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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Dica de presente de Natal - 10 Livros para não-leitores ou leitores iniciantes.

Dicas para não-leitores ou iniciantes


1 - O Pequeno Príncipe


O clássico e campeão de vendas. Numa primeira leitura, aparenta ser um livro para crianças, mas possui um grande teor poético e filosófico.Um obra de muita reflexão e profundidade, excelente para pessoas da área de humanas, mas como recomendação todos deveriam ler, sendo crianças ainda ou não. 

Trecho: "As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, era ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu, porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!"

2 - As Viagens de Gulliver

Outro clássico para todas idades e sem contra-indicações é a edição recente do selo Penguin da Companhia das Letras. Uma tradução primorosa (coisa de nível épico!) de dom Paulo Henriques Britto, numa edição quase “definitiva” de um texto que funciona em tudo quanto é nível e que já teve diversas adaptações para o cinema e o teatro. De piada à caríssimas reflexão filosófica. É um tiro certeiro como presente para iniciantes.

Trecho: Nas últimas horas, eu me sentia premido pelas Necessidades da Natureza; o que não admirava, pois já quase fazia dois dias desde a última vez em que eu me aliviara. Estava eu dividido entre a urgência e a vergonha. A melhor solução que pude encontrar foi entrar de gatinhas na minha casa, o que fiz em seguida; então, fechando o portão após entrar, fui até onde me permitia a extensão da corrente, e lá livrei meu corpo daquela carga incômoda. Mas foi essa a única vez em que corri numa ação tão imunda; e só me resta esperar que o gentil leitor me faça justiça e me encare com certa compreensão, depois de examinar de forma madura e isenta a situação aflitiva em que eu me encontrava. A partir desse dia, passei a desempenhar essa ação, assim que despertava, ao ar livre, no ponto extremo a que minha corrente me dava acesso, e antes que chegassem as visitas, todas as manhãs a substância asquerosa era despachada em carrinhos de mão, por dois criados escolhidos para essa tarefa. Eu não teria me alongado de tal modo sobre um assunto que à primeira vista talvez não pareça muito importante, se não julgasse necessário justificar meu caráter perante o Mundo no que diz respeito à questão da limpeza; pois me foi relatado que alguns de meus detratores me têm criticado sob esse aspecto, a propósito dessa ocasião e de outras.

3 - A Trégua


Trata-se de um livro inesquecível, tocante, desses que deixam marcas para sempre. Benedetti morreu há quase dois anos, em maio de 2009, aos 89 anos. “A Trégua”, de 1960, é considerado seu melhor romance. Adaptado para o cinema por Sérgio Renan, foi indicado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1974. Escrito em forma de diário, conta a história de Martín Salomé, um homem prestes a completar 50 anos, viúvo há duas décadas, atormentado pela perspectiva da aposentadoria e pela constatação de que sua vida rotineira, previsível e cinzenta está se consumindo de forma irremediável. Tudo muda com a chegada de Laura Avellaneda, uma jovem franzina e discreta, com quem voltará a conhecer as loucuras da vida. Benedetti usa as palavras de forma incisiva, às vezes desconcertante, demolidora e até certo ponto visceral.

Trecho: “Vejo esse mar implacável e desolado, tão orgulhoso de sua espuma e de sua coragem, levemente salpicado de gaivotas ingênuas, quase irreais, e de imediato me refugio numa irresponsável admiração”. Mais adiante: “Esse mar é uma espécie de eternidade. Quando eu era menino, ele batia e batia, mas também batia quando meu avô era menino, quando o avô do meu avô era menino. Uma presença móvel, mas sem vida. (…) Testemunha da história, testemunha inútil, porque não sabe da história”. É um livro pequeno, que não vai assustar o leitor iniciante. São 180 páginas que se esvaem com enorme prazer, como todos os bons momentos efêmeros e transitórios da vida.


4 e 5- Sargento Getúlio e A Hora da Estrela (ambos para aquele amigo preguiçoso)


 

Indicaria, para cativar esse não-leitor, narrativas mais curtas e de boa fluência, mas que trabalhassem a linguagem de uma forma interessante. São livros que causam já um certo choque, um estranhamento inicial, mas que, ao mesmo tempo, talvez conseguissem despertar o leitor para o jogo da literatura, pois propõem um universo diferente no plano da linguagem, e a pessoa pode se sentir instigada, desafiada a querer desvendá-lo.

Trecho de Sargento Getúlio: Bicho ruim não morre fácil. Ô Amaro, porventura onde estamos? Me avise-me quando chegar em Curituba Velha, arreceio tocaias. Pior da quentura, os bichinhos de asa vão entrando pela janela e vão se grudando no suor da cara. Espécie de animal pestilento. Em Buquim, aquela mosquitaria, que era ver. Buquim é Brasil? Porto da Folha é Brasil, com aqueles alemães falando arrastado? Aracaju não é Brasil. Socorro não é Brasil, é? A Bahia não é Brasil. Baiano fala cantando. Necessário tomar banho uma hora dessas.

Trecho de A Horda da Estrela: Escrevo neste instante com prévio pudor por vos estar invadindo com tal narrativa tão exterior e explícita. De onde no entanto até sangue arfante de tão vivo de vida poderá quem sabe escorrer e coagular em cubos de geleia trêmula. Será essa história um dia o meu coágulo? Que sei eu. Se há veracidade nela - e é claro que a história é verdadeira embora inventada - que cada um reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa do que ouro - existe a quem falte o delicado essencial.

6 - Os Anéis de Saturno


É um livro generoso, tanto com leitores como com não-leitores. Ele fascina aos poucos, com aquela cadência documental e aquele espírito nostálgico, o suspense romancista de suas páginas é deveras cativante porem pode parecer perturbador. É o que eu poderia chamar de "narrativa do desencanto". Se a pessoa continuar lendo depois disso, terá sido um bom começo. Se a pessoa parar nessa obra, será uma morte honrada, bem ao estilo de Sebald.

Trecho: "As lembranças dormitam dentro de nós durante meses e anos a fio, proliferando em silêncio, até que são despertas por alguma ninharia e nos cegam para a vida de uma maneira estranha. Quantas vezes isso me fez sentir que minhas lembranças e a tradução delas em escrita faziam parte do mesmo negócio humilhante e, no fundo, digno de reprovação! E, no entanto, o que seríamos sem a memória? Não seríamos capazes de ordenar os pensamentos mais simples, o coração mais sensível perderia a capacidade de se afeiçoar a outro, nossa existência consistiria apenas numa sequência infinita de momentos despidos de sentido, e não haveria mais traços de um passado. Que tristeza não é nossa vida! Tão repleta de falsas presunções, tão fútil que pouco mais é do que a sombra de quimeras liberadas por nossa memória."

7 - Franny e Zooey


Muito recomendado á quem não tem o hábito da leitura obras de J.D. Salinger; na verdade, especialmente, a segunda parte dessa obra, porque é um livro que tem a habilidade de falar muito diretamente com o leitor. A impressão que dá é de se estar ouvindo a conversa dos personagens. O livro está na forma de um conto narrado por Buddy, membro da estranha família Glass. A obra mostra acontecimentos importantes de uma família pra lá de excêntrica.

Trecho: Lane notou que havia uma nódoa de batom meio sumida na lapela do excelente sobretudo de lã de camelo do seu colega. A nódoa tinha um aspecto de ter sido ali posta há várias semanas, talvez meses, mas ele não tinha com Sorenson a intimidade bastante para falar-lhe nisso nem, francamente, a coisa lhe interessava tanto. Além disso, o trem estava chegando. Ambos os rapazes fizeram uma espécie de esquerda volver para ficar de frente para a locomotiva que se aproximava. Quase ao mesmo tempo, a porta da sala de espera foi escancarada com violência e os rapazes que tinham ficado lá dentro, aconchegados, começaram se precipitando para a plataforma, ao encontro do trem, a maior parte deles dando a impressão de ter, pelo menos, três cigarros acesos em cada mão.

8 - A Gaia Ciência


Uma obra filosófica para não-filósofos de um dos mais influentes pensadores, as obras de Nietzsche são de longe uma das mais impactantes e profundas. É muito comum dizer que ler um de seus livros é como levar um soco ou receber golpes de martelo. "E se a verdade fosse outra coisa?" Altamente recomendado! 

Trecho: “Viver – isso significa, para nós, transformar continuamente em luz e flama tudo o que somos, e também tudo o que nos atinge; não podemos agir de outro modo. (…) Apenas a grande dor é estremo libertador do espírito, enquanto mestre da grande suspeita, que todo U faz um X, um autêntico e verdadeiro X, isto é, a antepenúltima letra… Apenas a grande dor, a lenta e prolongada dor, aquela que não tem pressa, na qual somos queimados como madeira verde, por assim dizer, obriga a nós, filósofos, a alcançar nossa profundidade extrema e nos desvencilhar de toda confiança, toda benevolência, tudo o que encobre, que é brando, mediano, tudo em que antes púnhamos talvez nossa humanidade. Duvido que uma tal dor “ aperfeiçoe” – mas sei que nos aprofunda.

9 - Como Me Tornei Estupido


A ignorância é um dom para Antoine, personagem principal da sátira de Martin Page, Como me tornei estúpido. Para o jovem estudante de aramaico, filho de pai birmanês e mãe bretã, a inteligência e a consciência crítica se transformam em empecilhos para alcançar a felicidade na sociedade atual. Por isso, o anti-herói criado pelo autor francês decide investir na idiotice como forma de sobrevivência: do alcoolismo ao antidepressivo, ele tenta todos os meios possíveis para se tornar uma nulidade. O livro é um caso extremo e bem-humorado de rebeldia contra uma sociedade que exige a estupidez como passaporte e oferece a massificação como recompensa.

Trecho: Ele passara a noite escrevendo. Em um grande caderno pautado, após muitas tentativas, após páginas de rascunho, ele enfim conseguira dar forma ao seu manifesto. Antes disso, durante semanas ele se extenuara para encontrar pretextos, para imaginar subterfúgios desafiadores. Mas terminara por admitir a pavorosa verdade: era o seu próprio espírito a causa da sua infelicidade. Nesta noite de julho, Antoine tinha, pois, anotado os argumentos que deviam justificar a sua renúncia ao pensamento. O caderno permaneceria como testemunho do seu projeto, para o caso de ele não sair incólume de tão perigosa experiência. Mas sem dúvida ali estava, acima de tudo, o meio de ele próprio convencer-se da validade de seu malogro, uma vez que essas páginas de justificativas tinham o aparato de uma demonstração racional. "Hoje é quarta-feira 19 de julho, e o sol decide enfim deixar o seu refúgio. Eu gostaria de poder dizer, na conclusão desta aventura, como certo personagem do filme Nascido para matar. Estou num mundo de merda, mas estou vivo e não tenho medo."

10 - Diário de um Banana


A gente sempre tem um primo pequeno ou também algum parente criança e as vezes não sabemos o que dar de presente pra eles, por não estar muito ligado nos brinquedos que estão na moda ou no que eles gostam, então um bom presente seria um livro, um muito bacana para dar de presente nesse natal é “Diário de um Banana” de Jeff Kinney, que é coleção de livros (por enquanto são sete) que contam a história do Greg durante o ano letivo e suas férias. Os livros são muito engraçados, eles falam com a linguagem simples sem ser infantil demais e além de incentivar a leitura (por se tratar de um texto "viciante" e continuo) também faz com que seus leitores recordem as trezepadas da vida escolar e os "Dãaas!" de nossa vida.

Trecho: A única razão de eu ter aceitado isso é porque imagino que, mais para a frente, quando eu for rico e famoso, vou ter coisas melhores para fazer do que ficar respondendo a perguntas bestas o dia inteiro. Daí este livro vai vir a calhar. Como eu disse, um dia vou ser famoso, mas por enquanto estou preso no ensino fundamental com uma cambada de débeis.

Tenho experiência como rato de biblioteca e a maior parte dos livros que já li são excelentes como presente. Mas, geralmente é bom ter alguns palpites antes de dar um livro, a maioria costuma procurar indicações ou ir em busca do best-seller do momento para logo "resolver" o medo de erras na escolha. Eu comecei na biblioteca da escola, depois na biblioteca publica, seguindo para cebos e me perdendo entre livrarias. Uma ótima dica é prestar bem atenção na personalidade da pessoa à ser presenteada. Cuidado ao escolher livros religioso, geralmente não agradam a imensa maioria e livros de auto-ajudas pode parecer ofensivos para alguns se não for algo apropriado.

Um vez acertando na escolha, acredite. Vão sempre querer mais livros! ^^

Próxima postagem: 10 Livros de aventura presentear!

Boa leitura!

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Fique a vontade meu caro. Aqui sempre deixou dica de livros, filmes, séries e outras coisas humanas.

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