era irritante porque demonstrava o quanto os lugares-comuns não se sustentavam logicamente. “Sócrates era o chato que ninguém quer por perto”, afirma o filósofo Robert Rowland Smith, autor de Breakfast With Socrates (Café da Manhã com Sócrates, sem edição brasileira). “Suas perguntas irritavam quem não tinha interesse em debater com profundidade questões que parecem óbvias, mas não são.” 

Seus poucos discípulos entendiam o espírito de tantos questionamentos. Aristóteles sugeria que a amizade verdadeira só poderia existir quando duas pessoas compartilhassem sal — ou seja, dividissem refeições, impressões, opiniões. Já Platão, registrou em seus mais de 30 diálogos socráticos a dialética do mestre. Suas conversas se iniciavam com uma pergunta, que resultava em opiniões do interlocutor, primeiramente aceitas. Depois, era mostrado o contraditório daquelas opiniões, levando o interlocutor a reconhecer seu desconhecimento sobre o assunto. Para Sócrates, o importante era ter em mente que todos seus conceitos de vida podem estar errados. Por isso, precisam ser examinados até que provem ter lógica. Mesmo que isso traga impopularidade. Até porque, ninguém consegue ser popular e agradar a todos. 


 Se um relacionamento deu errado, parta para outro sem culpas 



“Amor é apenas instinto de sobrevivência da espécie” 


Poucos filósofos foram tão pessimistas como Arthur Schopenhauer (1788-1860). Quando um amigo sugeriu que os dois procurassem por mulheres, ele respondeu: “A vida é tão curta, questionável e evanescente que não merece qualquer tipo de esforço maior.” Quando, em viagem pela Itália, desobedeceu seu próprio preceito e cortejou várias mulheres, foi rejeitado por todas — o que só piorou suas expectativas com relação ao amor. Ainda assim, Schopenhauer tem dicas muito atuais a respeito de relacionamentos. Em linhas gerais, ele defende: desista do sonho do amor para toda a vida. Se um relacionamento deu errado (e, em algum momento, ele provavelmente vai dar), parta para outro, sem culpas. 

Schopenhauer acreditava que o amor era um mal necessário. O erro estaria em esperar demais dele e acreditar que só amamos uma vez na vida. “Para ele, o amor era terrível, instável, dilacerante, mas fundamental. Só não poderíamos sofrer tanto por ele”, afirma Douglas Burnham. 

O filósofo pessimista aprendeu com o trabalho de Montaigne que a mente não controla o corpo como gostaríamos, e tentou entender o porquê de tanta urgência, tanta angústia, tanta energia dedicada aos relacionamentos. Não seria por diversão, por intimidade ou por sexo, concluiu. Mas por um motivo mais fundamental: a necessidade de procriar e levar adiante o legado humano. E isso não teria nada a ver com o casamento ou a monogamia tão perseguida pelos amantes. Aliás, o filósofo tinha uma visão bem pessimista sobre juntar as escovas de dentes. “Casar significa fazer todo o possível para se tornar objeto de repulsa para o outro”, dizia. 

Ranzinza? Pode ser. O fato é que Schopenhauer, que teve alguns casos, mas nunca se casou, não tinha problemas em buscar novos amores quando um relacionamento acabava. 


 Pense na morte para fazer um balanço da vida. 



“A morte não é o pior que pode nos acontecer” 


Pegue papel e caneta (ou celular, notebook, tablet) e comece a anotar, em tópicos, todos os detalhes de seu próprio funeral. Que tipo de caixão você gostaria de ter? Com que roupa estaria vestido? Vai ser enterrado ou cremado? Quem não pode faltar ao enterro? Quem é dispensável e quem não deveria aparecer de forma alguma? Que tipo de discurso ou cerimônia combinaria mais com você? 

A recomendação é de Platão (428 a.C. — 348 a.C.): pensar no próprio funeral nos lembra que morreremos um dia. Assim, passamos a valorizar cada instante e a vivê-lo intensamente, afinal, pode ser o último. “Se não recordamos sempre disso, nos deixamos levar pela vida, quando deveríamos ter controle sobre ela”, afirma o filósofo britânico Nigel Warburton, outro grande responsável pela popularização da disciplina, com livros como O Básico da Filosofia. 

Pensar na morte nos faz viver melhor, com objetivos mais claros. Serve para reavaliar o rumo que damos à nossa existência e nos ajuda a identificar erros que cometemos, principalmente no relacionamento com pessoas importantes para nós. Por exemplo: se você morresse hoje, seu enterro seria parecido com o seu ideal? Se a resposta for sim, você está conduzindo sua vida na direção certa. Se for não, talvez seja hora de se reconciliar com aquele amigo ou familiar que hoje não participaria de sua derradeira despedida. 

Pensar em nosso fim nos dá a oportunidade de mudar o que está errado enquanto ainda é tempo. Deveria ser uma reflexão diária, não algo deprimente. "Para Platão, a morte define todos os momentos em que estamos acordados, e talvez também nossas horas de sono." 


Um pensador no divã 


Emrys Westacott, autor de Thinking Through Philosophy (Pensando Através da Filosofia, sem edição brasileira), fala sobre a popularização da disciplina e o quanto ela pode tomar espaço da psicologia 

A  filosofia pode ser pop sem ser rasa? 
Westacott: Existem muitas pessoas tentando deixar a filosofia mais acessível. Algumas seguem a linha da ficção, como Jostein Gaarder em O Mundo de Sofia. Outros relacionam a disciplina a temas de cultura popular, como Gregory Bassham com Harry Potter e a Filosofia e Willian Irwin com Os Simpsons e a Filosofia. Por fim, existem aqueles autores mais influentes, como Alain de Botton, que escrevem para o grande público. São esses os mais interessantes, pois respeitam os filósofos que abordam e vão além de resumir textos antigos. Eles traduzem e atualizam conceitos, mostram como eles são importantes para nós hoje. 

A terapia filosófica pode substituir a psicologia? 
Westacott: Substituir, não, complementar. As conversas com base em fundamentos filosóficos ajudam as pessoas a mudar radicalmente a forma de pensar na vida e na dimensão de seus próprios problemas. Depois de algumas sessões, podemos retomar o rumo, repensar prioridades. Esse é o principal objetivo da filosofia antiga. O resgate dessa tradição, na forma de terapia, é muito oportuno. 

Que livro você indicaria para quem nunca leu sobre filosofia? 
Westacott: Sempre recomendo A Ciência Gaia, de Nietzsche. É lindo e muito inspirador. Em frases curtas, apresenta insights sobre a moral, a arte, as guerras e a política.

 Exercícios filosóficos



O francês Roger-Pol Droit, autor de Filosofia em Cinco Lições, entre outros títulos de popularização da filosofia, ensina atividades rápidas para você refletir sobre a vida.

O MUNDO EM 20 MINUTOS: Sente-se em um sofá e imagine o seguinte: o mundo acabou de surgir e vai desaparecer em exatos 20 minutos. Admire sua existência, como se fosse uma lâmpada se apagando lentamente. Você vai sentir um profundo terror. E vai perceber a inutilidade de fazer planos demais para o futuro. O que vale é viver o presente — intensamente. 

A DOR DE CADA UM: Belisque seu braço. Depois de novo. E uma terceira vez, agora por mais tempo. Pense no que você está sentindo enquanto isso. Preste atenção na sensação de dor e na forma como ela evolui: primeiro mais forte, depois moderada. Perceba sua capacidade de se acostumar a situações desconfortáveis. Você verá que nada é tão ruim assim. 

NO MEIO DA MULTIDÃO: Passeie pelo perfil virtual de pessoas que você não conhece. Faça isso até se dar conta de que existe muita gente no mundo. O objetivo é perceber o quanto você é insignificante no conjunto da humanidade. Assim, você pode viver mais leve, sem levar tudo tão a sério. 

REALIDADE MOLDADA: Sente-se diante de uma paisagem e comece a olhar para ela. Não procure por detalhes, não foque em nada, apenas admire o conjunto, até que ele pareça bidimensional, como uma pintura. Imagine que ela está se desmanchando diante de seus olhos. Pronto: você percebeu o quanto a realidade é relativa e que não vale a pena ser radical na vida.