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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Dia dos Namorados, Amor e Paixão na Filosofia

O que é o Amor? O que é a Paixão? Há diferença entre eles? O que os filósofos tem a dizer sobre isso? 

A PAIXÃO

Quem disse que só os humanos podem amar?
“Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.” - Nietzsche.

Quantas vezes já ouvimos alguém dizer, até com orgulho, que está apaixonado  ou que, ainda, o amor é resultado da paixão. Por isto escrevemos este artigo, de forma a desvendarmos um pouco sobre o que, de fato, significa estar apaixonado por algo ou por alguém e o que, de fato, é o amor.
Primeiramente, deixemos claro que paixão não é sentimento. A paixão pertence ao mundo da personalidade, enquanto os sentimentos emanam do ego superior. Em outras palavras: a paixão é egoísta, enquanto os sentimentos são puros e altruístas, a paixão provém do nosso corpo mental concreto, da nossa mente dos desejos, que é um dos  corpos o qual, juntamente com o corpo emocional, o vital e o étero-físico compõem a nossa personalidade mortal, temporal, passageira. Os sentimentos, entretanto, vêm da nossa tríade superior, dos nossos corpos por essência altruístas, que se encontram ainda latentes no homem, os quais um dia conquistaremos.
Escultura em parque público – França. Seja o Amor ou a Paixão
você acabara indo longe.
“Paixão é acertar com a pessoa errada e vê-la ir embora, amar é errar com a pessoa certa e mesmo assim, vê-la ficar.” - Ludwig Plateau.
A partir deste raciocínio, passamos a entender também que a nossa felicidade jamais pode estar calcada em algo que seja exterior a nós,  pois, mais cedo ou mais tarde, perecerá junto com o objeto do desejo, ao passo que a verdadeira felicidade não provém da paixão e sim do amor, já que o amor como sentimento nos une ao eterno, ao cosmo e, consequentemente, a tudo o que existe. Destarte, somente pelo caminho do amor podemos ser felizes e verdadeiramente livres, enquanto pela paixão  tornamo-nos escravos dos bens desejados e infelizes em face da temporalidade dos objetos da paixão.
Esta pintura chamada de O Beijo, foi pintado por Francesco Hayez no século XIX. Antes disso, os beijos não apareciam com freqüência na arte ocidental, com raridade esse tema era exposto por ser considerado intimo.
"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?" - Fernando Pessoa.

0 AMOR

"Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo." - Pitágoras.
O Beijo, obra de Henri de Toulouse-Lautrec trás aspectos metamórficos e efêmeros no ambiente.
A tradição filosófica retomará de um modo geral esta oposição entre o amor e o egoísmo (cf. Leibniz: "Amar é regozijar-se com a felicidade de outrem.", entre o amor-paixão (egoísta) e o amor-acção (altruísta) -- desde os estóicos que condenam sem apelo o amor-paixão, a Kant que (distinguindo duas formas de amor: o amor patológico, ligado à nossa sensibilidade e interesse, e o amor prático, preocupação verdadeira e desinteressada pelo bem do outro) demonstra que só o "amor prático" é moralmente aceitável, enquanto o "amor patológico" (impossível de controlar) é desatino e desprezo pelo outro. Todavia é possível pôr em causa esta dicotomia e defender "que existe entre a consciência moral e a consciência amorosa uma afinidade secreta." - Alain Finkiekraut, La Sagesse de l’amour. "Afirmando que o amor é a principal motivação da filosofia." (O Banquete), Platão descobre o lugar central deste conceito. Mas convém distinguir cuidadosamente o amor egoísta e possessivo que persegue o outro como um objecto a devorar "o amante ama o amado como o lobo ama o cordeiro", escreveu Platão e o amor autêntico que liberta do sofrimento e do desejo e conduz  a alma ao banquete divino. Pois o amor verdadeiro – rapidamente saciado pelos alimentos sensíveis – só pode ser satisfeito pela contemplação, para além do belo, do verdadeiro e do bem.

O encontrar-se consigo mesmo em outro ser.
Diferentemente do conceito de amor platônico, quando se fala do amor em Platão estamos nos referindo ao pensamento deste filósofo sobre o amor. A noção de amor é central no pensamento platônico. Em seus diálogos, Sócrates dizia que o amor era a única coisa que ele podia entender e falar com conhecimento de causa. Platão compara-o a uma caçada (comparação aplicada também ao ato de conhecer) e distinguia três tipos de amor: o amor terreno, do corpo; o amor da alma, celestial (que leva ao conhecimento e o produz); e outro que é a mistura dos dois. Em todo caso o amor, em Platão, é o desejo por algo que não se possui.

"Tão bom morrer de amor e continuar vivendo." - Mario Quintana.
O Beijo - Escultura de Rodin. Do fabuloso escultor, o mais fantástico gesto, a mais magnifica expressão  do quer humano.
A temática do amor é comum a quase todos os filósofos gregos, entendido como um princípio que governa a união dos elementos naturais e como princípio de relação entre os seres humanos.
Depois de Platão, entretanto, só os platônicos e os neoplatônicos consideraram o amor um conceito fundamental. Em Plutarco o amor é a aspiração daquilo que carece de forma (ou só a tem minimamente) às formas puras e, em última instância, à Forma Pura do Bem. Em "As Enéadas", Plotino trata do amor da alma à inteligência; e na sua Epistola ad Marcelam, Porfírio menciona os quatro princípios de Deus: a fé, a verdade, o amor e a esperança. No pensamento neoplatônico, o conceito de amor tem um significado fundamentalmente metafísico ou metafísico-religioso.
"Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor." - William Shakespeare.

Os TIPOS de Atração

O Beijo Roubado, de Jean-Honoré Fragonard (1788) . Hermitage São Petersburgo - Rússia, The Bridgeman Art Library International. Esse quadro me faz lembrar que se existe o beijo na arte, também deve existir uma arte no beijo.
Eros representa a parte consciente do amor que uma pessoa sente por outra. É o amor que se liga de forma mais clara à atração física, e frequentemente compele as pessoas a manterem um relacionamento amoroso continuado. Nesse sentido também é sinônimo sensualidade que leva a atracção física e depois às relações sexuais.
Ao contrário vem a Psique, que representa o sentimento mais espiritual e profundo.
Pragma (do grego, "prática", "negócio") seria uma forma de amor que prioriza o lado prático das coisas. O indivíduo avalia todas as possíveis implicações antes de embarcar num romance. Se o namoro aparente tiver futuro, ele investe. Se não, desiste. Cultiva uma lista de pré-requisitos para o parceiro ou a parceira ideal e pondera muito antes de se comprometer. Procura um bom pai ou uma boa mãe para os filhos e leva em conta o conforto material. Está sempre cheio de perguntas. O que será que a minha família vai achar? Se eu me casar, como estarei daqui a cinco anos? Como minha vida vai mudar se eu me casar?
Amor interessado em fazer bem a si mesmo, Amor que espera algo em troca.

A mulher passiva. Vitima ou Conquistadora?
"O amor é melhor loucura de um sábio e a maior sabedoria de um louco." - Ronnison.

Philia significa altruísmo, generosidade. A dedicação ao outro vem sempre antes do próprio interesse. Quem pratica esse estilo de amor entrega-se totalmente à relação e não se importa em abrir mão de certas vontades para a satisfação do ser amado. Investe constantemente no relacionamento, mesmo sem ser correspondido. Sente-se bem quando o outro demonstra alegria. No limite, é capaz até mesmo de renunciar ao parceiro se acreditar que ele pode ser mais feliz com outra pessoa. É visto por muitos, como uma forma incondicional de amar.
A interpretação cristã sobre a origem de Jesus, engloba este tipo de amor para descrever o ato de Deus, que, ao ver a humanidade perdida, entrega seu filho unigênito, para ser morto em favor do homem.
Henri de Toulouse Lautrec em Bed the Kiss(1892). O amor jovem, semente de muitos problemas.
"Todo homem é poeta quando está apaixonado." - Platão
O beijo mais famoso da Sétima Arte, até hoje poucos fizeram tão sucesso quanto esse.
Stroge. O nome da divindade grega da amizade é Storge. Por isso, quem tende a ter esse estilo de amor valoriza a confiança mútua, o entrosamento e os projetos compartilhados. O romance começa de maneira tão gradual que os parceiros nem sabem dizer quando exatamente. A atração física não é o principal. Os namorados-amigos não tendem a ter relacionamentos calorosos, mas sim tranquilos e afetuosos. Preferem cativar a seduzir. E, em geral, mantêm ligações bastante duradouras e estáveis. O que conta é a confiança mútua e os valores compartilhados. Os amantes desse tipo revelam satisfação com a vida afetiva. Acontece geralmente entre grandes amigos. Normalmente os casais com este tipo de amor conhecem muito bem um ao outro.
O Último Adeus - de Alfredo Oliani no Cemitério São Paulo é a mais comentada obra de arte cemiterial. Uma clara alusão à figura de Romeu e Julieta.
"Os homens que se emocionam com as paixões são capazes de ter mais doçura na vida." - Descartes.
Hinata e Naruto, os animes japoneses deferentes das produções estadunidense,  sempre frisaram muito bem a questão do beijo, do amor, das paixões e de outros sentimentos em suas tramas.
"O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará."  1 Cor13:4-8.

O BEIJO


O Beijo na Arte. Poucos temas trazem um choque visual tão forte e intenso, mesmo em diferentes épocas, culturas e estilos, UM BEIJO SERÁ SEMPRE UM BEIJO!
Uma das muitas variações do pintor sobre o tema.

O segredo das faces, o beijo para esse grande artista (um dos meus favoritos) é uma possibilidade, o que também é uma assinatura do próprio Magritte.
Os poucos detalhes do escultor não minimiza o ato, mas o intensifica. Aqui o amor está equilibrado.
Pessoalmente, eu prefiro o "Guernica", mas não se enquadraria na temática dessa publicação.
Já foi dito que "O beijo é a menor distância entre dois corações apaixonados." O tema dessa postagem é a principio romântico, mas também levar a pessoa à pensar, na sociedade moderna, não estaríamos banalizado o ato? Mergulhamos em festas e baladas em busca de uma companhia passageira, onde atos como beijar perdem o emocional se liga ao intencional. Podemos se perguntar: Ainda estamos mesmo beijando quem está conosco? Ou isso é apenas um ato necessário para se chegar mais longe na noite?

Natiara, essa postagem é para você amor.
FELIZ DIA DOS NAMORADOS!

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