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sábado, 12 de novembro de 2016

O crítico literário

Muitas vezes interpretados erradamente, o crítico e a crítica na sociedade brasileira são vistos como "alguém ou algo que fala mal". Um comentário mirabolante de valeu ou não valeu, não é crítica.



   Literatura não é matemática. A crítica literária no Brasil é pobre. Exatidão, aqui, é termo literário. Quando nada se tem a falar do sujeito ou do livro escrito por ele, diz-se exato. Pazes feitas entre um (o crítico) e outro (o escritor): um porque descobriu o que dizer, já que não enxergou um palmo dentro da obra; outro, porque acariciado, levou o elogio por ter frequentado com atenção as aulas de redação. 

  Segundo a tradição da crítica literária caracteriza-se por uma atenção filológica ao texto que é da ordem do comentário. Trata-se de uma aproximação que não alcança jamais o conteúdo de verdade do texto comentado, fica-se pelos elementos objetivos, os elementos reais do texto que o compõem. E esses elementos são tanto mais notórios e significativos quanto mais o tempo passa (a concepção de que o conteúdo material está ligado à sobrevivência da obra já tinha sido exposta por Walter Benjamin no seu ensaio sobre a tarefa do tradutor, recomento a leitura). Essas coisas, no mundo onde elas surgem, não são jamais experimentadas quanto ao seu sentido, não são objeto de uma verdadeira experiência na leitura se se tratar de simples e cega aceitação do que é apresentado. A ideia teórica subentendida em todas as análises literárias de Benjamin por exemplo, é a de que os textos tornam possível uma verdadeira experiência, um acesso ao teor de verdade das coisas quando são encaradas de frente, analisadas sem pre-conceitos e interesses.

   No Brasil, um livro nem sempre vale pelo que é. O escritor precisa ser pária ou santo para somar interesse ao que escreveu. É um culto mais à personalidade do que à literatura. Às vezes, o autor é culpado. Às vezes, a crítica quer Indiana Jones e não José J. Veiga. O que é complicadíssimo equacionar isso ou dar medidas em uma balança que tem se acostumado a ser tendenciosa demais, muitas vezes alavancando as mais medíocres (termo técnico) produções. Basta um nome midiático abrir um curso, lotamos as saletas para escutá-los. E nada, como diz a música: “Eu presto atenção ao que eles dizem, mas eles não dizem nada”.

   E importante dizer também que o brasileiro não sabe captar uma crítica, primeiramente muitos ainda tem a errônea ideia de que criticar algo é "apenas falar mal", deixando de perceber os pesos usados no julgamento de quem fala. Tenho acompanhado com simpatia o mercado editorial brasileiro (com interesse cavalar no nordeste) desde 2009. Nesses últimos anos vi editoras, selos, blogs, sites, escritores e o que é melhor, leitores, crescendo e se qualificando. O que me leva ao derradeiro parágrafo deste post.

   Quem são os propriamente ditos críticos de uma leitura, o escritor, o editor, o especialista, ou o leitor? Quando honesta, erudita e atualizada, a atividade crítica pode contribuir com três exigências cada vez mais cruciais para uma geração literária: formar leitores mais exigentes, desanimar a proliferação de obras dispensáveis e ajudar as editoras a selecionar bons escritores. Escreveu o novelista coreano Yun Heunggil: “O bom escritor não teme o bom crítico”.

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