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Resenha - Sangue Revolto, Robert Galbraith

As coisas nunca foram tão angustiantes e penosas para Cormoran Strike. Após o sucesso do seu ultimo caso, a fama não trouxe só prestigio, mas uma carga de trabalhos quase sufocantes para a Agência de Detetive Particular CS. Com ajuda da sua fiel Robin, Strike mergulha no mais intricado mistério de toda sua carreira, carregado de ocultismo, esoterismo e misticismo ele tentaram solucionar um desaparecimento ocorrido a mais de 40 anos!


Aviso: Esse poste contem alguns spoiler e detalhes que podem fazer com que você perca o interesse pelo "fim da surpresa". Você foi avisado, siga por sua conta e risco!

Foi um mês inteiro de leitura sisuda, dinâmica e imersiva. Ao longo de quase mil páginas (962 para ser exato) que devo dizer, nem vi passarem de tão boa a aventura. O quinto livro da série Cormoran Strike do Robert Galbraith (vulgo JK Rownling) mostra o quanto o intelecto por trás das linhas subiu o nível, não apenas os personagens, como os ambientes, seus sentimentos e a ambientes em que estão inseridos estão mais realistas, quase tangíveis! Nesse livro vamos acompanhar a investigação de um desaparecimento ocorrido em 1974, o sumiço da médica Margot Bamborough. A história é cheia de pistas, signos e muita loucura (muita lombra mesmo hahahahaa), mas mesmo assim instigante e faz com o que o leitor pense junto com o Strike, para descobrir o aconteceu com Margot. 

A aventura é revirada com capítulos longos e detalhes tão minuciosos que ao concluir o livro é difícil não se achar um tanto burro por "não perceber" as pistas. Com múltiplas camadas e subtramas, é o romance mais denso (e não estou falando de páginas) da série. Mostrando que os personagens tem que lidar com muita m&rd@ dentro e fora da vida profissional. A enxurradas de personagens e suspeitos afogam o leitor em teorias que chegam a dar dores de cabeça (sou suspeito de falar, mas é verdade).

Os desafios de solucionar um caso com quase meio século de diferença dos eventos principais e se valendo de anotações de dois detetives que passaram pelo caso, onde um botava baralho pra resolver o caso e o outro era inclinado a atender clamores testemunhais, Robin e Strike correm contra o prazo de 1 ano para solucionar o desaparecimento. O autor brindou (me refiro ao pseudônimo, não encrenquem) seus leitores com um trama mais visceral e carregada de sentimentos do que de costume. Aprendemos mais sobre Cormoran e Ellacot e quem sabe agora esse dois resolvam se arranjarem um com o outro.


Filmagens da série adaptada CS Strike

Fico feliz que ao contrario do que aconteceu em O Bicho da Seda, o autor não se resolveu mais com métodos fáceis de concluir sua trama, abandonado o deus ex machina e investindo em maior riqueza de detalhes para confundir o leitor e justificar a solução de seus mistérios. Apesar de ter gostado muito da leitura, não posso dizer que será meu favorito da série de agora em diante, ainda prefiro O Chamado do Cuco e Branco Letal como meus favoritos. Mas vale muito a pena se debruçar nessa aventura, principalmente se você não tiver provas da faculdade para se preparar.



Veredito!

Recomendo o Sangue Revolto para quem está de férias, procurando um bom livro para se perder por um mês inteiro. E já estou animado em saber que o sexto livro já está pronto e será lançado no dia 22 de Agosto (meu aniversário) hehe melhor que isso só ganhando o livro. Após os eventos pessoais ocorridos com o núcleo principal da agencia, o que esperar pro próximo livro podem se revelar eventos irreversíveis.

Resenha - Branco Letal, Robert Galbraith

Esse foi o primeiro livro que conclui neste ano de 2022, e devo dizer com muito prazer e segurança que já posso elencar como uma das melhores leitura deste ano. Lançado em Maio de 2019 pela Rocco, o quarto romance d'As aventura de Cormoran Strike coroa Robert Galbraith (pseudônimo de J. K. Rowling) como um dos nomes chaves do suspense e do romance policial nesta década. 



Atenção, este post contém spoilers. Se você ainda não leu e pretender ler Branco Letal, pare aqui!

Você foi avisado, siga por sua conta e risco.


Um começo singular

Após dois casos envolvendo celebridades e um terceiro que culminou por prender um estripador que aterrorizava as terras da Rainha, Cormoran está gozando de uma onda de fama que melhorou as contas da sua agência de detetive particular. Robin, sua sócia e "amiga querida" ainda sofre pelos traumas deixados pelos desfechos do livro anterior. Seria só mais um dia comum no escritório se não fosse pela chegada abrupta de Bill, um transeunte visivelmente alterado com problemas de higiene pessoal e alimentação. O malabarismo retórico de Comorarn para acalmar o visitante era igualmente destruído pelas interrupções da nova (e incompetente) secretária. Tudo começa com o "suposto assassinato de uma menina (ou menino), esganada e enterrada envolta em um lençol cor de rosa.". Foi o melhor "ponto de ignição" da serie de casos de Strike, misterioso, bem humorado, perplexo e banal.

Um Cliente Ilustre e uma Teia de Problemas

É visível e inegável que o(a) escritor(a) conseguiu amadurecer ainda mais os personagens e a qualidade das tramas que os envolvem. Comoran se vê contrato pelo Ministro da Cultura para tratar de um caso de chantagem que coincidentemente está ligado ao seu visitante alucinado, Bill. Mostrando que os perigos estão em todos os lugares e que o mundo da política é um ninho de víboras ao passo que as entranhas da alta sociedade londrina não é menos que um vespeiro só esperando uma provocação, JK introduz o leitor em um cenário conflitante de interesses que vão desde causas de moradores comunitários até chantagem milionárias e casos de traição. Robin, neste romance demonstra o quanto a jovem substituta temporária conseguiu evoluir como profissional de investigação. Usando toda uma atmosfera sufocante dos bastidores políticos de uma Londres que abraçava a realização do Jogos Olímpicos (2012), o leitor brasileiro não pode deixar de imaginar que o mesmo cenário é muito plausível nos eventos ocorridos no Brasil, nas catacumbas dos jogos políticos que vão de Brasília até as areias de Copacabana.

Cormoran e Robin vão logrando êxito em seu serviço ao Ministro da Cultura, até que no dia em que esperavam pela finalização do contrato com um cheque pomposo eles são presenteados com um  encontro com o seu contratante morto em casa, de pijamas num sofá com um tubo de gás na boca e um saco plástico envolta da cabeça. Daí em diante a mente que produziu o livro lança o leitor em uma paçoca de suspeitos, motivos e interesses que deixa o leitor zonzo pelas revelação que vão surgindo e as reviravolta a cada virada de página. O Branco Letal, sim, é viciante, do tipo que faz você ler por horas a fio.



Quem acompanhou as aventuras anteriores de Comoran e Robin, pode ver que nesta aventura não existe o óbvio, o suspeito clichê, a solução vaga que liga os pontos ou um deus ex machina para cobrir as pontas soltas da trama. O Branco Letal foi bem desenvolvido e bem coeso. A evolução dos protagonistas e o enfoque maior na vida pessoal de cada um, possibilita que o leitor entenda as suas atitudes e motivações. Já o plot da vida pessoal do Comoran Strike foi interessante, um dos pontos altos na minha opinião. As interações dele com a ex Charlotte após o "sumiço" da personagem no segundo livro, deixaram muito claro como ele ainda é muito afetado pelo relacionamento tóxico e obsessivo que ela proporcionou ao ponto de deixar sequelas em um ex-militar treinado na SIB de se envolver amorosamente com qualquer mulher de forma mais longa ou que não seja apenas sexo sem envolvimento emocional.


Em suma, recomendo o Branco Letal para quem está procurando um bom livro para se perder por horas. E digo mais, digo que é o melhor da série até agora. Vi que o próximo livro já foi lançado e pretendo começar a lê-lo em breve, esperando que seja tão bom quanto, se não melhor. E assim que possível, adicionar mais um livro para minha estante e mais uma resenha aqui.

Inferno, o filme (apagado)

Adaptação de obra homônima para o cinema é a mais fria adaptação de uma obra de Dan Brown.


Inferno, novo filme da franquia do simbologista Robert Langdon (Tom Hanks), chega aos cinemas deslocado. A adaptação do livro de mais de 400 páginas lançado em 2013 e que já vendeu 800 mil exemplares no Brasil chegou aos cinemas na última quinta (13) mais frio que defunto de afogado. Apesar de uma estréia que levou mais de 563 mil pessoas aos cinemas brasileiros em seu primeiro fim de semana, e ter desbancado "O lar das crianças peculiares" e assumido o primeiro lugar no ranking de bilheterias no país. É visto como decepcionante  por grande parte da crítica pelos fã do livro.

A adaptação nem de longe conseguir trazer os espectadores para os problemas passados no livro. E apesar de falar sobre isso inúmeras vezes, não há sensação de perigo nas ameaças, não há suspense nem uma perseguição alucinante e frenética por algo capaz de dizimar metade da população do planeta. Considerado como a mais sombrio e tenebrosa das obras de Dan Brown e uma das melhores performances do escritor, Inferno foi terrivelmente mutilado na versão cinematográfica, sendo não mais que um simples filme de perseguição policial sem charme nem atrativos maiores que o nome de Tom Hanks. Hollywood parece não gostar mesmo dos livros de Brown, a começar pela inversão de produzir primeiro O Código Da Vinci ao invés de Anjos & Demônios pela cronologia dos eventos e por suspender a iniciativa de adaptarem O Símbolo Perdido (medo talvez?) deixando o quarto livro deslocado e perdido.


Em Inferno (o filme) os personagens exageram no estereótipo, se perdem nas motivações e não atraem a simpatia do espectador, a pobre Sienna Brooks que o diga, sua personagem tão atraente e cativante na obra foi reduzida à uma dissimulada psicopata, a atuação de Felicity Jones foi quase imperceptível a vista do que outras atrizes fizeram pelas parceira do nosso simbologista, acaba como um simples peão no fraco desfecho do roteiro. Bertrand Zobrist, personagem que provoca no leitores junto das as explicações de Langdon sobre a vida do filósofo e escritor Dante Alighieri não passa de um cientista louco com pinceladas de fanático religioso.


Talvez a única sacada boa desta vez fique pelo jogo de câmeras, focos menos pretensiosos e o uso de imagem mais forte para as visões de Langdon, fugindo do icônico efeito de hologramas espaciais. Acelerar o ritmo da história foi um erro gritante pois não dá tempos para se empolgar com os mistérios nem se identificar com os novos personagens. Apesar de um filme estar indo bem nas bilheterias mundo a fora, e que o Efeito Dan Brown mais uma vez está impulsionando o turismo na Europa "por onde Langdon passa", é muito pouco provável que vejamos um novo Langdon nos cinema pelos próximos seis ou sete anos. Se não é o fim de Langdon no cinema, Inferno ao menos é um sinal amarelo.

O que você achou do filme? Você já leu o livro? Qual dos livros de Dan Brown você mais gosta?

Resenha - Vocação Para o Mal, Robert Galbraith

Strike volta em mais uma aventura, ainda mais empolgante e inesperada em seu terceiro livro.


Vocação Para o Mal (Career Of Evil) é o terceiro livro da série Cormoran Strike, uma obra de J. K. Rowling sob pseudônimo de Robert Galbraith. O livro chega com as prateleiras pela editora Rocco após alguns meses de atraso. E li aversão em inglês ano passado, optei por não postar uma resenha na época do lançamento no Reino Unido, as vamos ao que interessa, o que esse livro nos apresenta de diferente.

Primeiramente avido que pode ler sem medo que está resenha NÃO CONTEM SPOILER. E, caso queira conferir a resenhas dos primeiro e segundo volume antes te continuar a leitura é só clicar nos links abaixo.

Confira a resenha do primeiro volume, O Chamado do Cuco, aqui.
Confira a resenha do segundo volume, O Bicho-da-Seda, aqui.

Agora é pra valer!


Em Vocação Para o Mal teremos um caso mais empolgante, surpreendente e o mais sinistro (até agora) desafiando o detetive Cormoran Strike e pondo a prova sua bela assistente, Robin Ellacot.

A entrega de um estranho pacote no escritório do detetive mal-humorado é o ponto de partida desta aventura quando seu macabro conteúdo é revelado. O hediondo presente é um convite as habilidades dos nossos destemidos personagens. Seguindo a prática de um profissional do ramo investigativo, Strike rapidamente elabora uma lista de possíveis suspeitos, homens temíveis que passaram pela sua vida e que tem bons motivos para odiar nosso perneta favorito. Contando com uma pequena colaboração da Scotland Yard (a famosa policia britânica) e uma ajudinha dos marginas do submundo que servem como olhos e ouvidos (nem sempre confiáveis) na marginalidade londrina.

A narrativa continua frenética e recheada de sentimentos sem apelas para personagens melosos e caricaturados, neste terceiro volume é impossível não reconhecer o amadurecimento da escrita em relação as duas primeiras aventuras. Os personagens estão bem mais construídos, sólidos e realistas, o que vem se provando um dos diferencias do(a) escritor(a). O cenário é bem descristo dando aos leitores uma clara imagem dos ambientes e posicionando-os exatamente aonde quer para criar um clima de expectativa e ansiedade a cada virada de pagina. E o mais inovador desta nova aventura, a mente do inimigo.

Ao contrário dos dois primeiros volumes onde o leitor realmente não sabe nadica de coisa nenhum dos criminosos, nesse o vilão é apresentado de maneira sutil e ao mesmo tempo tenebrosa através de capítulos narrados a partir do ponto de vista de uma mente psicopata e desequilibrada que em alguns momentos provoca até estranheza aos leitores, mas seve de lupa para perceber os aspectos e comportamentos de um indivíduo doente e perigoso que demostra estranho interesse pela A Secretária.


Essa narrativa a parti do ponto de vista do assassino foi o ponto de evolução da escrita de Galbraith que mais me surpreendeu e agradou. além de deixar sutis pistas de quem é o verdadeiro culpado e deixar o leitor tonto em teorias e suspeitas. Some esse novo toque ao taleto que o autor já provou ter para criar cenas de horror sem parecer visceral e a maneira como através da descrição posiciona a mente do leitor suavemente no cenário e você tem um romance policial digno de horas de leitura a fio.

Os personagens desta aventura foram bem explorados em seus, pensamentos, sentimentos, ações e sutilezas. Outro grande diferencial em relação aos livros anteriores é a avalanche de informações a respeito do passado dos personagens, sobretudo os protagonistas e em especial Strike, que nos dois primeiros livro pouco se sabe de seu passado além de alguns detalhes de sua família e carreira. Em Vocação Para o Mal o passado do detetive parece se desenterrar para assombrá-lo.

Nossa querida Ellacot também ganhou mais atividade e espaço na narrativa, na certa devido o importante papel que desempenhou na ultima aventura (para mais detalhes leia O Bicho-da-Seda). Aqui podemos ver o sorriso de Rowling transparecendo no tratamento que ela dá à sua personagem, criando uma Robin mais ousada e corajosa, uma mulher jovem, bela, inteligente e ao mesmo tempo sensível aos problemas de sua vida profissional e sua vida pessoal com Matthew com as obrigações de uma noiva britânica (que servem até como uma crítica as peculiaridades do machismo inglês).

O mais tenebroso em Vocação Para o Mal é que o assassino demostra aspectos de acrotomofilia (do grego Akron [extremidade], tomein [de redução] e philein [de amor]) que refere-se ao interesse sexual em amputados. A excitação vem justamente da ausência daquela parte do corpo (acho que você acabou de fazer uma careta né?). O livro explora também o "mundo" de pessoas com desejo de autoflagelação ou mutilação de forma mais psicológica e comum sem parecer um texto grotesco.

Opinião Final


Sem dúvida a narrativa e trama melhorou muito desde O Chamado do Cuco, livro que parecia lento demais para um romance policial, mas que tinha um charme pessoal muito sedutor. D'O Bicho-da-Seda com seu labirinto conspiratório envolvente e enganador, mas com uma narrativa mais frenética e acelerada. Vocação Para o Mal é a síntese perfeita dos dois primeiros livros, como muitos acertos na tramas. É uma aventura densa e sombria que mergulha profundamente na vida de seus personagens fazendo até mesmo quem não conhece Cormoran e Robin se apaixonar aos primeiros capítulos. Esse livro é super indicado não apenas para os fãs de Galbraith (ou J. K. Rowling) mas também para todo bom leitor de suspense e aventura. Li e recomendo à todos, não vão se arrepender!


Olá, você já leu esse livro? Gostou na resenha? Deixe sua opinião, crítica ou sugestão nos comentários.

Resenha - O Bicho-da-Seda, "Robert Gralbraith"


Pouco mais de um ano após o sucesso de O Chamado do Cuco, uma nova aventura do antipático, perneta e resmungão detetive Cormoran Strike surge para aterrorizar Londres e alucinar os leitores em um crime brilhantes, ousado, enigmático e grotesco.

"Bombyx Mori é tão ruim que chega a ser bom." - C. F.

Oito meses após a solução do caso Lula Landry, Striker está com seu serviço de detetive particular a todo vapor, onde antes seus clientes se limitavam a maridos e esposas pobretões que desconfiavam de seus conjugues e raras vezes pagavam seus honorários, agora deram lugar a uma clientela de magnatas, grandes empresários e membros da alta classe londrina que também sofrem das escapadelas dos parceiros. Robin, a sua fiel assistente continua ao seu lado com suas perguntas e ideias bem tiradas dos casos de seu patrão e o desejo de abandonar o escritório e ir a campo com Strike.

Num belo dia após acordar e recebe o comunicado de sua bela assistente de que um cliente ilustre o aguardava para uma consulta e novo relatório de suas investigações e que uma senhora de olhar abalado sem hora marcada também o aguardava e insistia em vê-lo. Eis que depois de enxotar o ricaço e dirigir sua atenção para Leonora Quine, uma "coroa de aparência inquieta" recebe a missão de encontrar e trazer seu marido, o escritor Owen Quine de volta para casa. Ele havia sumido após alguns dias, hábito que já era comum e até rotineiro, mas que desta vez havia passado do limite.

Você sabia que os bichos são fervidos? - Robin.
O que? - Cormoran.
Fervem os bichos vivos para não romper os casulos.


Se em O Chamado do Cuco, Robert Gralbraith ofereceu um romance policial lento e penoso com um “herói” incomum e melancólico numa aventura que cuspia a realidade do mundo das celebridades por trás das cortinas da fama e do glamour com uma trama que fazia o leitor apostar em um culpado a cada nova página virada, mas com um final surpreendente. Em O Bicho-da-seda ela ele fez melhor!

O Bombyx Mori apresenta uma verdadeira dissecação do mundo literário e o que significar ser escritor em Londres. Ao contrário do que as pessoas imaginam, nas entre linhas de um romance não existem mensagens secretas, mas o veneno de víboras editoriais e escritores vingativos e obcecados com a fama. Desta vez o romance está mais vivo, talvez devido as fortes críticas da narrativa anterior ter sido considerada demasiada lenta, porém este acertou o ritmo. Os personagens também estão mais “realistas” e autênticos. A leitura continua agradável com descrição e sutilezas na dose certa. Em um caso mais visceral, Strike terá que resolver um estranho desaparecimento e um homicídio bizarro entre outros casos de espionagens.



Jogado no mundo das editoras e escritores londrinos, se depara com a realidade de um mundo literário onde nas entrelinhas não há magia, apenas veneno

O livro pode chocar os que imaginam que ser escritor nos dias de hoje é fácil devido o marketing, as mídias ou pelo simples fato de estarmos na era da internet, mas a verdade atingirá o rosto desses leitores como um ganho direto no queixo. Os mistério por traz de um livro ainda não publicado inquieta as mais famosas editoras e os escritores mais excêntricos de Londres. E deixa claro que ainda hoje um “monte de papel” pode ser tão devastador quanto uma bomba.

Opinião Pessoal



Um romance policial autêntico e ousado, J. K. Rowling conseguiu se reinventar no mundo da investigação e dos assassinatos fora do mundo da magia. O Bicho-da-Seda melhorou bastante em comparação a'O Chamado do Cuco, ficou mais agiu e envolvente deixando para trás a narrativa lenta e o ambiente melancólico. O livro de 464 páginas capaz de entreter o leitor comum com seus afazeres diários por um mês inteiro com toques de humor e algumas pilantragens dos personagens. Minha única crítica é que achei um pouco apelação os recursos usados pro Cormoran nesta aventura, mas é um livro digno de 5 estrelas. Li e recomendo ...



10 Livros de Terror para traumatizar

Como hoje é Sexta-feira 13, nada melhor que uma leitura especial pra tirar o sono e passar a madrugada com a luz acesa rsrs. Preparamos uma lista dos livros mais tenebrosos pra você ler depois da meia-noite. Então segure seus ossos e sua alma, pois esses livros não são contos de fadas.

Começaremos com a trindade do terror, King, Poe e o Lovecraft, o mestre do gênero e depois passaremos para alguns clássicos até chegar no que há de mais novo no terror literário. Último aviso, isso não são narrativas românticas nem feitos heroicos, prossiga pela sua conta e risco.

Ao Cair da Noite – Stephen King


Ao Cair da Noite o leitor encontrará uma coletânea de 13 contos, vemos um mestre do suspense e do terror bem à vontade com suas histórias e claramente se divertindo... Esta satisfação se faz presente nos detalhes brilhantes e no virtuosismo facilmente identificável em seus contos. Sem fórmulas ou atalhos cansativos que mostram que estar vivo, nem sempre é uma coisa boa.

Histórias Extraordinárias – Edgar Allan Poe


Outro mestre, mas ele é, acima de tudo, um esteta de talento que abriu caminhos para todas as correntes literárias de linha subjetivista e barroca que vieram depois dele. Trata-se de um escritor-crítico que tem pleno domínio da arte retórica e da arte poética, um artífice que controla, com mão de ferro e cordas de alaúde, os efeitos que exerce em seu leitor. Um arquiteto do estilo que sabe estruturar um conto como poucos (...).” Traduzido por Eliane Fittipaldi e Katia M. Orberg, Histórias extraordinárias reúne alguns dos mais conhecidos e importantes contos de Edgar Allan Poe: O gato preto, O enterro prematuro, A queda da casa de Usher, William Wilson e O poço e o pêndulo.

OBS: A queda da casa de Usher e A Mensagem na Garrafa são meus favoritos.


A Tumba e outros contos – H. P. Lovecraft


As horripilantes histórias de Lovecraft seduzem pelo crescente medo que inspiram e emergem, quase todas, num clímax surpreendente. O livro traz, também, fragmentos e alguns dos primeiros contos escritos pelo autor, durante a adolescência. Os conhecedores de Lovecrat ficarão impressionados com a precocidade do estilo – que consagraria o artista maduro – e o tratamento de temas que tornariam célebre a sua obra posterior. Para os fãs do gênero, uma razão para comemorar. Para os não-iniciados, uma ótima porta de entrada. Também recomendo o Mythos de Cthulhu pra arrepiar a espinha. 

Desfiladeiro do Medo – Clive Barker


Hollywood transformou Todd Pickett em um astro. O tempo, porém, está lhe cobrando um preço por isso. Ele não tem mais o rosto perfeito do ano anterior. Após uma cirurgia malfeita, Todd precisa de um lugar onde possa esconder-se durante algum tempo, enquanto as cicatrizes desaparecem. Querendo ser momentaneamente esquecido instala-se em uma mansão no Coldheart Canyon, um recanto da cidade tão secreto, que sequer consta nos mapas. Tammy Lauper, presidente de seu fã-clube, chega à cidade de Los Angeles decidida a solucionar o mistério do desaparecimento de Todd.

Horror em Amytiville – Jay Anson


Em 13 de novembro de 1974 a polícia do condado de Sufolk recebeu uma chamada telefônica que a levou ao endereço 112 Ocean Avenue, Amityville, Long Island. Dentro da casa a polícia encontrou um crime brutal: o assassinato de uma família inteira enquanto dormia. Poucos dias depois, Ronald Defeo Jr. admitiu que usou um rifle para matar os pais e seus 4 irmãos, alegando ter ouvido vozes que vinham de dentro da casa e que o influenciaram a cometer os crimes. Um ano depois George e Kathy se mudam com os filhos para a antiga casa dos Defeo. Não demora muito para que estranhos eventos comecem a acontecer, afetando a vida da família e indicando que uma presença maligna está oculta na casa.

O Exorcista – William Peter Blatty


Publicado pela primeira vez em 1971, O Exorcista tornou-se não só um fenômeno literário como um dos livros mais assustadores e controversos alguma vez escritos. A história centra-se em Regan, a filha de doze anos de Chris MacNeil, uma ocupada actriz que reside em Washington D.C. A criança aparenta estar possuída por um demônio ancestral e cabe a dois padres a dura tarefa de o exorcizar, arriscando a sanidade e a própria vida. O Exorcista transcendeu as páginas escritas e saltou para o grande ecrã, onde se tornou uma referência incontornável do cinema. Mas se pensa que o filme é assustador, leia o livro!

A Passagem – Justin Cronin


A cada noite, a população humana se reduz e cresce o número de criaturas assassinas. Tudo o que resta aos poucos sobreviventes é uma longa luta em uma paisagem marcada pelo medo da escuridão, da morte e de algo ainda pior. Enquanto a humanidade se torna presa do predador criado tão devastador, o agente Brad Wolgast, do FBI, tenta proteger Amy, uma órfã de 6 anos com um mistério a sua volta. Mas, para Amy, esse é apenas o começo de uma longa jornada – através de décadas e milhares de quilômetros – até o lugar e o tempo em que deverá pôr fim ao que jamais deveria ter começado. A passagem é um suspense de terror implacável, uma alegoria da luta humana diante de uma catástrofe sem precedentes. Da destruição da sociedade que conhecemos aos esforços de reconstruí-la na nova ordem que se instaura, do confronto entre o bem e o mal ao questionamento interno de cada personagem, pessoas comuns são levadas a feitos extraordinários, enfrentando seus maiores medos em um mundo que obrigado o homem a abandonar sua humanidade.

Frankenstein – Mary Shelley


Um clássico que não deve ser subestimado, tristemente muito dizem "conhecer" a história, mas pouco ousaram ler. A princípio, tratava-se de um pequeno conto sobre um jovem estudante suíço que ambicionava criar um ser ideal, injetando vida a um corpo morto. Mais tarde, transformado em romance, tornou-se um marco na literatura do gênero. Frankenstein ou o Moderno Prometeu (Frankenstein; or the Modern Prometheus, no original em inglês), mais conhecido simplesmente por Frankenstein, é um romance de terror gótico com inspirações do movimento romântico, de autoria de Mary Shelley, escritora britânica nascida em Londres. O romance relata a história de Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais que constrói um monstro em seu laboratório. Mary Shelley escreveu a história quando tinha apenas 19 anos, entre 1816 e 1817, e a obra foi primeiramente publicada em 1818, sem crédito para a autora na primeira edição. Atualmente costuma-se considerar a versão revisada da terceira edição do livro, publicada em 1831, como a definitiva. O romance obteve grande sucesso e gerou todo um novo gênero de horror, tendo grande influência na literatura e cultura popular ocidental.

A Mulher de Preto – Susan Hill


O jovem advogado Arthur Kipps, foi enviado a cidade mercante de Crythin Gifford para verificar os documentos e os papéis particulares da recém-falecida Sra. Alice Drablow, uma viúva idosa que vivia sozinha na solitária e afastada Casa do Brejo de Enguia. Enquanto trabalha na casa, Kipps começa a descobrir seus trágicos segredos. A situação piora quando ele entende que o vilarejo é refém do fantasma de uma mulher magoada, em busca de vingança.
OBS: Existem uma tenebrosa continuação pra quem tiver coragem e quiser um pouco mais de assombro.

O Último Passageiro – Manel Loureiro Doval


Agosto de 1939. Um enorme transatlântico chamado Valkirie aparece vazio e à deriva no Oceano Atlântico. Um velho navio cargueiro o encontra e decide rebocá-lo até o porto, mas não sem antes descobrir que nele há um bebê de poucos meses... e algo mais que ninguém é capaz de identificar.

Gostaram desta lista? Já leu algum? Qual livro de terror já fez você perder o sono, ter pesadelos, rezar um pouco mais antes de dormir? Deixe se comentário e contribua com a sua participação. 

Resenha - Amnésia, Jennifer Rush


"Amnésia" é o primeiro livro da série Alterados publicada no Brasil pela Editora Gutemberg. A trama é narrada em primeira pessoa e o leitor acompanha através do ponto de vista de Anna o que está acontecendo com quatro jovens que estão morando no porão de sua casa, localizada em uma fazenda em Nova York. Anna é uma jovem solitária: seu pai é um workhalic que vive no porão realizando os testes nos jovens. Sua mãe faleceu quando ela tinha um ano de idade e ela estuda em casa tendo Arthur (o seu pai) como professor, com exceção das aulas de arte que realiza nos finais de semana na universidade.

Quando você não pode confiar em suas lembranças, em quem acreditar?

Resenha - O Médico e o Monstro, Robert L. Stevenson


Essa foi a primeira obra clássica que li. Como mais de 120 anos a obra mais famosa de Robert Louis Stevenson (autor de outro clássicos como A Ilha do Tesouro) ainda empolga leitores e inspira releituras e adaptações.

Resenha - Inferno, Dan Brown



[ATENÇÃO: ESTE ARTIGO CONTEM SPOILER]

Robert Langdon está de volta em mais uma incrível aventura do aclamado escritor Dan Brown. Em sua nova obra Dan Brown conseguiu superar as expectativas mais uma vez com sua narrativa detalhista e o já conhecido jogo de misturar ficção com realidade e fatos históricos numa leitura frenética e fluida que prende o leitor deixando-o bem posicionado na trama com a cabeça cheia de perguntas. Gostaria de saudar a Arqueiro pelo ótimo trabalho editorial do livro, a diagramação e arte da capa está incrível, mantendo a qualidade e beleza das publicações anteriores. Agora vamos à trama.

Após acordar dentro de um hospital em Florença e não ter a menor ideia do que aconteceu, nosso conhecido simbologista, Robert Langdon começa a desconfiar que alguém está lhe perseguindo e tentando até mesmo matá-lo.

A trama concentra-se na cidade de Florença (Itália) durante boa parte do livro, onde Robert visitará vários lugares conhecidos a fim de descobrir o significado de um estranho objeto encontrado no seu paletó. Felizmente, nosso protagonista contará com a ajuda da médica Sienna Brooks para fugir e descobrir o que se passou nas últimas 36 horas da sua vida.


Duarante sua jornada, Langdon e Brooks passaram por prédios e lugares históricos além de se depararem com um dezenas de afrescos, esculturas e imagens, então recomendo que durante a leitura se puder conferir as obras citadas no livro pelo seu computador ou smartphone deixará a sua imersão na história ainda mais profunda. Outra dica, baixe já Sinfonia Dante de LISZT para ouvir nos capítulos finais.

O título Inferno remete claramente à obra Divina Comédia do artista, poeta e filósofo Dante Alighieri e seus desdobramentos, onde a pessoa que comete pecados deve sofrer muito para ter a chance de chegar ao Paraíso, e é focando exatamente nisso que o protagonista descobrirá os mistérios que o cercam desde que acordou com amnésia.

Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral. 

Gostei bastante desse livro do Dan Brown. Fui premiado, além de uma boa narrativa, com um debate muito interessante a respeito do crescimento populacional acelerado e suas implicações para o futuro da humanidade. Saliento aqui que esse é o tema central de todo o livro e foi muito bem explorado, por sinal. Já somamos um rebanho de mais de 7 bilhões, qual será o número no final do século?

O Inferno de Dante


É raro um livro fazer você querer ler outro, ainda mais quando esse outro pertence a outro autor e de época e gênero totalmente diferente. É impossível não se sentir tentado a ler a Divina Comédia após a leitura do livro de Brown.

Sendo o cristianismo uma das três religiões mais influentes e populares do mundo, o livro de Dante não só é um convite a poesia como uma reflexão sobre o destino da alma, as consequências de nossos atos.
Até a próxima!

Pontos fortes: tema instigante, mistérios envolventes e narrativa frenética.

Pontos fracos: Parecido com as "receitas" de antes, se você não gostou dos livros anteriores de Dan Brown, certamente não irá gostar deste também.

Resenha - O Chamado do Cuco, Robert Galbraith

São 448 páginas de um dos melhores gêneros da atualidade.
Começando pela arte da capa, uma belíssima ilustração carregada de uma atmosfera de mistério e melancolia que não revela muito mais que um homem solitário sumindo na nevoa londrina.

Cormoran Strike é uma ex-veterano de guerra condecorado que agora longe dos campos de batalha do Afeganistão se ocupa como detetive particular. Seus casos e clientes geralmente se resumem a cônjuges enciumados com neuroses de traição de seus parceiros, assim sendo o trabalho de Strike se limita a mera vigilância. Muitas vezes não sendo bem remunerado por seus serviços e até nem sendo pago por seus clientes quanto recebem a confirmação de suas suspeitas.


Além das dividas e do mau andamento do negócios, Striker tem que lidar com a realidade de uma família fragmentada, sendo um dos filhos do badalado Rokebi, tendo 7 meio-irmãos, problemas com o vício em álcool e cigarros, problemas e frustrações amorosas e como se não fosse o bastante as dores e olhares atraídos para seu andar irregular devido o uso de uma prótese na perna direita e assombrado pelas memórias finais da morte se sua mãe.


Numa bela manhã depois de uma briga com a namorada e a chegada da nova secretária temporária Robin (mais eficiente que um canivete suíço), um cliente ilustre aparece para uma consulta profissional. O caso, suspeita de assassinato no estranho suicídio de Lula Landy, famosa modelo revelação de beleza angelical tirada das ruas e adotada por uma família abastarda.

Aqui começa uma verdadeira enxurrada de suspeitos, o que despista o leitor e o fazem criar teorias cada vez mais desesperadas para chegar a solução. Aos poucos Strike começa a ver o quão nefasto é mundo "glamoroso" da moda. Pessoas viciadas em diversas drogas, celebridades em crises de existência e transtornos angustiais, bacanais modernos e raives madrugada a dentro, pessoas manipulando parentes e amigos em benefício próprio e sorrisos hipócritas que mascaram os desejos mais lascivos e perigosos.

O final surpreendente e realmente compensador, a conclusão do caso não deixa devendo ao gênero de uma boa trama de investigação policial.

Veredito


Uma comparação entre Cormoran Strike e Sherlock Holmes é quase inevitável e certamente desleal, ambos os detetives tem singularidades próprias que refletem ao mesmo tempo a técnica e estilo de seus autores, mesmo assim é divertido pensar que talvez Sherlock já soubesse a solução do caso antes do fim do segundo capitulo.


Robert Galbraith é o pseudomino de J. K. Howling, autora da saga Harry Potter, assim como os livros da saga são um tipo de investigação de fatos e eventos numa realidade de fantasia a trama de O Chamado do Cuco é uma ambientação clássica do mundo dos detetives, os personagens bem construídos psicologicamente e descrições muito boas das cenas. Porém, o livro peca em velocidade e ânimo, apesar de ter capítulos curtos e sem enrolação o desenvolvimento da investigação é lento, fazendo com que o leitor não se estimule a ler até o fim. Fico apenas em dúvida se ele merece 3 ou 4 estrelas no ranking do Skoob. Mesmo assim é um bom livro, recomendo à todos!

Boa leitura!


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