Papos sobre literatura, séries, cinema e mais.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Livro: Canção, estética e política — Ensaios legionários



ISBN: 978-85-7591-208-9
Páginas:    176
Formato:   Brochura 21 x 21 cm
Edição:
Idioma: Português
Ano:          2012
Autor:       Marcos Carvalho Lopes
Editora:     Mercado de Letras
Assunto:    Filosofia-Artes-Música
Valor:        R$60,00 à R$70,00


Marcos Carvalho Lopes, 31 anos, era professor de filosofia em escolas estaduais de sua cidade natal, Jataí (GO), quando decidiu, no começo dos anos 2000, se utilizar de letras de canções da Legião Urbana para despertar em seus alunos interesse pela disciplina. Fã da banda desde meados da década anterior, o jovem não era do tipo que ia a shows, mas se impressionava com as ideias que embasavam os escritos de Renato Russo. Os estudos informais foram ganhando consistência e Marcos decidiu colocá-los no papel. Entre 2001 e 2007, dedicou-se a escrever Canção, estética e política — Ensaios legionários, que chega agora às lojas, pelo Mercado de Letras.


O autor Marcos Carvalho Lopes destacou alguns trechos interessantes de sua obra:

"Invertendo paradigmas sociais – feito comum nas canções da Legião onde existem narrativas, em Eduardo e Mõnica é ela quem “comanda” a relação: é mais velha, faz medicina, fala alemão, tem um gosto literário e musical refinado (gosta da poesia de Manoel Bandeira e do francês Arthur Rimbaud, das canções de Bauhaus, Mutantes e Caetano Veloso, da pintura de Van Gogh...) é mística, é punk (usa tinta no cabelo) e liberal. Eduardo aparece como um rapaz caseiro, de classe média burguesa, muito ligado aos valores familiares. Dessa combinação inusitada, surge uma relação amorosa, que cultivada (fizeram juntos natação, artesanato, teatro e viagens), fez com que conseguissem certo equilíbrio. Juntos (brigando, trabalhando, comemorando, etc.) construíram uma casa, uma família e todos dizem que são diferentes, mas se completam. Mesmo “com tudo diferente” inventaram uma saída poética por meio do amor." (p.64).

Começa o faroeste. Mas, o que diz “faroeste”? Esse nome nos trás a memória um gênero cinematográfico que, diferentemente de outros que se definem pelo sentimento que causariam no espectador (drama, suspense, terror etc.), representa uma região geográfica numa época específica: o “Oeste Selvagem” (Wild West ) dos Estados Unidos na segunda metade do século XIX, no período que vai da Guerra Civil ao fim da expansão dos rebanhos e da exploração de minérios, por volta de 1880. A chamada “marcha para o Oeste” (que deu origem ao nome far west ), teve como objetivo a busca por terras e ouro, o sonho de que nas regiões selvagens estariam as oportunidades de futuro e liberdade. No entanto, a rápida ocupação territorial gerou uma sociedade onde, sem a presença do Estado, valia a lei do mais forte.[...] Na história de João do Santo Cristo a “marcha para o Oeste” é a migração da personagem de uma região pobre do nordeste brasileiro em busca de um lugar onde tivesse oportunidades. Brasília surge como a “visão do paraíso”, uma terra prometida em sua dimensão utópica estrutural. (p.78-79).

[...] ao abandonar o mundo em favor de um ideal, ao procurar um ponto fixo a partir do qual tudo poderia ser explicado, o discurso da Legião Urbana caiu na metafísica como descrita por Jorge Luis Borges: uma espécie de literatura fantástica que nos causa admiração e assombro, mas que é constantemente desmentida pela realidade. O sentimento exaltado em As Quatro Estações é um ideal, o discurso desse álbum é de idealismo-romântico. A tediosa obsessão romântica com a morte e a sublimação ganham contornos políticos de transformação social: num momento em que o país se preparava para eleger democraticamente um presidente, depois de mais de 25 anos, o discurso da Legião Urbana captou e refletiu bem a esperança utópica de que a democracia poderia trazer consigo uma melhoria nas condições de vida da população. O confronto com a realidade facilmente “derreteria as asas de cera” desse idealismo romântico pós-moderno: infelizmente, isso era inevitável, não só para esse grupo de rock, mas para o país inteiro. (p.117).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradecemos sua visita. Confira outros posts sobre este assunto. Deixe aqui o seu comentário, crítica, sugestão. Curta o Um Fílosofo na Web no Facebook e siga no Twitter ou Instagram. Obrigado!

: PARCEIROS :

Grupo Editorial Autêntica

Editora Novo Conceito

Seguidores