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domingo, 5 de abril de 2015

Novo capítulo de Os Ventos do Inverno:

George R. R. Martin liberou mais um capítulo do Livro VI de As Crônicas de Gelo e Fogo, saga literária que deu origem a série Game Of Thrones da HBO. O autor já havia liberado outros capítulos, mas havia prometido não liberar mais nada do sexto livro após comentários de fãs que diziam que o autor escreve lento demais e que estava demorando muito para entregar o próximo livro. O autor comentou em seu site oficial que só liberou este capítulo por forte pressão da editora. O capítulo em questão é o ponto de vista de Alayne. Como postei no ig no Instagram (@um_filosofo_na_web) o autor já havia que muito personagem da trama terão capítulos sob alcunhas ou pseudônimos. 

E parece que a Sansa  deixou de ser SONSA 

Ah! Mais uma coisa ALERTA DE SPOILER!!!  Continue pelo sua conta e risco . 


Alayne

 
Ela lia para seu pequeno senhor a lenda do Cavaleiro Alado quando Mya Stone veio bater na porta de seu quarto, vestida com botas e couros de montaria, cheirando fortemente a estábulo. Mya tinha palha em seu cabelo e uma careta na face. A careta é por ter Mychel Redfort por perto, Alayne sabia.
“Vossa Senhoria”, Mya informava Lorde Robert, “Os estandartes da Senhora Waynwood foram vistos há uma hora na estrada. Ela estará aqui em breve, com seu primo Harry. Vai querer cumprimentá-los?”
Por que ela tinha de mencionar Harry? Alayne pensou.Agora nunca conseguiremos tirar Doce Robin da cama. O garoto estapeou um travesseiro. “Mande-os embora. Não os chamei aqui.”
Mya pareceu desconcertada. Ninguém no Vale era melhor em lidar com uma mula como ela, mas fidalgos era outra questão. “Eles foram convidados”, disse ela, hesitante, “para o torneio. Eu não …”
Alayne fechou o livro. “Obrigada, Mya. Deixe-me falar com Lorde Robert, por favor.” Com o semblante aliviado, Mya saiu sem dizer outra palavra.
“Odeio aquele Harry,” Doce Robin disse quando ela saiu. “Ele me chama de primo, mas está só esperando que eu morra para que tome conta do Ninho da Águia. Ele pensa que não sei, mas sei.”
“Vossa Senhoria não deve acreditar em tal absurdo", disse Alayne.  “Tenho certeza de que Sor Harrold o ama.” E se os deuses forem bons, ele vai me amar também. Seu estômago se agitou. “Ele não ama,” Lorde Robert insistiu. “Ele quer o castelo de meu pai, isso é tudo, então ele finge.” O menino apertou o cobertor para o peito espinhento. “Não quero que se case com ele, Alayne. Sou o Senhor do Ninho da Águia, e o proíbo.” Ele soou como se estivesse prestes a chorar. "Você deveria se casar comigo ao invés disso. Poderíamos dormir na mesma cama todas as noites, e você poderia me ler histórias".
Nenhum homem pode ser casar comigo enquanto meu marido anão ainda viver em algum lugar deste mundo. A Rainha Cersei recolhera doze cabeças de anões, Petyr dissera, mas nenhuma era a de Tyrion. “Doce Robin, não deve dizer tais coisas. Você é o Senhor do Ninho da Águia e Protetor do Vale, e deve se casar com uma donzela de alto nascimento e ser pai de um filho que se sente no Alto Salão da Casa Arryn quando você partir.”
        Robert limpou o nariz. “Mas eu quero —” Ela colocou um dedo sobre os lábios dele. “Eu sei o que você quer, mas não pode ser assim. Não sou uma esposa adequada para você. Sou bastarda.” “Não me importo. Eu te amo mais do que qualquer um.”
        Você é tão tolinho. “Seus senhores vassalos se importarão. Alguns chamam o meu pai de arrivista e ambicioso. Se você me fizesse esposa, eles diriam que ele te obrigou a fazer isso, que não seria sua vontade. O Senhores Declarantes podem levantar armas contra ele mais uma vez, e ele e eu seríamos ambos condenados à morte.”
        “Eu não iria deixar que a machucassem!” disse Lorde Robert. “Se eles tentarem, faço-os voar.” Sua mão começou a tremer. Alayne acariciou seus dedos. “Isso, meu Doce Robin, fique quieto agora.” Quando o tremor passou, ela disse: “Você deve ter uma esposa adequada, uma donzela legítima de nascimento nobre.”
“Não. Quero me casar com você, Alayne.”
Certa vez, a senhora sua mãe pretendeu a mesma coisa, mas eu era uma filha legítima, e nobre. “Meu senhor é gentil em dizê-lo.” Alayne alisou seu cabelo. Lady Lysa nunca havia deixado os servos o tocarem, e depois que morreu, Robert sofria terríveis crises de tremores sempre que alguém chegava perto dele com uma lâmina, de modo que tinha sido permitido crescer até cair sobre os ombros e passar metade de seu flácido peito branco.Ele tem um cabelo bonito. Se os deuses forem bons e ele viver tempo suficiente para se casar, sua esposa irá admirar o cabelo dele, com certeza. Nisso ela irá amá-lo. “Qualquer filho nosso seria ilegítimo. Apenas uma criança legítima da Casa Arryn poderia substituir Sor Harrold como seu herdeiro. Meu pai vai encontrar uma esposa adequada para você, uma garota bem nascida muito mais bonita do que eu. Vocês caçarão juntos, e ela irá lhe dar seu favor para usar em torneios. Em pouco tempo, você terá me esquecido por completo.”
“Não terei!”
“Você terá. Você deve.” Sua voz era firme, mas suave. “O Senhor do Ninho da Águia pode fazer o que quiser. Ainda poderei te amar, mesmo se eu tiver que me casar com ela?  Sor Harrold tem uma mulher comum. Benjicot diz que ela carrega seu filho bastardo.”Benjicot deveria aprender a manter sua tola boca fechada. “É isso que você teria de mim? Um bastardo?” Ela puxou os dedos de sua mão. "Você me desonraria dessa maneira?”
O menino pareceu chocado. “Não. Eu nunca quis — ”
Alayne se levantou. “Se for do agrado de meu senhor, devo ir encontrar meu pai. Alguém precisa saudar a Senhora Waynwood.” Antes de seu pequeno senhor conseguir encontrar as palavras para protestar, ela lhe ofereceu uma rápida reverência e fugiu do quarto, escorregando pelo corredor e correndo através de uma ponte em direção aos aposentos do Senhor Protetor.
Quando ela deixou Petyr Baelish naquela manhã ele quebrava o jejum com o velho Oswell que chegara na noite passada de Vila Gaivota em um cavalo suado. Ela esperava que eles ainda pudessem estar conversando, mas o solar de Petyr se mostrou vazio. Alguém havia deixado uma janela aberta e uma pilha de papéis se espalhara pelo chão. O sol se projetava através das grossas janelas amarelas, e grãos de poeira dançavam à luz como pequenos insetos dourados. Apesar da neve ter coberto tudo na altura da Lança do Gigante, abaixo da montanha o outono se demorava e o trigo de inverno começava a amadurecer nos campos. Do lado de fora da janela, ela podia ouvir o riso das lavadeiras no poço e o barulho de aço sobre aço na ala onde os cavaleiros treinavam.Bons sons.
Alayne amava esse lugar. Sentia-se viva novamente, pela primeira vez desde que seu pai ... desde que Lorde Eddard Stark havia morrido.
Ela fechou a janela, juntou os papéis caídos, e os colocou sobre a mesa. Um deles era uma lista dos concorrentes. Sessenta e quatro cavaleiros haviam sido convidados a disputar lugares entre os os membros da nova Irmandade dos Cavaleiros Alados de Robert Arryn, e sessenta e quatro cavaleiro vieram disputar o direito de usar as asas da águia em seus elmos e proteger seu senhor.
Os competidores vieram de todo o Vale, desde os vales das montanhas e da costa, de Vila Gaivota e do Portão Sangrento, e até mesmo das Três Irmãs. Embora alguns tivessem sido prometidos, apenas três eram casados; os oito vencedores deveriam passar os próximos três anos ao lado de Lorde Robert, como sua guarda pessoal (Alayne havia sugerido sete, como a Guarda Real, mas Doce Robin havia insistido que ele deveria ter mais cavaleiros do que o Rei Tommen), então homens mais velhos com esposas e filhos não haviam sido convidados.
E eles vieram, Alayne pensou com orgulho.Todos eles vieram.
Aconteceu exatamente como Petyr previra, no dia em que os corvos voaram. “Eles são jovens, ansiosos, com fome de aventura e renome. Lysa não os deixaria ir para a guerra. Essa é a coisa mais próxima disso. A oportunidade de servir a seu senhor e provar sua valentia. Eles virão. Mesmo Harry o Herdeiro.” Ele alisara seu cabelo e beijara sua testa. “Que filha inteligente você é.”
        Aquilo era mesmo inteligente. O torneio, os prêmios, os cavaleiros alados, tudo havia sido ideia sua. A mãe de Lorde Robert o havia enchido de medos, mas ele sempre ganhava coragem com os contos que ela lia para ele sobre Sor Artys Arryn, o Cavaleiro Alado das lendas, fundador de sua linhagem.Por que não cercá-lo de Cavaleiros Alados? Certa noite, depois de Doce Robin adormecer, ela teve a ideia. Sua própria Guarda Real, para mantê-lo seguro e fazê-lo corajoso. E assim que ela contou a Petyr sua idéia, ele fez acontecer. Ele vai querer estar lá para cumprimentar Sor Harrold. Onde poderia ter ido?
Alayne desceu a escada da torre para entrar na galeria de pilares na parte de trás do Alto Salão. No andar de baixo, empregados montavam mesas de armar para o banquete da noite, enquanto suas esposas e filhas varriam os velhos juncos e espalhavam novos. Lorde Nestor estava mostrando para Lady Waxley suas premiadas tapeçarias, com cenas de caça e perseguição. Os mesmos paineis estiveram pendurados na Fortaleza Vermelha de Porto Real, quando Robert sentava no Trono de Ferro. Joffrey os removera, e eles estavam definhando em algum porão até que Petyr Baelish providenciou que fossem trazidos para o Vale como um presente para Nestor Royce. Não só eram peças belas, como faziam o Alto Intendente satisfeito em dizer para quem quisesse ouvir que haviam pertencido a um rei.
Petyr não estava no Alto Salão. Alayne cruzou a galeria e desceu a escada construída na grossa parede oeste, para sair na ala interior, onde a justa seria realizada. Arquibancadas haviam sido levantadas para todos aqueles que vieram assistir, com quatro longas barreiras de torneio ao meio. Homens de Lorde Nestor estavam pintando as barreiras com cal, drapejando as bancadas com estandartes brilhantes, e pendurando escudos no portão por onde os concorrentes passariam quando fizessem sua entrada.
Ao norte do pátio, três estafermos haviam sido montados, e alguns dos concorrentes cavalgavam em direção a eles. Alayne os conheceu por seus escudos; os sinos de Belmore, as víboras verdes dos Lynderlys, a carroça vermelha de Breakstone, os dentes pretos e cinzas da Casa Tollett. Sor Mychel Redfort deixou um dos estafermos girando com um golpe preciso. Ele era um dos favoritos a ganhar as asas.
Petyr não estava nos estafermos, nem em nenhum lugar do pátio, mas quando ela se virou para sair uma voz de mulher chamou. “Alayne!”, gritou Myranda Royce, de um banco de pedra esculpida embaixo de uma faia, onde ela estava sentada entre dois homens. Ela parecia precisar ser resgatada. Sorrindo, Alayne caminhou em direção a amiga.
Myranda usava um vestido de lã cinza, uma capa com capuz verde, e um olhar um tanto desesperado. Em cada um de seus seus lados sentava um cavaleiro. O da sua direita tinha uma barba grisalha, uma cabeça careca, e uma barriga que transbordava do cinto da espada até onde deveria ser seu colo. O da sua esquerda não tinha mais que dezoito anos, e era magro como uma lança. Seus bigodes cor de gengibre serviam apenas parcialmente para disfarçar as raivosas espinhas vermelhas que pontilhavam seu rosto.
        O cavaleiro careca usava um sobretudo azul escuro estampado com um enorme par de lábios rosados. O espinha-de-gengibre tinha nove gaivotas brancas em um campo castanho, o que o indicava como um Shett de Vila Gaivota. Ele estava olhando tão atentamente para os seios de Myranda que quase não notou que Alayne chegara até que Myranda se levantasse para abraçá-la. “Obrigada, obrigada, obrigada” Randa sussurrou em seu ouvido, antes de se virar para dizer: “Sores, posso lhes apresentar a Senhora Alayne Stone?”
“A filha do Senhor Protetor”, o cavaleiro careca anunciou, cheio de galanteria calorosa. Ele se levantou pesadamente. “E tão linda quanto o que contam sobre ela, vejo.”
Para não ficar atrás, o cavaleiro espinhento se levantou e disse: “Sor Ossifer fala a verdade, você é a mais bela donzela em todos os Sete Reinos.” Poderia ter sido uma cortesia mais doce se não tivesse sido direcionada para seu peito.
“E já viu todas essas donzelas você mesmo, sor?” Alayne perguntou a ele. “É jovem para ser tão viajado.”
Ele corou, o que só fez suas espinhas parecerem mais irritadas. “Não, minha senhora. Sou de Vila Gaivota.”
E eu não sou, embora Alayne tenha nascido lá. Ela precisaria ter cuidado perto deste. “Lembro-me com carinho de Vila Gaivota”, disse a ele, com um sorriso tão vago quanto agradável. Para Myranda ela disse: “Você sabe aonde foi meu pai, por acaso?”
“Deixe-me levá-la até ele, minha senhora.”
“Espero que me perdoem por privá-los da companhia de Lady Myranda”, Alayne disse aos cavaleiros. Ela não esperou por uma resposta, mas pegou o braço da garota mais velha e a puxou do banco. Só quando elas estavam fora do alcance de seus ouvidos, sussurrou, “Você realmente sabe onde meu pai está?”
“Claro que não. Ande mais rápido, meus novos pretendentes podem estar nos seguindo.” Myranda fez uma careta. “Ossifer Lipps é o cavaleiro mais estúpido do Vale, mas Uther Shett aspira a seus louros. Estou orando para que travem um duelo por minha mão, e que se matem.”
Alayne deu um risinho. “Certamente Lorde Nestor não levaria a sério um pedido de homens desse tipo.”
“Oh, ele poderia. O senhor meu pai está chateado comigo por ter matado o meu último marido e ter lhe dado todo esse trabalho.”
“Não foi culpa sua que ele morreu.”
"Não havia mais ninguém na cama que eu me lembre."
Alayne preferiu se calar. O marido de Myranda havia morrido enquanto fazia amor com ela. “Aqueles Homens das Irmãs que chegaram ontem eram galantes” disse ela, para mudar de assunto. “Se você não gosta de Sor Ossifer ou Sor Uther, case-se com um deles. Achei o mais novo deles muito belo.”
"O do manto de pele de foca?", Disse Randa, incrédula.
“Um de seus irmãos, então.”
Myranda revirou os olhos. “Eles são das Irmãs. Você já conheceu um Homem das Irmãs que participou de uma justa? Eles limpam suas espadas com óleo de bacalhau e se lavam em banheiras de água do mar fria".
"Bem", disse Alayne, "pelo menos eles são limpos."
“Alguns deles têm teias entre os dedos dos pés. Preferiria me casar com Lorde Petyr. Então seria sua mãe. Quão pequenoé aquelemindinho, lhe pergunto?”
Alayne não se dignou a responder aquela pergunta. “Lady Waynwood estará aqui em breve, com seus filhos.”
“Isso é uma promessa ou uma ameaça?”, disse Myranda. “A primeira Senhora Waynwood deve ter sido uma égua, eu acho. De que outra forma se explica por que todos os homens Waynwood têm cara de cavalo? Se algum dia eu fosse me casar com um Waynwood, ele teria que fazer um voto para vestir o seu elmo sempre que quisesse me foder, e manter a viseirafechada. " Ela deu um beliscão no braço de Alayne. “Meu Harry estará com eles, no entanto. Percebo que você o deixou de fora. Nunca irei perdoá-la por roubá-lo de mim. Ele é o garoto com que quero me casar”.
“O noivado foi obra do meu pai”, Alayne protestou, como fizera uma centena de vezes antes. Ela só está provocando, disse a si mesma... mas por trás das piadas, ela podia ouvir a mágoa.
Myranda parou para contemplar pelo pátio os cavaleiros treinando. "Ali está exatamente o tipo de marido que preciso."
A poucos metros de distância, dois cavaleiros estavam praticando com espadas de treino embotadas. Suas lâminas se chocaram duas vezes, e deslizaram pelas laterais para serem bloqueadas por seus escudos levantados, mas o maior deles cedeu com o impacto. Alayne não conseguia ver a frente de seu escudo de onde estava, mas o atacante tinha três corvos em vôo, cada um segurando um coração vermelho em suas garras.Três corações e três corvos. 
Ela soube então como a luta acabaria.
Alguns momentos mais tarde e o maior estava esparramado na terra com seu elmo torto. Quando seu escudeiro desfez as amarras em sua cabeça, havia sangue escorrendo por seu couro cabeludo. Se as espadas não fossem embotadas, haveria miolos também. Esse último golpe na cabeça tinha sido tão duro que Alayne fez uma careta de simpatia quando desceu. Myranda Royce considerou o vencedor pensativa. “Você acha que se eu pedisse gentilmente Sor Lyn mataria meus pretendentes para mim?”
“Ele poderia, por um gordo saco de ouro.” Sor Lyn Corbray estava sempre precisando desesperadamente de dinheiro, todo o Vale sabia disso.
“Infelizmente, tudo que tenho é um gordo par de tetas. Embora com Sor Lyn, uma salsicha gorda sob minhas saias me serviria melhor.”
A risadinha de Alayne chamou a atenção de Corbray. Ele entregou o seu escudo ao seu escudeiro desajeitado, tirou o elmo e a touca acolchoada. “Senhoras”. Seus longos cabelos castanhos estavam grudados na testa pelo suor.
"Belo golpe, Sor Lyn", Alayne disse. "Apesar de que temo que tenha deixado o pobre Sor Owen sem sentido.”
Corbray olhou de volta para onde seu adversário estava sendo ajudado por seu escudeiro a sair do pátio. "Ele nunca teve muito senso, ou não teria me desafiado."
Havia verdade nisso, Alayne pensou, mas algum demônio malicioso estava nela naquela manhã, então ela deu em Sor Lyn também uma estocada. Sorrindo docemente, ela disse: “O senhor meu pai me contou que a nova esposa de seu irmão está esperando uma criança.”
Corbray lhe deu um olhar sombrio. “Lyonel envia seus remorsos. Ele permanece em Lar do Coração com sua filha de mascate, observando sua barriga inchar como se fosse o primeiro homem que fez uma mulher grávida.”
Oh, essa é uma ferida aberta, pensou Alayne. A primeira esposa de Lyonel Corbray não havia lhe dado nada além de um frágil e doentio bebê que morreu na infância, e durante todos esses anos Sor Lyn permanecera herdeiro de seu irmão. Quando a pobre mulher finalmente morreu, no entanto, Petyr Baelish interveio e intermediou um novo casamento para Lorde Corbray. A segunda Senhora Corbray tinha dezesseis anos, filha de um rico comerciante de Vila Gaivota, mas ela tinha vindo com um imenso dote, e os homens diziam que ela era uma garota alta, robusta, saudável, com os seios grandes e quadris largos. E fértil também, ao que parece.
“Estamos todos rezando para que a Mãe conceda a Lady Corbray um parto fácil e uma criança saudável”, disse Myranda.
Alayne não se conteve. Ela sorriu e disse: “Para meu pai é sempre um prazer servir a um um dos leais vassalos de Lorde Robert. Tenho certeza de que seria um prazer para ele ajudar a negociar um casamento para você também, Sor Lyn.”
“Que gentil da parte dele.” Os lábios de Corbray se retraíram em algo que poderia ter sido dado como um sorriso, embora tenha dado a Alayne um calafrio. “Mas que uso tenho eu para herdeiros, quando não tenho terras e provavelmente continuarei assim, graças ao nosso Senhor Protetor? Não. Diga ao senhor seu pai que não preciso de nenhuma de suas éguas de cria.”
O veneno em sua voz era tão carregado que por um momento ela quase esqueceu que Lyn Corbray era na verdade um peão de seu pai, comprado e pago. Mas era mesmo?Talvez, em vez de ser um homem de Petyr fingindo ser inimigo de Petyr, ele fosse na verdade seu inimigo fingindo ser seu homem fingindo ser seu inimigo.
Pensar nisso foi o suficiente para sua cabeça girar. Alayne virou-se abruptamente do pátio ... e esbarrou em um homem baixo, de feições angulosas e um punhado de cabelos laranja que vinha atrás dela. A mão dele disparou e pegou seu braço antes que ela pudesse cair. “Minha senhora. Meus perdões se a surpreendi.”
“A culpa foi minha. Eu não o vi.”
“Nós ratos somo criaturas silenciosas.” Sor Shadrich era tão baixo que poderia ser confundido com um escudeiro, mas seu rosto pertencia a um homem muito mais velho. Ela viu longas rugas no canto de sua boca, velhas batalhas na cicatriz abaixo de sua orelha, e uma dureza atrás dos olhos que nenhum garoto jamais teria. Este era um homem feito. Mesmo Randa era mais alta do que ele, no entanto.
“Você irá atrás das asas?”, a garota Royce disse.
“Um rato com asas seria algo tolo.”
“Talvez você vá tentar o corpo a corpo em vez disso?” Alayne sugeriu. O corpo a corpo era um adendo, um presente para todos os irmãos, tios, pais e amigos que acompanharam os concorrentes ao Portões da Lua para vê-los ganhar suas asas de prata, mas haveria prêmios para os campeões, e uma chance de ganhar resgates.
“Um bom corpo a corpo é tudo por que um cavaleiro andante pode esperar, a menos que ele tropece em um saco de dragões. E isso não é provável, não é mesmo?”
“Suponho que não. Mas agora deve nos desculpar, sor, temos de encontrar o senhor meu pai.”
Cornetas soaram do alto da muralha. “Tarde demais”, disse Myranda. “Eles estão aqui. Precisaremos fazer as honras nós mesmas.” Ela sorriu abertamente. “A última que chegar ao portão deverá se casar com Uther Shett.”
Elas fizeram daquilo uma corrida, disparando pelo pátio e passando pelos estábulos, suas saias se agitando, enquanto tanto cavaleiros quanto serventes olhavam, e porcos e galinhas se espalhavam diante delas. Não era nada donzelesco, mas Alayne rapidamente se viu rindo. Por um breve momento, enquanto corria, ela se esqueceu de quem era, e onde estava, e viu-se lembrando de claros dias frios em Winterfell, quando corria pelo castelo com sua amiga Jeyne Poole, com Arya correndo atrás delas tentando acompanhá-las.
Quando chegaram a portaria, ambas estavam com o rosto vermelho e ofegantes. Myranda tinha perdido seu manto em algum lugar ao longo do caminho. Chegaram bem na hora. A porta levadiça tinha sido alçada, e uma coluna de vinte cavaleiros passava por baixo. Em sua ponta cavalgava Anya Waynwood, Senhora de Ferrobles, austera e magra, com o cabelo castanho-acinzentado amarrado em um lenço. Sua capa de equitação era de lã verde pesada ornamentada com pele marrom, e fechada no pescoço por um broche de nielo na forma da roda quebrada de sua Casa.
Myranda Royce se adiantou e esboçou uma reverência. “Lady Anya. Bem-vinda aos Portões da Lua.”
“Lady Myranda. Lady Alayne.” Anya Waynwood inclinou a cabeça a cada uma delas, uma de cada vez. “É gentil de sua parte nos cumprimentar. Permitam-me apresentar meu neto, Sor Roland Waynwood." Ela assentiu com a cabeça para o cavaleiro que havia citado. "E este é o meu filho mais novo, Sor Wallace Waynwood. E, claro, meu protegido, Sor Harrold Hardyng."
Harry o Herdeiro, Alayne pensou. Meu futuro marido, se ele me aceitar. Um terror repentino a invadiu. Ela se perguntou se seu rosto estava vermelho.Não o encare,ela lembrou a si mesma, não encare, não boceje, não fique de boca aberta. Desvie o olhar. Seu cabelo deve estar uma bagunça terrível depois de toda aquela correria. Custou-lhe toda sua força de vontade se impedir de tentar ajeitar os fios soltos de volta no lugar.Esqueça seu cabelo estúpido. Seu cabelo não importa. É ele que importa. Ele, e os Waynwoods.
Sor Roland era o mais velho dos três, apesar de não ter mais do que vinte e cinco. Ele era mais alto e mais musculoso do que Sor Wallace, mas ambos tinham rostos longos e queixo saliente, com grossos cabelos castanhos e narizes finos. Cara-de-cavalo e desajeitado, Alayne pensou.
Harry, no entanto…
Meu Harry. Meu senhor, meu amante, meu prometido.
Sor Harrold Hardyng era um futuro senhor em cada centímetro; proporcional e bonito, aprumado como uma lança, duro de músculo. Homens com idade suficiente para terem conhecido Jon Arryn em sua juventude diziam que Sor Harrold tinha sua aparência, ela sabia. Ele tinha um tufo de cabelo loiro-areia, olhos azuis pálidos, nariz aquilino. Joffrey também era gracioso, ela se lembrou.Um monstro gracioso, é isso o que ele era. O Pequeno Lorde Tyrion era mais gentil, embora fosse retorcido.
Harry a encarava.Ele sabe quem eu sou, ela percebeu, e ele não parece contente em me ver. Foi só então que ela tomou conhecimento de sua heráldica. Apesar de seu casaco e cavalo estarem decorados com diamantes vermelho-e-branco da Casa Hardyng, seu escudo era esquartejado. As armas de Hardyng e Waynwood eram exibidas no primeiro e terceiro cantos, respectivamente, mas no segundo e no quarto ele ostentava a lua-e-águia da Casa Arryn, céu azul e creme. Doce Robin não vai gostar disso.
Sor Wallace disse, “Somos os ú-ú-últimos?”
“Sim, sores,” respondeu Myranda Royce, sem tomar conhecimento algum de sua gagueira.
“Qu-qu-quando as j-j-justas começam?”
“Oh, em breve, espero”, disse Randa. “Alguns dos concorrentes estão aqui há quase uma lua, partilhando da comida e da bebida de meu pai. Todos bons companheiros, e muito corajosos... mas eles comem muito.”
Os Waynwoods riram, e até mesmo o Harry o Herdeiro esboçou um pequeno sorriso. “Estava nevando nos passos, do contrário estaríamos aqui mais cedo”, disse Lady Anya.
“Se soubéssemos que tal beleza nos esperava nos Portões, teríamos voado”, disse Sor Roland. Apesar de suas palavras serem dirigidas a Myranda Royce, ele sorriu para Alayne quando as disse.
“Para voar você precisaria de asas”, Randa respondeu, “e há alguns cavaleiros aqui que poderiam ter alguma coisa a dizer sobre isso.”
“Estou ansioso para uma discussão animada.” Sor Roland desceu de seu cavalo, virou-se para Alayne, e sorriu. “Eu tinha ouvido falar que a filha de Lorde Mindinho tinha um rosto belo e era cheia de graça, mas ninguém nunca me disse que ela era um ladra.”
“Me confunde, sor. Eu não sou ladra!”
Sor Roland colocou a mão sobre o coração. “Então como explica esse buraco em meu peito, de onde roubou meu coração?”
“Ele está apenas p-provocando-lhe, minha senhora", gaguejou Sor Wallace. "Meu s-s-sobrinho nunca teve um c-c-coração”.
“A roda Waynwood tem um aro quebrado, e temos meu tio aqui.” Sor Roland deu a Wallace um tabefe atrás da orelha. “Escudeiros devem ficar quietos quando cavaleiros estão falando.”
Sor Wallace ficou vermelho. “Não sou mais um es-escudeiro, minha senhora. Meu s-sobrinho sabe muito bem que eu fui n-n-nom-n-n-nom-a ”
“Armado?” Alayne sugeriu gentilmente.
“Armado”, disse Wallace Waynwood, agradecido.
Robb teria sua idade, se ainda estivesse vivo, ela não pôde deixar de pensar,mas Robb morreu um rei, e este é apenas um garoto.
“O senhor meu pai lhe reservou quartos na Torre Leste,” Lady Myranda estava dizia a Lady Waynwood, “mas temo que seus cavaleiros terão de dividir a cama. Os Portões da Lua não foram feitos para abrigar tantos visitantes nobres.”
        “Está na Torre do Falcão, Sor Harrold,” Alayne disse.Longe de Doce Robin. Isso era intencional, ela sabia. Petyr Baelish não deixava coisas como essa ao acaso. “Se lhe agradar, posso eu mesma levá-lo aos aposentos.” Desta vez, seus olhos encontraram os de Harry. Ela sorriu apenas para ele, e fez uma oração silenciosa para a Donzela. Por favor, ele não precisa me amar, faça-o apenas gostar de mim, só um pouco, isso seria o suficiente por enquanto.
Sor Harrold a olhou friamente. “Por que deveria me agradar ser acompanhada para qualquer lugar pela bastarda de Mindinho?”
Os três Waynwoods olharam para ele de soslaio. “Você é um convidado aqui, Harry,” Lady Anya lembrou-lhe, com um tom gelado. “Lembre-se disso.”
A Armadura de uma senhora é a sua cortesia. Alayne podia sentir o sangue correndo em seu rosto. Sem lágrimas, ela rezou. Por favor, por favor, eu não devo chorar. “Como quiser, sor. E agora, se me dão licença, a bastarda de Mindinho deve encontrar o senhor seu pai e o informar de que vocês chegaram, para que possamos começar o torneio pela manhã.” E que o seu cavalo tropece, Harry o Herdeiro, para que caia com sua estúpida cabeça no chão em sua primeira justa. Ela mostrou aos Waynwoods um rosto de pedra, enquanto eles soltavam desculpas desajeitadas por seu companheiro. Quando eles terminaram, ela se virou e saiu.
Perto do castelo, ela deu de cabeça com Sor Lothor Brune e quase o derrubou. “Harry o Herdeiro? Harry o Bundão, digo eu. Ele é só um escudeiro arrivista.”
Alayne ficou tão grata que o abraçou. “Obrigada. Viu meu pai, sor?”
“Lá embaixo, nas caves”, Sor Lothar disse, “inspecionando os celeiros de Lorde Nestor com Lorde Grafton e Lorde Belmore.”
As caves eram grandes e escuras e imundas. Alayne acendeu uma vela e agarrou sua saia enquanto descia. Perto do fundo, ela ouviu a voz estrondosa do Senhor Grafton, e a seguiu.
“Os comerciantes estão clamando para comprar e os senhores estão clamando para vender”, o vilagaivotense estava dizendo quando ela os encontrou. Apesar de não ser um homem alto, Grafton era largo, com braços e ombros grossos. Seu cabelo era um esfregão loiro sujo. “Quem sou eu para parar com isso, meu senhor?”
“Coloque guardas nas docas. Se necessário, apreenda os navios. De que maneira não me importa, desde que nenhum alimento saia do Vale.”
“Esses preços, no entanto,” protestou o gordo Lorde Belmore, “estes preços são mais do que justos.”
“Você diz mais do que justos, meu senhor.Digo que são menos do que gostaríamos. Aguarde. Se necessário, compre a comida você mesmo e a mantenha armazenada. O inverno está chegando. Os preços devem subir.”
“Talvez”, disse Belmore, em dúvida.
“Bronze Yohn não vai esperar”, Grafton reclamou. “Ele não precisa navegar através de Vila Gaivota, ele tem seus próprios portos. Enquanto estamos acumulando nossa colheita, Royce e outros Senhores Declarantes transformarão as deles em prata, você pode ter certeza disso.”
“Esperemos que assim seja”, disse Petyr. “Quando seus celeiros estiverem vazios, eles vão precisar de cada pedacinho dessa prata para comprar o sustento de nós. E agora, se me dão licença, meu senhor, ao que parece minha filha precisa de mim.”
“Lady Alayne”, disse Lorde Grafton. “Você está graciosa esta manhã.”
“É gentil em dizer isso, meu senhor. Pai, sinto muito por incomodá-lo, mas pensei que você gostaria de saber que os Waynwoods chegaram.”
“E Sor Harrold está com eles?”
Horrível Sor Harrold. “Ele está.”
Lorde Belmore riu. “Nunca pensei que Royce iria deixá-lo vir. Ele é cego, ou simplesmente estúpido?”
“Ele é honrado. Às vezes, é a mesma coisa. Se ele negasse ao rapaz a chance de se provar, poderia criar uma tensão entre eles, então por que não deixá-lo justar? O garoto de modo algum tem habilidade o suficiente para ganhar um lugar entre os Cavaleiros Alados.”
“Suponho que não”, disse Belmore, a contragosto. Lorde Grafton beijou Alayne na mão, e os dois senhores saíram, deixando-a sozinha com o senhor seu pai.
“Venha”, Petyr disse, “caminhe comigo.” Ele a pegou pelo braço e levou-a mais a fundo nas caves, passando por um calabouço vazio. “E como foi o seu primeiro encontro com Harry o Herdeiro?”
“Ele é horrível.”
        “O mundo está cheio de horrores, querida. A essa altura você deveria saber disso. Já viu o suficiente deles.”
“Sim”, ela disse, “mas por que ele tinha que ser tão cruel? Ele me chamou de sua bastarda. Ali no pátio, na frente de todos.”
“Até onde ele sabe, e quem você. Este noivado não foi ideia dele, e Bronze Yohn sem dúvida o advertiu contra minhas artimanhas. Você é minha filha. Ele não confia em você, e ele acredita que está abaixo dele.”
“Bem, eu não estou. Ele pode pensar que é algum grande cavaleiro, mas Sor Lothor diz que ele não passa de um escudeiro arrivista.”
Petyr colocou seu braço ao redor dela. “Ele é, mas ele é o herdeiro de Robert também. Trazer Harry aqui foi o primeiro passo de nosso plano, mas agora temos de mantê-lo, e só você pode fazer isso. Ele tem uma fraqueza por um rosto bonito, e que rosto é mais bonito do que o seu? Encante-o. Fascine-o. Enfeitice-o.”
“Eu não sei como”, ela disse tristemente.
“Oh, eu acho que sabe,” disse Mindinho, com um daqueles sorrisos que não alcançavam seus olhos. “Você será a mulher mais linda no salão essa noite, tão adorável quanto a senhora sua mãe na sua idade. Eu não posso te colocar sentada no estrado, mas você terá um lugar de honra acima do sal e embaixo de uma arandela. As chamas irão reluzir em seus cabelos, para que todos vejam o quão bela é sua face. Mantenha uma colher longa à mão para espantar os escudeiros, querida. Você não vai querer garotos verdes debaixo dos pés quando cavaleiros vierem suplicar pelo seu favor.”
“Quem usaria o favor de uma bastarda?”
“Harry, se ele tiver o juízo que os deuses concedem aos gansos… mas não o dê a ele. Escolha outro galante, e favoreça-o. Você não quer parecer muito ansiosa.”
“Não,” disse Alayne. “Lady Waynwood insistirá para que Harry dance com você, eu posso garantir isso. Essa será sua chance. Sorria para o rapaz. Toque-o enquanto você fala. Provoque-o, para despertar seu orgulho. Se ele estiver correspondendo, diga que está se sentindo fraca, e peça que ele te leve para fora, a fim de respirar um pouco de ar fresco. Nenhum cavaleiro recusaria tal pedido de um bela dama.”
“Sim,” ela disse, “mas ele pensa que eu sou uma bastarda.”
“Uma bela bastarda, e filha do Senhor Protetor.” Petyr a puxou para perto e lhe deu um beijo em cada bochecha. “A noite pertence a você, querida. Lembre-se disso, sempre.”
“Eu tentarei, pai,” ela disse.
O banquete se provou ser tudo que seu pai prometera.
Sessenta e quatro pratos foram servidos, em honra aos sessenta e quatro concorrentes que haviam chegado até o momento para competir pelas asas prateadas perante seu senhor. Dos rios e dos lagos vieram lúcios, trutas e salmões, dos mares caranguejos, bacalhau e arenque. Havia patos, e capões, pavões em sua plumagem e cisnesao leite de amêndoas. Leitões foram servidos torrados com maças em suas bocas, e três grandes auroques inteiros foram assados sobre fogueiras no pátio do castelo, visto que eram muito grandes para passarem pelas portas da cozinha. Nacos de pão quente encheram as mesas do salão de Lorde Nestor, e enormes rodas de queijo foram trazidas dos depósitos. A manteiga era recém-preparada, e havia alho-poró e cenouras, cebolas assadas, beterrabas, nabos e mais nabos. E o melhor de tudo, os cozinheiros de Lorde Nestor prepararam uma esplêndida sutileza, um bolo de limão com o formato da Lança do Gigante, doze pés de altura e adornado com um Ninho da Águia feito de açúcar.
Para mim, Alayne pensou, enquanto eles traziam o bolo. Passarinho também amava bolos de limão, mas só depois que ela lhe disse que eles eram seus favoritos. O bolo precisou de todos os limões do Vale, mas Petyr prometeu encomendar mais de Dorne.
Também havia presentes, presentes esplêndidos. Cada um dos competidores recebeu um manto de pano de prata e um broche de lápis-lázuli com a forma de asas de falcão. Boas adagas de aço foram dadas aos irmãos, pais, e amigos que vieram vê-los na disputa. Para suas mães, irmãs e damas havia peças de seda e renda de Myr.
“Lorde Nestor tem uma mão aberta,” Alayne ouviu Sor Edmund Breakstone dizer.  “Uma mão aberta e um dedo mindinho,” Lady Waynwood respondeu, com um aceno de cabeça em direção a Petyr Baelish.  Breakstone não demorou a entender.  A verdadeira fonte de tamanha generosidade não era Lorde Nestor, mas o Senhor Protetor.
Quando o último prato foi servido e retirado, as mesas foram levantadas de seus cavaletes a fim de liberar espaço para a dança, e os músicos foram trazidos.
“Não há cantores?” perguntou Ben Coldwater.
“O pequeno senhor não consegue tolerá-los,” Sor Lymond Lynderly respondeu. “Não desde Marillion.”
“Ah… esse foi o homem que matou a Senhora Lysa, sim?”
Alayne se manifestou. “Seu canto a agradava imensamente, e talvez ela o tenha favorecido demais. Quando ela se casou com meu pai ele enlouqueceu e a empurrou pela Porta da Lua. Lorde Robert odeia cantores desde então. Ele ainda aprecia música, porém.”
“Assim como eu,” Coldwater disse. Levantando-se, ele ofereceu sua mão a Alayne. “Me concederia a honra desta dança, minha senhora?”
“É muito gentil,” ela disse, enquanto ele a conduzia pelo salão.
Ele foi seu primeiro parceiro da noite, mas longe de ser o último. Bem como Petyr prometera, os jovens cavaleiros se amontoaram ao redor dela, disputando seu favor. Depois de Ben veio Andrew Tollett, o belo Sor Byron, Sor Morgarth do nariz vermelho, e Sor Shadrich, o Rato Louco. Então Sor Albar Royce, irmão robusto e maçante de Myranda e herdeiro de Lorde Nestor. Ela dançou com os três Sunderlands, nenhum dos quais tinha teias entre os dedos da mão, embora ela não pudesse dizer nada a respeito dos dedos dos pés. Uther Shett apareceu para elogiá-la pegajosamente enquanto pisava em seus pés, mas Sor Targon o Meioselvagem provou ser a alma da cortesia. Depois disso Sor Roland Waynwood a pegou e a fez rir com comentários zombeteiros sobre metade dos outros cavaleiros no salão. Seu tio Wallace também teve uma dança e tentou fazer o mesmo, mas as palavras não vieram. No final, Alayne teve pena dele e começou a tagarelar alegremente, para poupá-lo do embaraço. Quando a dança terminou ela pediu licença, e voltou para seu lugar a fim de beber algum vinho.
E lá estava ele, o próprio Harry o Herdeiro; alto, bonito, carrancudo. “Senhora Alayne. Posso ser seu parceiro nesta dança?”
Ela considerou por um momento. “Não. Acho que não.”
As bochechas dele ficaram coradas. “Fui imperdoavelmente rude com você no pátio. Você precisa me perdoar.”
"Preciso?" Ela jogou o cabelo, tomou um gole de vinho, o fez esperar. "Como você pode perdoar alguém que é imperdoavelmente rude? Vai explicar isso para mim, sor?"
Sor Harrold parecia confuso. "Por Favor. Uma dança."
Encante-o. Fascine-o. Enfeitice-o. “Se você insiste.”
Ele balançou a cabeça, ofereceu o braço, levou-a para a pista. Enquanto esperavam que a música continuasse, Alayne olhou para o estrado, onde Lorde Robert estava sentado os encarando. Por favor, ela rezou, que ele não comece a se contorcer e sacudir. Não aqui. Não agora. Meistre Colemon teria se certificado de fazê-lo beber uma forte dose desonodoce antes da festa, mas mesmo assim.
Então, os músicos iniciaram uma canção, e ela dançou.
Diga alguma coisa, pediu a si mesma. Você nunca vai fazer Sor Harry te amar se não tiver a coragem de falar com ele. Ela deveria dizer a ele que bom dançarino ele era? Não, ele provavelmente ouviu isso uma dúzia de vezes esta noite. Além disso, Petyr disse que eu não deveria parecer ansiosa. Em vez disso, ela disse: "Ouvi dizer que você está prestes a ser pai." Não era algo que a maioria das garotas diria ao seu quase-noivo, mas ela queria ver se Sor Harrold iria mentir.
"Pela segunda vez. Minha filha Alys tem dois anos de idade."
Sua filha bastarda Alys, Alayne pensou, mas o que ela disse foi: "Aquela tinha uma mãe diferente, no entanto."
"Sim. Cissy era uma coisinha bonita quando a encontrei, mas o parto a deixou gorda como uma vaca, então Lady Anya arranjou para ela se casar com um de seus homens de armas. Com Saffron* é diferente."
“Saffron?”  Alayne tentou não rir. "Realmente?"
Sor Harrold permitiu-se corar. “O pai dela diz que ela é mais preciosa para ele do que o ouro. Ele é rico, o homem mais rico da Vila Gaivota. Uma fortuna em especiarias.”
“Que nome dará ao bebê?", Perguntou ela. "Cinnamon* se for uma menina? Cloves* se for um menino?”
Isso quase o fez tropeçar. “Minha senhora graceja.”
“Oh, não”. Petyr irá uivar quando eu lhe contar o que disse. 
“Saffron é muito bonita, lhe garanto. Alta e magra, com grandes olhos castanhos e cabelos como o mel.”
Alayne levantou a cabeça. “Mais bela do que eu?”
Sor Harrold estudou seu rosto. “Você é graciosa o suficiente, admito. Quando Lady Anya me contou sobre este arranjo, eu estava com medo de que você pudesse se parecer com seu pai.”
“Barbinha pontuda e tudo?” Alayne riu.
“Eu nunca quis dizer…”
“Espero que você juste melhor do que fala.”
Por um momento ele pareceu chocado. Mas, conforme a música acabava, ele desatou a rir. “Ninguém me disse que você é inteligente.”
Ele tem bons dentes, ela pensou, alinhados e brancos. E quando ele sorri, suas covinhas são belas. Ela correu um dedo pela sua bochecha. “Se um dia nos casarmos, terá que enviar Saffron de volta para seu pai. Serei todo o tempero que irá desejar.”
Ele sorriu. “Vou exigir essa promessa, minha senhora. Enquanto esse dia não chega, posso usar o seu favor no torneio?”
“Não pode. Está prometido para... outro." Ela ainda não tinha certeza de quem, mas sabia que encontraria alguém.
* Nota da Tradução: Os termos "cinnamon", "clove" e "saffron" em inglês significam “canela”, “cravo” e “açafrão”, respectivamente. São todos especiarias.

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