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Resenha: Contos e Poemas Assombrosos Vol. VII

Lançado em meados de março (deste ano) sem nenhum estardalhaço sobe o patrocínio da Revista Conexão Literatura. Essa antologia que mistura poemas e contos de terror propõem o desafio: Não leia sem uma vela! Será?


Ao todo são dez capítulos com uma "musculatura" de 40 páginas que revezam entre contos e poemas. Sendo estes dos mais diversos e variados cenários, tem de tudo para garantir uma boa dose de medo: cenários sinistros, criaturas sobrenaturais, umas tripinhas ali, uma poça de sangue aqui. Os autores não pouparam na criatividade e no exagero, em alguns trechos não seria difícil questionar a sanidade mental de um ou de outro.

Para deixar aquele gostinho de curiosidade, temos aqui uma lista dos capítulos (sem spoiler) para aguçar os nervos. Deixamos também uma nota dada por alguns leitores que tiveram acesso aos textos sem identificação de título e autor(a).

Cap1. Para que assombrar?... (Poema) Nota: 3/5
Cap2. O Demônio Sorridente (Conto) Nota: 3/5
Cap3. O Lobo e o Homem (Poema) Nota 4/5
Cap4. Dimensões tenebrosas (Poema) Nota 3/5
Cap5. Não Feche os Olhos! (Conto) Nota 4/5
Cap6. Estradas Secundárias (Conto) Nota 3/5
Cap7. Estranhos Tempos (Poema) Nota 3/5
Cap8. Perigo! (Poema) Nota 4/5
Cap9. Pesadelo (Poema) Nota 3/5
CapX. Se puder não leia! (Conto) Nota 4/5




A reação dos leitores no final ficou 3,5/5 o que já garante se tratar de uma boa opção de leitura leve para desopilar. Claro que não é possível comparar com grandes títulos do gênero como clássicos Frankenstein ou O Médico e o Monstro, nem dizer que daqui sairá o próximo André Vianco. Mas já deu o tom que uma nova geração de escritores e escritoras encontrou solo fértil para uma safra de boas e tenebrosas produções.

A versão em e-book está disponível gratuitamente para download clicando AQUI.

Os usuários do Skoob podem depois deixarem suas primeiras impressões nesse LINK.


Se você gosta do gênero terror ou já leu o título deste post, deixe um comentário, crítica, elogio ou sugestão.

Resenha - Sangue Revolto, Robert Galbraith

As coisas nunca foram tão angustiantes e penosas para Cormoran Strike. Após o sucesso do seu ultimo caso, a fama não trouxe só prestigio, mas uma carga de trabalhos quase sufocantes para a Agência de Detetive Particular CS. Com ajuda da sua fiel Robin, Strike mergulha no mais intricado mistério de toda sua carreira, carregado de ocultismo, esoterismo e misticismo ele tentaram solucionar um desaparecimento ocorrido a mais de 40 anos!


Aviso: Esse poste contem alguns spoiler e detalhes que podem fazer com que você perca o interesse pelo "fim da surpresa". Você foi avisado, siga por sua conta e risco!

Foi um mês inteiro de leitura sisuda, dinâmica e imersiva. Ao longo de quase mil páginas (962 para ser exato) que devo dizer, nem vi passarem de tão boa a aventura. O quinto livro da série Cormoran Strike do Robert Galbraith (vulgo JK Rownling) mostra o quanto o intelecto por trás das linhas subiu o nível, não apenas os personagens, como os ambientes, seus sentimentos e a ambientes em que estão inseridos estão mais realistas, quase tangíveis! Nesse livro vamos acompanhar a investigação de um desaparecimento ocorrido em 1974, o sumiço da médica Margot Bamborough. A história é cheia de pistas, signos e muita loucura (muita lombra mesmo hahahahaa), mas mesmo assim instigante e faz com o que o leitor pense junto com o Strike, para descobrir o aconteceu com Margot. 

A aventura é revirada com capítulos longos e detalhes tão minuciosos que ao concluir o livro é difícil não se achar um tanto burro por "não perceber" as pistas. Com múltiplas camadas e subtramas, é o romance mais denso (e não estou falando de páginas) da série. Mostrando que os personagens tem que lidar com muita m&rd@ dentro e fora da vida profissional. A enxurradas de personagens e suspeitos afogam o leitor em teorias que chegam a dar dores de cabeça (sou suspeito de falar, mas é verdade).

Os desafios de solucionar um caso com quase meio século de diferença dos eventos principais e se valendo de anotações de dois detetives que passaram pelo caso, onde um botava baralho pra resolver o caso e o outro era inclinado a atender clamores testemunhais, Robin e Strike correm contra o prazo de 1 ano para solucionar o desaparecimento. O autor brindou (me refiro ao pseudônimo, não encrenquem) seus leitores com um trama mais visceral e carregada de sentimentos do que de costume. Aprendemos mais sobre Cormoran e Ellacot e quem sabe agora esse dois resolvam se arranjarem um com o outro.


Filmagens da série adaptada CS Strike

Fico feliz que ao contrario do que aconteceu em O Bicho da Seda, o autor não se resolveu mais com métodos fáceis de concluir sua trama, abandonado o deus ex machina e investindo em maior riqueza de detalhes para confundir o leitor e justificar a solução de seus mistérios. Apesar de ter gostado muito da leitura, não posso dizer que será meu favorito da série de agora em diante, ainda prefiro O Chamado do Cuco e Branco Letal como meus favoritos. Mas vale muito a pena se debruçar nessa aventura, principalmente se você não tiver provas da faculdade para se preparar.



Veredito!

Recomendo o Sangue Revolto para quem está de férias, procurando um bom livro para se perder por um mês inteiro. E já estou animado em saber que o sexto livro já está pronto e será lançado no dia 22 de Agosto (meu aniversário) hehe melhor que isso só ganhando o livro. Após os eventos pessoais ocorridos com o núcleo principal da agencia, o que esperar pro próximo livro podem se revelar eventos irreversíveis.

V de Vingança uma Análise de Idéias

Um dos personagem mais icônicos e um símbolo da cultura pop que por vezes assusta governos e empresas quando seu rosto é seguido da palavras "tango down". Como entender o fascínio provocado por esse enigmático personagem que superou as barreiras do tempo?



A historia, a obra de gráfica e o filme que é um estouro. A revista norte-americana Time questionou: “É possível para um grande estúdio de Hollywood fazer um filme de U$ 50 milhões no qual o herói é um terrorista? Um terrorista que aparece usando um colete de dinamite de um homem-bomba, que adota como lema, debaixo de uma máscara de madeira que ele nunca tira, que ‘explodir um prédio pode mudar o mundo’?”


O filme se baseia nos quadrinhos V de Vingança (V for Vendetta, no original) de Alan Moore e David Lloyd publicados em Agosto de 1988 (mês e ano em que eu nasci ^^). Baseado em sua insatisfação diante das adaptações de seus outros trabalhos, como Constantine, Liga Extraordinária e Do Inferno, Alan Moore reprovou a realização do filme antes mesmo das filmagens. David Lloyd, por sua vez, colaborou com a produção e deu declarações afirmando que o filme seria, obrigatoriamente, algo diferente da história em quadrinhos original ( e é, poderão ler alguns destaques que separei para comparação). Mas, mesmo com a reprovação de Moore e com alterações na história que serão sentidas por alguns fãs, o filme mantém o que há de essencial e subversivo dos quadrinhos (a Ideia).
Com um roteiro dos famosos irmãos Wachowski, da trilogia Matrix e Piratas do Caribe, e dirigido pelo iniciante James Mcteigue, (que também trabalhou em Matrix), V de Vingança é um blockbuster hollywoodiano que teve grandes plateias e um efeito intelectual muito bom. Quem interpreta V é Hugo Weaving, que atuou em Matrix, na pele do Agente Smith. O surpreendente é que a indústria do cinema não conseguiu impedir que o filme fosse uma ácida crítica a George Bush e Tony Blair, nem que tivesse como herói um mascarado explodindo prédios públicos, um herói que é um “vilão”.


O personagem principal, que quer ser chamado apenas pelo codinome V, não tira sua máscara nem para fritar um ovo! O filme se passa numa Inglaterra de 2020 (aproximadamente). Se a HQ dá a entender de que se instaurou uma ditadura empresarial-militar fascista decorrente de um golpe de estado (situação ainda muito presente no início dos anos 1980, década em que foi escrita), no filme, o grupo chega ao poder através de eleições, o que já demonstra a incorporação da democracia formal pela burguesia no século XXI. Que tem à frente um governo totalitário, eleito com o discurso de que a população deve abrir mão de seus direitos e liberdades para que o Estado a “proteja” da ameaça terrorista.
V planeja explodir o prédio do Parlamento no dia 5 de novembro. A data se refere à história de Guy Fawkes, um soldado inglês, católico, que, num ato contra o governo protestante da época, pretendia destruir o prédio do Parlamento britânico que ficou conhecido como a Conspiração da Pólvora. Ele foi preso em 5 de novembro de 1605 e enforcado alguns meses depois. A noite de 5 de novembro é lembrada até hoje na Inglaterra com fogos, fogueiras e com a queima de bonecos de Guy Fawkes, algo como a malhação de Judas (não importa a religião, a época ou o país, alguém sempre vai para na focar ou na fogueira rsrs).
Dos quadrinhos para as telonas
Os fãs dos quadrinhos notarão muitas diferenças entre a graphic novel e o filme. Tais diferenças, entretanto, não desagradaram a maioria, pois o resultado é um grande filme, que preserva o melhor da história e acrescenta aspectos importantes, inexistentes no papel. Além disso, a versão cinematográfica “corrigiu” alguns aspectos e salientou outros da trama (como deixar de lado as traições de uma das mulheres de um dos membros do partido).



A maioria das supressões são justificadas pelo tempo de duração da história, mais ainda assim é incrível que eles tinham conseguido resumir bem a historias de um herói em um único filme. Nos quadrinhos, a história é bastante complexa e dura vários anos, algo complicado de se transpor para o cinema. Isso foi determinante para o filme não poder mostrar a lenta transformação da personagem Evey dos quadrinhos, que no início era uma garota assustada de 16 anos que se prostituía e depois se torna a corajosa parceira de V. Nas telas, Evey (Natalie Portman, de Free Zone e Closer) já surge como uma mulher decidida e questionadora. É uma jovem bem instruída, amante das artes, porém assustada e temerosa. Seus pais foram executados pelas forças policiais por serem ativistas políticos que protestavam contra a ascensão do grupo fascista ao poder e ainda por cima, trabalha no canal BTN, a TV estatal rigidamente comandada pelo governo. Ela é salva por V após quase ser estuprada pelos Homens-Dedo (policiais). Seu personagem passa por uma verdadeira metamorfose no decorrer da película. Se no início do filme, mostrava-se servil e obediente ao sistema (apesar da plena consciência da tirania no poder) e às normas legais, depois passa a compreender os propósitos de V, forjando assim, não uma consciência de classe, mas uma consciência de luta contra a opressão da sociedade. Outro aspecto incorporado por Evey em decorrência de sua convivência com V é a ausência de uma identidade própria. Liberta de seus medos e fraquezas, Evey consegue sobreviver na Londres caótica sem se deixar reconhecer (e talvez sem reconhecer a mesma Evey).
O detetive Finch (Stephen Rea, de Entrevista Com o Vampiro) dos quadrinhos é muito mais perturbado, menos decidido, que seu correspondente na adaptação. O filme também não mostra que sua compreensão sobre V aparece durante uma visão que teve em Larkhill (um tipo de campo de concentração para onde eram levados os excluídos da nova sociedade, o que incluía minorias étnicas, sexuais, imigrantes e ativistas políticos), durante uma viagem com LSD. Outra diferença é que, nos quadrinhos, o personagem V é puro ódio contra aqueles que lhe torturaram, manipularam suas propriedades psíquicas e fisiológicas, e esse desejo de vingança, o combustível para suas ações “terroristas”, fazendo assim a sua justiça pessoal, já que a justiça legalmente constituída não pertenceria mais aos cidadãos, mas à classe dominante, ele faz discursos a favor da anarquia e da ausência de líderes como esse trecho em que ele se encontra com a estátua da justiça do Old Bailey.


“V - “Eu a admirava, apesar da distância (personificada pela estátua no alto do Old Bailey). Ainda criança, passando pela rua, eu admirava sua beleza”. Porém, naquele contexto a Justiça não passava de uma meretriz que flertava com os homens de uniforme. Quando “perguntado” pela estátua sobre quem tomou o seu lugar, ele responde que “seu nome é anarquia [...] com ela, aprendi que não há sentido na justiça sem liberdade” (p.43)

O que desaparece no filme, na telona, representa o fiel cumpridor de ordens do chanceler em assuntos investigativos da polícia. Também membro do Partido, ele acredita que sua missão em prol da sociedade é manter a ordem e a unidade através do trabalho na polícia. Honesto, ele leva seu trabalho a sério em seus princípios e quando as sucessivas revelações escusas sobre membros do Partido são trazidas à tona em suas investigações, começa a se questionar sobre quais interesses realmente representa.
Esteticamente o filme é grandioso. Aproveita o contraste de luz e sombra dos desenhos de Lloyd, que compunham um ambiente depressivo para a sociedade totalitária do futuro. O filme acrescenta a esse clima imagens mais impactantes. A escuridão é explorada em todo o seu mistério. E a máscara de V, diante das diferentes cenas e luminosidades, possui uma expressividade sem igual, a face de um “inimigo” sorridente.


Indivíduo e coletivo

V é um personagem singular, cativante, expressivo, criativo e teatral. Tais características são tão suas quanto seus planos de transformação social e sua participação nesse processo. Como os super-heróis da Marvel, ele usa máscaras e usa um codinome em sua missão de salvar o mundo. No entanto, há uma grande diferença entre V e Batman ou Super-homem, muito além do método de atentados.

Neste ponto o filme "supera" os quadrinhos. O V das grandes telas defende a necessidade (e não é somente um detalhe) da ação das massas nas transformações. V pretende explodir prédios, mas também incitar o povo a se rebelar contra o governo tirano. Segundo ele, explodir um prédio como o Parlamento é algo simbólico, mas um símbolo não vale nada se não tiver o povo na rua. Mesmo que sua principal tática seja essa, por diversas vezes V mostra que a ação isolada é insuficiente. Assim, o atentado proposto por V se diferencia, por exemplo, dos atentados do 11 de setembro de 2001. Mesmo acertando um importante símbolo do imperialismo, a morte de milhares de pessoas, entre elas muitos imigrantes, não levou a uma mobilização dos trabalhadores e deu mais fôlego a Bush e Blair.
E, apesar de todas as ações serem planejadas por V, não há um heroísmo messiânico. A princípio é uma luta individual, uma vingança com ações planejadas por ele, inclusive com um toque teatral. Entretanto, o individual se quebra, em primeiro lugar, pela máscara e pelo codinome, que escondem até o fim a identidade do personagem. Depois, essa individualidade se dissolve por completo na multiplicação das máscaras na multidão, expressa ainda melhor na fala de V, que, ao ser ameaçado com uma arma, afirma que “você pode matar um homem, mas não um ideal”. E a batalha deixa de ser uma atitude isolada, fruto de uma vingança pessoal, que dá nome ao filme.

Além da liberdade

Há lacunas, frestas. Os fãs mais puristas poderão reclamar das diferenças entre o filme e os quadrinhos. Outros poderão argumentar que os discursos de V mais próximos ao anarquismo foram suprimidos na versão cinematográfica. Uma cena de luta muito ‘matrix’ também era dispensável.

Os problemas da sociedade que são destacados no filme e combatidos pelo personagem principal se resumem à falta de liberdade numa sociedade autoritária. Nem o filme nem os quadrinhos questionam a desigualdade social, se há miséria, desemprego ou fome naquela realidade.
Entretanto, por mais divergências que se possa ter com os métodos da luta isolada ou da guerrilha, com o anarquismo ou a ausência dele, ou com o tom liberal do discurso, V de Vingança faz sua revolução nas telas. Não se muda o mundo explodindo um prédio, mas nenhuma lacuna prejudica a importância de este personagem mascarado estar em cinemas de todo o planeta com falas como “o povo deve temer seu governo. O governo é que deve temer seu povo”.
Comparações HQ e Cenima
O enredo mostra a ascensão, o auge e a queda de um regime totalitário futurista firmado na Inglaterra.
  • Nas histórias em quadrinhos, o nome do ditador deste regime é "Adam James Susan". Na versão cinematográfica ele foi renomeado para "Adam Sutler", que em muito se parece com o de Adolf Hitler;
  • No enredo, a bandeira do partido que sustentava o regime totalitário possuía um símbolo com formas geométricas e ângulos retos, tal qual a suástica nazista. Além disto, a bandeira era de cores preta e vermelha, uma inversão das cores utilizadas pelo Partido Nacional Socialista Alemão (Partido Nazista);
  • A história do ditador Sutler é quase igual a de Adolf Hitler, em especial no que tange a sua ascensão junto ao partido e ao governo;
  • Após o Tratado de Versalhes, o regime nazista atribuía a culpa dos problemas da Alemanha aos judeus. Além dos judeus, iniciaram perseguição aos negros, aos ciganos, aos homossexuais e aos deficientes físicos. O regime fictício do enredo atribuía a culpa pelo atentado ocorrido no metrô e na escola aos muçulmanos. Posteriormente, fomentou também a perseguição contra homossexuais.
  • No enredo, o regime de Sutler cria campos de concentração tais quais os da Alemanha nazista;
  • Existe no enredo uma polícia secreta, chamada em português de Dedos (inglês: fingers). No regime nazista havia também uma polícia secreta, a Gestapo;
  • Há uma forte crítica ao clero no enredo, mostrando escândalos de pedofiliaassassinatos, e busca pelo poder. Além do mais, no enredo, há um acobertamento por parte do clero (provavelmente anglicano) às experiências feitas em seres humanos.
  • A fala acentuada de V no filme, provém muito possivelmente do personagem Edmond Dantes, interpretado por Robert Donat, no filme Conde de Monte Cristo, o mesmo que o V assiste.

Saiba mais se quiser:

Para os fãs:

Os HQs escaneados de V de Vingança estão disponíveis em PDF download no 4Shared.
#1  http://www.4shared.com/get/anA8CC8g/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html
#2  http://www.4shared.com/get/08lY445n/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html
#3  http://www.4shared.com/get/l91Yyh61/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html
#4  http://www.4shared.com/get/MC-GGL1x/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html
#5  http://www.4shared.com/get/DeduQAsQ/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html

Resenha - Branco Letal, Robert Galbraith

Esse foi o primeiro livro que conclui neste ano de 2022, e devo dizer com muito prazer e segurança que já posso elencar como uma das melhores leitura deste ano. Lançado em Maio de 2019 pela Rocco, o quarto romance d'As aventura de Cormoran Strike coroa Robert Galbraith (pseudônimo de J. K. Rowling) como um dos nomes chaves do suspense e do romance policial nesta década. 



Atenção, este post contém spoilers. Se você ainda não leu e pretender ler Branco Letal, pare aqui!

Você foi avisado, siga por sua conta e risco.


Um começo singular

Após dois casos envolvendo celebridades e um terceiro que culminou por prender um estripador que aterrorizava as terras da Rainha, Cormoran está gozando de uma onda de fama que melhorou as contas da sua agência de detetive particular. Robin, sua sócia e "amiga querida" ainda sofre pelos traumas deixados pelos desfechos do livro anterior. Seria só mais um dia comum no escritório se não fosse pela chegada abrupta de Bill, um transeunte visivelmente alterado com problemas de higiene pessoal e alimentação. O malabarismo retórico de Comorarn para acalmar o visitante era igualmente destruído pelas interrupções da nova (e incompetente) secretária. Tudo começa com o "suposto assassinato de uma menina (ou menino), esganada e enterrada envolta em um lençol cor de rosa.". Foi o melhor "ponto de ignição" da serie de casos de Strike, misterioso, bem humorado, perplexo e banal.

Um Cliente Ilustre e uma Teia de Problemas

É visível e inegável que o(a) escritor(a) conseguiu amadurecer ainda mais os personagens e a qualidade das tramas que os envolvem. Comoran se vê contrato pelo Ministro da Cultura para tratar de um caso de chantagem que coincidentemente está ligado ao seu visitante alucinado, Bill. Mostrando que os perigos estão em todos os lugares e que o mundo da política é um ninho de víboras ao passo que as entranhas da alta sociedade londrina não é menos que um vespeiro só esperando uma provocação, JK introduz o leitor em um cenário conflitante de interesses que vão desde causas de moradores comunitários até chantagem milionárias e casos de traição. Robin, neste romance demonstra o quanto a jovem substituta temporária conseguiu evoluir como profissional de investigação. Usando toda uma atmosfera sufocante dos bastidores políticos de uma Londres que abraçava a realização do Jogos Olímpicos (2012), o leitor brasileiro não pode deixar de imaginar que o mesmo cenário é muito plausível nos eventos ocorridos no Brasil, nas catacumbas dos jogos políticos que vão de Brasília até as areias de Copacabana.

Cormoran e Robin vão logrando êxito em seu serviço ao Ministro da Cultura, até que no dia em que esperavam pela finalização do contrato com um cheque pomposo eles são presenteados com um  encontro com o seu contratante morto em casa, de pijamas num sofá com um tubo de gás na boca e um saco plástico envolta da cabeça. Daí em diante a mente que produziu o livro lança o leitor em uma paçoca de suspeitos, motivos e interesses que deixa o leitor zonzo pelas revelação que vão surgindo e as reviravolta a cada virada de página. O Branco Letal, sim, é viciante, do tipo que faz você ler por horas a fio.



Quem acompanhou as aventuras anteriores de Comoran e Robin, pode ver que nesta aventura não existe o óbvio, o suspeito clichê, a solução vaga que liga os pontos ou um deus ex machina para cobrir as pontas soltas da trama. O Branco Letal foi bem desenvolvido e bem coeso. A evolução dos protagonistas e o enfoque maior na vida pessoal de cada um, possibilita que o leitor entenda as suas atitudes e motivações. Já o plot da vida pessoal do Comoran Strike foi interessante, um dos pontos altos na minha opinião. As interações dele com a ex Charlotte após o "sumiço" da personagem no segundo livro, deixaram muito claro como ele ainda é muito afetado pelo relacionamento tóxico e obsessivo que ela proporcionou ao ponto de deixar sequelas em um ex-militar treinado na SIB de se envolver amorosamente com qualquer mulher de forma mais longa ou que não seja apenas sexo sem envolvimento emocional.


Em suma, recomendo o Branco Letal para quem está procurando um bom livro para se perder por horas. E digo mais, digo que é o melhor da série até agora. Vi que o próximo livro já foi lançado e pretendo começar a lê-lo em breve, esperando que seja tão bom quanto, se não melhor. E assim que possível, adicionar mais um livro para minha estante e mais uma resenha aqui.

Resenha - Origem, Dan Brown

Após um bloqueio literário de quase dois anos, finalmente voltei ao ritmo das leituras (ufa!), revigorado após esse período pandêmico, ainda que parafraseando antigos médicos medievais "a peste ainda está entre nós", agora com três doses da vacina, estou mais otimista para este ano. O maquinário voltou a brilhar para o exercício da leitura, tanto a leitura laborática quanto a leitura hedonista. E aqui vai a primeira resenha de 2022.

Essa resenha contém spoilers, fique avisado, se ainda não leu Origem e pretende ler, pare aqui!

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Começando pela capa, pois merece uma certa atenção. Inteligente, sutil e despretensioso spolier que os editores colocaram ali. Pois quem lê a sinopse encontra Gaudí antes mesmo de abrir o livro.


Agora vamos ao que importa: De onde Viemos? Para onde Vamos? Duas das três perguntas primordiais da humanidade (a saber, a terceira é "O que Somo?") são o ponto de partida desta trama. O Prólogo posiciona o leitor como um juiz convidado a questionar alguns dogmas que balizaram a condução da sociedade humana, deixando claro que mais uma vez o autor coloca num ringue intangível duas velhas amigas: Ciência e Religião. O primeiro "soco" é deferido por Kirsch direto na cara do Fórum das Religiões. Confrontado reflexões filosóficas, alvejando as respostas dadas pela Religião em conflito com as dadas pela Ciência.

Dan Brown inovou a receita do bolo mais uma vez, sem ariscar perder o sabor. Onde antes o leitor passeava por pinturas e desenhos (Anjo & Demônios, O Código Da Vinci, O Símbolo Perdido), depois saltando para os poemas épicos e criptas medievais (Inferno) chegando agora ao ápice artístico e abraçando a arquitetura espanhola em ballet com o modernismo das grandes galerias de arte conceitual.


Robert Langdon se vê mais uma vez jogado para resolver um assassinato, desta vez o morto é o seu aluno mais promissor, um apaixonado admirador de Antoni Gaudí, famoso arquiteto Catalão. Fazendo com que nosso querido simbologista dê uma aula extraordinária sobre a vida e obra nos principais pontos turísticos da Espanha. Acompanhando por uma jovem curadora de arte envolvida em um casamento que representa o choque entre o mundo tradicional e conservador espanhol e o choque da juventude e suas tendências liberais.

O ultramoderno do Museu Guggenheim de Bilbao é o palco das primeiras encenações, no desenrolar da trama são sutilmente cuspidas com muita habilidade pelo autor através de Wilson, a I.A. (Inteligência Artificial) desenvolvida por Kirsch que acompanha Langdom e Amber (a jovem curadora prometida ao príncipe da Espanha). Passeando por praticamente toda a obra de Gaudí o autor mais uma vez presenteia o seu leitor com descrições tão detalhadas que com facilidade transporta a nossa mente para os cenários mais deslumbrantes, e devo dizer: Obrigado Dan!

Os personagens nesta trama aparecem ainda mais maduros, não se referindo a idade, mas a sua construção e concepção, o que leva a crer que o autor levou mais tempo e pode se dedicar mais a esse trabalho do que nos dois primeiros livros da série de aventuras de Langdon.

O desfecho da aventura é tão surpreendente que sem dúvida pode ser descrito como o ponto mais genial e ousado de toda a produção do autor. Carregado de reflexões e implicações de sua plausível concretude em um futuro nada distante. De fato, ao mesmo tempo também pode ser visto como uma crítica e alerta do autor para o desenvolvimento de I.A.s como também alertava Stiphen Hawkins, pode ser visto como uma conclusão perfeita para uma trama que não tem vilões (Ei, eu disse que tinha spoiler aqui).

Interpretado por Tom Hanks, Robert Langdon é um personagem fictício, professor de iconografia religiosa e simbologia da Universidade Harvard.

Já postei aqui no meu blog uma discussão sobre I.A. e Filosofia, sobre as possibilidades e implicações sociais, jurídicas e existenciais de tal fenômeno. Apesar das pitadas de pistas e respostas do autor, eu penso que poderia ter tido uma discussão mais aprofundada a respeito disso ao invés de enveredar pela velha saída clichê da utopia tecnológica dando uma resposta muito "rápida", ainda assim muito coesa.

Resumindo essa obra em três palavras (eu sei, é um audácia minha), Origem é: Cultural, Instigante e Pretencioso.

Minha nova ordem de favoritismos das aventuras de Robert Langdon agora é:

1. Inferno. 2. Origem. 3. Anjos e Demônios. 4. O Símbolo Perdido. 5 O Código Da Vinci.

Resenhas - Curtindo a Vida Adoidado, Tood Strasser

Um marco do cinema adolescente da década de 80 em uma versão primorosa para as sua estante.


Quem nunca assistiu à esse grande clássico tão reprisado na Sessão da Tarde? Quem não se levantou e requebrou sem jeito ao som da música Twist and Shout dos Beatles? Quem não queria ser Ferris Bueller?

Para comemorar os 30 anos de estréia de Ferris Bueller's Day Off (estranhamente traduzido no Brasil como Curtindo a Vida Adoidado) dirigido por John Hughes, considerado "o mestre dos filmes adolescentes dos anos 1980 a editora Gutenberg trouxe para nós a versão literária de um dos filmes mais recomendados para assistir. Confiram essa resenha fresquinha e tente não se identificar com as loucuras dessa história.

Começamos com um dia de céu azul

Acordando ao som da gritaria dos irmãos sem animo para mais uma aula chata de história, Ferris fica tentado após ouvir a previsão do tempo pelo rádio, descrevendo "céu claro com poucas nuvens e tempo perfeito". Ferris decide então que seria um crime não aproveitar um dia de primavera como esse e antes de levantar da cama bola uma grande plano para matar aula e ainda aproveitar esse dia junto dos amigos. Usando artimanhas para fingir-se de doente para que os pais o deixem ficar em casa (quem nunca fez isso?). Conseguindo enganar os pais, Ferris resolve ligar para seu melhor amigo, Cameron - este de fato doente - para que juntos possam aproveitar aquela manhã como nunca, e após conseguir tirar o amigo de casa, Ferris bola um plano para conseguir tirar sua namorada, Sloane, da escola. Após conseguir enganar o diretor com um plano pra lá de ousado (pra não dizer  absurdo), Ferris, Cameron e Sloane conseguem o tão precioso "dia de folga", onde pretendem aproveitar ao máximo cada segundo. Pois a vida é para ser vivida e segundo Ferris Bueller...

"[...] A vida passa rápido demais. E se você não parar de vez em quando para vivê-la, vai acabar perdendo o seu tempo." (Todd Strasser, p. 157)

Até aqui você pode achar que "Ah, o livro é só uma forma de alguns ganharem dinheiro, melhor assistir o filme, é a mesma coisa." Se você pensa isso está mesmo redondamente enganado, pois não somente o livro lançado pela Gutenberg é um versão do filme, como também é um estouro que escancara todo o universo de Ferris, trazendo muitos planos mirabolantes, loucos, absurdos e geniais. O livro tem as extras e as cenas cortadas muito bem encaixadas nas tramas e muitas informações adicionais como Ferris Bueller ser o irmão do meio numa família de 4 filhos! (sim, no livro ele tem 3 irmãos, e não apenas 1 irmã, como no filme), terem uma montanha de encrencas pelo caminhos que fazem o caso da Ferrari 1961 GT California parecer um grão de areia na montanha.

"Ferris percebeu que ele e Cameron basicamente tinham a mesma filosofia de vida. A diferença era que, em vez de tentar provar sua ideia por meio de equações matemáticas, Ferris simplesmente vivia. Se ele visse uma oportunidade, não deixava passar. Se ele queria se divertir, ele ia se divertir. Estatística e morte inevitável não tinham nada a ver com aquilo." (Todd Strasser, p.87)

Tanto para os fãs do celebre filme quanto para os ainda não apresentados este livro é tiro certo de hora de risos, apreensão e lembranças de bons momentos da vida. Li e recomendo o Curtindo a Vida Adoidado de Tood Strasser lançado pela Editora Gutenberg. Ah! Aliás, uma nota aos leitores: Todd Strasser é um prolífico escritor estadunidense, autor de mais de 130 romances para jovens e adolescentes e romantização de filmes, muitos deles escritos sob pseudônimos como Sanchest e T.S. Rue.

Ficha Técnica

Título: Curtindo a Vida Adoidado
Título Original: Ferris Bueller’s Day Off
Autor: Todd Strasser
Tradução: Marcelo Salles
Editora: Gutemberg
Páginas: 160
Gênero: Comédia
ISBN: 978-85-8235-379-0

Por fim: Salve Ferris!!!

Resenha - Três Vezes Você, Federico Moccia

Seis anos depois, a vida dos nossos protagonistas mudaram. Conseguiram ser feliz, mas quando menos se espera, seus caminhos se cruzam novamente... Depois do sucesso de Três Metros Acima Do Céu vem o resultado esperado da história de amor do Passo, Babi e Gin. O que esperar de Tres Veces Tú?


A história é um romance erótico que parece estranho brinquedo de parque de diversões, uma mistura de carrossel, gangorra e montanha russa onde chorar e rir se tornam rotineiros, mas consegue embalar o leitor na trama. Moccia, fezum ótimo trabalho para dar as prateleira algo triste mas igualmente maravilhoso.

O livro começa com uma inspiração: "O amor é quando a felicidade de outra pessoa é mais importante do que a sua." Uma frase muito significativa para o que este livro quer transmitir.

Após seis anos, um longo tempo para os personagens, e era grande o medo de encontrar algo que não fosse mais reconhecido, ou traços que seriam distorcidos pelo tempo deixando nossos personagens irreconhecíveis. Mas, quando se percorrer as páginas de Três Vezes Você é fácil percebe que pouco ou nada mudou, que apenas uma palavra ou um gesto você sabe Step, Gim e Babi simplesmente envelheceram, mas os sentimentos e o famoso E se? ainda presente em todo o livro.

É um livro cheio de flashbacks, com abundância de surpresas realmente inesperadas, que deixam você com a sua boca aberta e dá merecidos pontos ao autor. Nesse novo romance o leitor olha para o passado e não o presente, porque para saber o que realmente aconteceu é preciso observar cuidadosamente algo que queremos para deixar para trás. Federico Moccia se esforçou para não deixar pontas soltas e se desprender de seu personagens, pois desta vez ficaram mais realistas e convincentes que nos livros anteriores.  Mas nem tudo são rosas...

O ritmo às vezes é lento, o que me pareceu intencional do autor para ganhar tempo e mostrar que seus personagens amadureceram desde o ultimo romance. Talvez o personagem que eu mais gostava e que de fato no livro anterior era a única peça que mais fazia sentido era Gin. Eu acho que como seu nome completo indica: valentia, lealdade, determinação e teimosia,  acredito que mas acima de tudo faz uma oposição as boneca de pano com forte carência sexual, como vemos hoje no cinema. Olhando bem, é uma mulher incrível. Por outro lado Babi é o que sempre foi: loucura. Houve amadurecimento, mas a sua forma ainda tem uma maneira de estar sem rumo, ele faz o que faz por amor, embora no primeiro momento, ninguém possa ser culpado por não o entender muito bem.

Como não tenho a intenção de estragar a surpresa de ninguém, posso dizer que apesar de esse não ser meu tipo de literatura, o livro tem um final que não peca nem deixa devendo para quem percorre as mais de 700 páginas de bati e volta, beijo e tapa, tira e veste.

Você já leu algum livro de Federico Moccia? O que espera desse novo romance? Deixe seu comentário.

Resenha - Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

O que temos na mais recente aventura do bruxo mais famoso dos últimos tempos?


Após muita especulação e expectativas de fãs e críticos eis que saiu mais uma aventura da saga Harry Potter, desta vez J. K. Rowling contou com uma colaboração de John Tiffany e Jack Thorne. Com uma sinopses auspiciosa:

Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.

Aguardei a publicação do livro em terras tupiniquins para conferir melhor (já que a versão em inglês me pareceu confusa em uns 20% da obra). Recebi um exemplar da editora como brinde de após por a leitura em dia resolvi ver como ficou a obra em português com tradução autorizada.

Sim, depois de quase 10 anos, desde o lançamento de Harry Potter e as Relíquias da Morte, sétimo livro da saga, da tão conhecida J.K. Rowling. Desta vez não em uma obra própria, mas em um livro baseado no roteiro de uma peça de teatro, escrita por Jack Thorne e que será dirigida por John Tiffany. O livro recebeu críticas merecidas por parte da impressa por começarem a ver o personagem como o eterno órfão que Rowling não consegue deixar para traz, abandonando personagens menos explorados como Snape,  Dumbledore, os Bruxos Fundadores ou os Marotos, ou mesmo Cormoran Strike (personagem principal de um série assinada pela autora com pseudônimo).

Em A Criança Amaldiçoada a estética narrativa é completamente diferente de toda a saga Harry Potter, desde seu formato, até o seu enredo. A escrita é bem diferente do habitual, por se tratar de um roteiro de teatro o livro é praticamente 99% fala, até os capítulos são divididos em números de cenas e até mesmo em atos, o que deixa a leitura bem fluida e faz o livro ser mais rápido que os anteriores. O livro também respeita bem as regras do Mundo Mágico criado nos livros anteriores. Desta vez Harry sai de cena como protagonista, tem seus momentos no livro, mas o personagem principal passa a ser seu filho, Alvo, que ao ingressar em Hogwarts passa a ter problemas com tudo que envolve seu pai e o peso de ser um Potter (até aqui bem familiar não é mesmo?). As expectativas e o preconceito de alguns começam a atrapalhar o garoto de várias formas, inclusive em fazer amizades. E é em cima deste contexto que a trama se desenrola, envolvendo magia, viagem no tempo, uma pitada de romance, traição e uma dose cavalar de conflitos familiares.

Quando se chega mais ou menos na metade do livro a história começa a perder o "encanto". Pois não precisa ser muito crítico ou bom observador para perceber que alguns personagens não fazem a menor diferença na treta e obviamente estão ali só para agradar os fãs (como é o caso do Rony, infelizmente). As motivações do revoltado Albus não são tão convincentes, e alguns bons personagens parece um tanto vazios, mas isso não faz do livro um lixo, o livro é interessante, principalmente por apresentar uma nova perspectiva sobre os Malfoy por exemplo. Que poderiam ter sido melhor explorados nos livros anteriores.

Opinião pessoal

Se você está esperando outra fantástica aventura com investigações sutis, muitas reviravoltas e grandes revelações como nos livros anteriores, abaixe a varinha! Como já comentei, o novo livro é baseado na peça, portanto a linguagem é bem diferente, assim como os personagens não são trabalhados com tanta originalidade. Para os fãs é um livro que certamente merece sua leitura, pois Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é respeitosamente um passatempo nostálgico.

Resenha - Vocação Para o Mal, Robert Galbraith

Strike volta em mais uma aventura, ainda mais empolgante e inesperada em seu terceiro livro.


Vocação Para o Mal (Career Of Evil) é o terceiro livro da série Cormoran Strike, uma obra de J. K. Rowling sob pseudônimo de Robert Galbraith. O livro chega com as prateleiras pela editora Rocco após alguns meses de atraso. E li aversão em inglês ano passado, optei por não postar uma resenha na época do lançamento no Reino Unido, as vamos ao que interessa, o que esse livro nos apresenta de diferente.

Primeiramente avido que pode ler sem medo que está resenha NÃO CONTEM SPOILER. E, caso queira conferir a resenhas dos primeiro e segundo volume antes te continuar a leitura é só clicar nos links abaixo.

Confira a resenha do primeiro volume, O Chamado do Cuco, aqui.
Confira a resenha do segundo volume, O Bicho-da-Seda, aqui.

Agora é pra valer!


Em Vocação Para o Mal teremos um caso mais empolgante, surpreendente e o mais sinistro (até agora) desafiando o detetive Cormoran Strike e pondo a prova sua bela assistente, Robin Ellacot.

A entrega de um estranho pacote no escritório do detetive mal-humorado é o ponto de partida desta aventura quando seu macabro conteúdo é revelado. O hediondo presente é um convite as habilidades dos nossos destemidos personagens. Seguindo a prática de um profissional do ramo investigativo, Strike rapidamente elabora uma lista de possíveis suspeitos, homens temíveis que passaram pela sua vida e que tem bons motivos para odiar nosso perneta favorito. Contando com uma pequena colaboração da Scotland Yard (a famosa policia britânica) e uma ajudinha dos marginas do submundo que servem como olhos e ouvidos (nem sempre confiáveis) na marginalidade londrina.

A narrativa continua frenética e recheada de sentimentos sem apelas para personagens melosos e caricaturados, neste terceiro volume é impossível não reconhecer o amadurecimento da escrita em relação as duas primeiras aventuras. Os personagens estão bem mais construídos, sólidos e realistas, o que vem se provando um dos diferencias do(a) escritor(a). O cenário é bem descristo dando aos leitores uma clara imagem dos ambientes e posicionando-os exatamente aonde quer para criar um clima de expectativa e ansiedade a cada virada de pagina. E o mais inovador desta nova aventura, a mente do inimigo.

Ao contrário dos dois primeiros volumes onde o leitor realmente não sabe nadica de coisa nenhum dos criminosos, nesse o vilão é apresentado de maneira sutil e ao mesmo tempo tenebrosa através de capítulos narrados a partir do ponto de vista de uma mente psicopata e desequilibrada que em alguns momentos provoca até estranheza aos leitores, mas seve de lupa para perceber os aspectos e comportamentos de um indivíduo doente e perigoso que demostra estranho interesse pela A Secretária.


Essa narrativa a parti do ponto de vista do assassino foi o ponto de evolução da escrita de Galbraith que mais me surpreendeu e agradou. além de deixar sutis pistas de quem é o verdadeiro culpado e deixar o leitor tonto em teorias e suspeitas. Some esse novo toque ao taleto que o autor já provou ter para criar cenas de horror sem parecer visceral e a maneira como através da descrição posiciona a mente do leitor suavemente no cenário e você tem um romance policial digno de horas de leitura a fio.

Os personagens desta aventura foram bem explorados em seus, pensamentos, sentimentos, ações e sutilezas. Outro grande diferencial em relação aos livros anteriores é a avalanche de informações a respeito do passado dos personagens, sobretudo os protagonistas e em especial Strike, que nos dois primeiros livro pouco se sabe de seu passado além de alguns detalhes de sua família e carreira. Em Vocação Para o Mal o passado do detetive parece se desenterrar para assombrá-lo.

Nossa querida Ellacot também ganhou mais atividade e espaço na narrativa, na certa devido o importante papel que desempenhou na ultima aventura (para mais detalhes leia O Bicho-da-Seda). Aqui podemos ver o sorriso de Rowling transparecendo no tratamento que ela dá à sua personagem, criando uma Robin mais ousada e corajosa, uma mulher jovem, bela, inteligente e ao mesmo tempo sensível aos problemas de sua vida profissional e sua vida pessoal com Matthew com as obrigações de uma noiva britânica (que servem até como uma crítica as peculiaridades do machismo inglês).

O mais tenebroso em Vocação Para o Mal é que o assassino demostra aspectos de acrotomofilia (do grego Akron [extremidade], tomein [de redução] e philein [de amor]) que refere-se ao interesse sexual em amputados. A excitação vem justamente da ausência daquela parte do corpo (acho que você acabou de fazer uma careta né?). O livro explora também o "mundo" de pessoas com desejo de autoflagelação ou mutilação de forma mais psicológica e comum sem parecer um texto grotesco.

Opinião Final


Sem dúvida a narrativa e trama melhorou muito desde O Chamado do Cuco, livro que parecia lento demais para um romance policial, mas que tinha um charme pessoal muito sedutor. D'O Bicho-da-Seda com seu labirinto conspiratório envolvente e enganador, mas com uma narrativa mais frenética e acelerada. Vocação Para o Mal é a síntese perfeita dos dois primeiros livros, como muitos acertos na tramas. É uma aventura densa e sombria que mergulha profundamente na vida de seus personagens fazendo até mesmo quem não conhece Cormoran e Robin se apaixonar aos primeiros capítulos. Esse livro é super indicado não apenas para os fãs de Galbraith (ou J. K. Rowling) mas também para todo bom leitor de suspense e aventura. Li e recomendo à todos, não vão se arrepender!


Olá, você já leu esse livro? Gostou na resenha? Deixe sua opinião, crítica ou sugestão nos comentários.

Resenha - Guerra Civil versão livro

O que se pode esperar quando uma das mais lendárias tramas das HQs se transforma num luxuoso livro?

Nesse estamos vendo a época dos Supers no cinema, esse ano teremos muita coisa boa na telona. E aproveitando o tempo de super produções vim falar do livro Guerra Civil, adaptação da HQ original criada por Mark Millar e Steve McNiver, da Marvel, relançada ano passado pela editora Novo Século em uma edição especial com arte nova. (Obrigado pela consideração pessoal da NS).

Achei muito melhor essa capa, pois a anterior colocava o Iron Man com um rosto maligno
em oposição à um Capitão America olhada patrioticamente pro nada. (Sim, sou IronTeam)

Como leitor viciado e sem jeito, não poderia deixar de ler também mangás e HQs, porque este é um gênero literário cujo estilo de narrativa trabalha os eventos juntos com os leitor. Aos contrário do que muitos ainda costumam pensar, a leitura de quadrinhos é extremamente prazerosa e estimulante e assim como livros, os quadrinhos também estão servidos de histórias maduras, românticas, eróticas e fantásticas.

Pois bem, peguei o livro e comecei a ler, vi que, contrariando minhas expectativas, não se tratava de alguma edição “volume único” das HQs originais, mas sim, de fato concreto e consumado, de uma adaptação da história original para o universo dos livros. Gente, precisei comprar, sério! Depois de ler o prólogo, a necessidade de acompanhar o desenrolar da história se avolumou dentro de mim e a única coisa que fiz foi afundar ainda mais um pouco o limite do cartão de crédito (já estourado) no caixa.

Mas, vamos aos fatos. Este ano sairá nos cinemas a adaptação cinematográfica de Guerra Civil e, não por acaso, acho que as editoras tem se aproveitado desse up das histórias de super-heróis para lançarem novas sagas ou mesmo dar uma repaginada nas antigas. Foi o caso do livro Guerra Civil. Nessa história, nós temos o time dos Vingadores, colapsado após uma série de eventos que colocaram em xeque a legitimidade do trabalho dos super-heróis. De um lado, temos um grupo que inicia uma perseguição massiva contra os heróis, exigindo seu registro, controle de ações e sujeição a um novo sistema penal projetado para eles. Do outro, temos um grupo que entende tudo isso como uma quebra do direito constitucional à liberdade e que vai lutar até o fim para manter a segurança e liberdade dos super-heróis.

Um incrível trabalho editorial, perfeita apitação do mundo de quadro paredes!

A história não é a mais interessante de todas, pelo menos não no meu ponto de vista. O que me chamou mais a atenção no livro foi o desenrolar das tramas secundárias – estas sim conseguiram atrair muito mais a minha atenção.

Tal qual os trailers do filme Capitão América: Guerra Civil sugerem, nós teremos um embate constante e acalorado entre Capitão América e Homem de Ferro e seus respectivos seguidores. Acho que não será um spoiler gigante demais se eu disser qual o lado de cada um, né?

Então, o Homem de Ferro, como bom empresário que é, vai ser o cabeça por trás da campanha de registro de indivíduos super-humanos enquanto que o Capitão América vai ser o carinha que vai puxar o bonde pró-liberdade. Bom, não vou dizer qual lado vence até porque, tem algum lado vencedor nessa história?

A verdade é que, como disse, a questão da batalha em torno do registro de super-humanos acaba ficando um pouco ofuscada pelas tramas secundárias que surgem ao longo do que seria a guerra civil propriamente dita. E, pelo menos no livro, essas histórias são muitas. Nós temos o Quarteto Fantástico colapsando até sua divisão quase definitiva, temos os X-men (como sempre) fazendo a linha pacifista e fugindo do tiroteio, o Doutor Estranho mostrando a futilidade e a insignificância desta disputa de maneira serena e fodástica, e temos também o Homem-Aranha que, por deus, foi o que teve o plot twist mais interessante que já vi na vida. E até mesmo a disputa entre Steve Rogers e Tony Stark acaba fugindo do tema principal e se pretendo a uma trama paralela bem mais interessante.

Porém, eu ousaria dizer que Guerra Civil implodiu o universo Marvel (pelo menos o livro, já que estou esperando a chegada HQ pelos correios ainda ¬¬'). E não saberia dizer se essa implosão foi bem-vinda. O desenrolar da história do Homem-Aranha, por exemplo, toma proporções e um desfecho deixando o leitor atônito como a colisão de alguns heróis.

Quanto ao livro, essa adaptação foi escrita por Stuart Moore e, tenho que dizer, foi muito bem escrita, realmente. Em todas as páginas do livro é possível ter uma imersão muito bacana na história, o que faz com que a gente se sinta dentro da narrativa. Soma-se a isso o fato de, em quase todos os momentos, você conhecer as personagens, o que faz com que a aproximação com a história seja ainda maior.
Foi exatamente assim que imaginei quando li a descrição da porrada no America. ^^

A riqueza dos detalhes, dos diálogos e das descrições é algo que realmente chama a atenção. Stuart Moore foi realmente cuidadoso com a ambientação das batalhas, dos quartéis-generais, com a construção dos diálogos e isso tornou a leitura do livro algo muito dinâmico e fluído. Você só se dá conta do tempo que passou depois que percebe que o livro está chegando ao fim. E ainda tem as capas, que são uma obra de arte à parte, além das páginas que antecedem cada capítulo. O livro é muito bonito, realmente.

Eu realmente me emocionei, gritei, estarreci e ri em vários momentos de Guerra Civil. Irei tratar de conferir o filme que está em cartaz nos cinemas sabendo que apesar dos efeitos especiais não posso esperar encontrar um embate colossal como nesta versão literária. Esperemos para ver. Mas, quanto ao livro, ainda que os desdobramentos sejam até chocantes para alguns fãs, a leitura vale realmente muito a pena, li e recomendo.

Resenha - Sétimo, André Vianco

Tem gente que ainda não acredita em vampiros. O espetáculo mais bizarro da Terra não pode parar.

Ô menino lindo rsrsrs filho de cruz-credo.

Após três agoniantes meses sem ler nada que realmente me prendesse a leitura, resolvi recorrer ao meu acervo de emergência, títulos que reservo para esses tempos em que o mercado literário parece estagnado em livros de um único gênero (hot, hot, more hot hotter) ou quando não aparece nada de novo pra ler. 

Ai que saudades do atirador de tijolos

A segunda parte da historia começada no livro Os Sete. acontece horas depois do desfecho do livro anterior. O que é algo que me deixou apreensivo no começo, pois temia que o autor pudesse falhar em manter a sensação de euforia, temor e comicidade da obra anterior com uma continuação tao recente. Mas, André Vianco não apenas conseguiu manter o mesmo clímax como também se superou.

Sétimo é um romance vampiresco envolvente e enganador, capaz de prender o leitor por horas a fio em diálogos brasileiríssimos capaz de fazer os leitores se identificarem com seus personagens em questão de poucas palavras. O que torna o livro ainda mais autêntico e mostra uma valor por nossa gente. Nada contra um diálogo culto e conversações transbordando eloquência, mas ouvir as expressões da nossa linguagem no texto garantiu boas risadas o livro inteiro.

"-Uma 12 faz tanto estrago quanto um transa com duas minas duma vez."

Sem spoilers, uma breve e entusiasmada descrição do que esperar ao ler Sétimo.

Espere uma aventura pelas nossas metrópoles noite, dia e madrugada adentro com improváveis aliados, personagens fictícios tão vivos que parecem reais não apenas em suas ações mais em seus pensamentos. Eventos de deixar o leitor de cabelo em pé e de se rasgar de tanto rir num virar de página. A sensualidade e a provocação do mundo dos vampiros explorada com afinco sem floreis brilhantes e galanteios de "adolescentes" patéticos (toma essa Crepúsculo!). A forma como a trama se desenrola e insere novos personagens torna o livro leve e a leitura cativante e agradável ao longo das mais de 400 páginas de terror, aventura e perseguições sanguentas. 

A visão de Sétimo de sua existência é uma das melhores partes do livro, o personagem parece um tipo de filósofo do mundo sombrio, o significado de sua existência e de seus atos são os dos temas abordados discretamente pelo autor, assim como a questão de Deus e do Diabo, que tem seus "advogados" na trama é sem dúvida um dor pontos mais provocativos da história.

Considerações
Para encerrar dou ★★★★★ ao livro pela trama, desenvolvimento, personagens e originalidade do autor. Deixo como sugestão para todos os fãs de Crepúsculo, Diário de Vampiro e Academia Vampiros. E é claro, para aqueles em geral que estão sem um bom livro pra ler no momento.

Resenha - Grey, E. L. James

Há alguns dias foi lançado no mercado literário de língua inglesa, Grey, o mais novo livro de E. L. James. A obra é uma "versão" do primeiro livro, Cinquenta Tons de Cinza, que vendeu milhões de exemplares no mundo todo e chegou a virar filme ano passado. Mas e quanto a Grey, o que esperar deste livro?



Na sexta-feira passada (19), adquiri uma versão do livro em ebook (inglês) para ler no Kindle, terminei de ler ontem a tarde e aqui está a resenha (sem spoiler) e análise de Grey.

Dizer que o livro é redundante seria um tanto óbvio, mas a verdade é que o livro é super mega hiper repetitivo e decepcionante. Se se tratasse apenas de todas as falas do primeiro título estarem de volta eu entenderia, mas até os pensamentos de Christian Grey são idênticos aos de Anastasia, as vezes apenas mudando apenas a ordem das palavras e alguns sinônimos.

A Mente de Grey


Se alguém esperava algum tipo de pico sexual literário vai mesmo é broxar com os pensamentos e as poucas passagens que descrevem os sentimentos do personagem. Ao contrário do Christian que conquistou um status de ícones sexual na trilogia, o Christian de Grey é muito afeminado, quase fica subentendido que o personagem aprecia as práticas de dominação por não encontrar um parceiro e "castiga" mulheres para se sentir bem ou superior.

Em novo livro, Grey está inseguro se é heterossexual.


Outras opiniões

Procurei conversar com alguns brasileiros que moram em Londres e até com algumas americanas via Twitter, sobre o que acharam do novo livro. As opiniões quase que unanimamente convergiam para respostas como: "a James foi muito desleixada.", "a autora foi muito preguiçosa, nem teve o trabalho de tentar pensar como homem." ou "decepção total, o livro tá um lixo!".

Pesquisando no Twitter encontrei outras centenas de opiniões muito parecidas sobre o desapontamento dos leitores, sobretudo das leitoras, que esperavam algumas revelações fascinante ao invés de uma história vazia e sem novidades agradáveis.

Números


Apesar de o livro ser um convite a decepção e um verdadeiro assassinato da imagem dos personagens originais, está vendendo bem. Grey já bateu o número de 1 milhão de cópias vendidas em quatro dias no mundo inglês. Uma remessa de 2 milhões será dividida semana quem vem entre Estados Unidos e Reino Unido.

Opinião Pessoal


É de se esperar que o livro tenha uma venda mais do que razoável (para padrões mundiais). Contudo, muitas pessoas estão altamente desapontadas com o texto, a narrativa repetitiva e vaga que não prende a leitura. Chego a pensar que muitas pessoas estão comprando apenas por não terem o costume de conferir blogs e sites literários, pois esses estão deixando escancaradamente claro que Grey é um livro que não vale a pena, seria como comprar Harry Potter na visão de Rony Weasley, sem perigos, sem inteligência, sem atrativos, nada.

Por fim uma pergunta. Vale mesmo a pena pagar para ler um livro que você já leu, sabe o começo, o meio e o fim e que provavelmente você talvez até já o tenha?