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V de Vingança uma Análise de Idéias

Um dos personagem mais icônicos e um símbolo da cultura pop que por vezes assusta governos e empresas quando seu rosto é seguido da palavras "tango down". Como entender o fascínio provocado por esse enigmático personagem que superou as barreiras do tempo?



A historia, a obra de gráfica e o filme que é um estouro. A revista norte-americana Time questionou: “É possível para um grande estúdio de Hollywood fazer um filme de U$ 50 milhões no qual o herói é um terrorista? Um terrorista que aparece usando um colete de dinamite de um homem-bomba, que adota como lema, debaixo de uma máscara de madeira que ele nunca tira, que ‘explodir um prédio pode mudar o mundo’?”


O filme se baseia nos quadrinhos V de Vingança (V for Vendetta, no original) de Alan Moore e David Lloyd publicados em Agosto de 1988 (mês e ano em que eu nasci ^^). Baseado em sua insatisfação diante das adaptações de seus outros trabalhos, como Constantine, Liga Extraordinária e Do Inferno, Alan Moore reprovou a realização do filme antes mesmo das filmagens. David Lloyd, por sua vez, colaborou com a produção e deu declarações afirmando que o filme seria, obrigatoriamente, algo diferente da história em quadrinhos original ( e é, poderão ler alguns destaques que separei para comparação). Mas, mesmo com a reprovação de Moore e com alterações na história que serão sentidas por alguns fãs, o filme mantém o que há de essencial e subversivo dos quadrinhos (a Ideia).
Com um roteiro dos famosos irmãos Wachowski, da trilogia Matrix e Piratas do Caribe, e dirigido pelo iniciante James Mcteigue, (que também trabalhou em Matrix), V de Vingança é um blockbuster hollywoodiano que teve grandes plateias e um efeito intelectual muito bom. Quem interpreta V é Hugo Weaving, que atuou em Matrix, na pele do Agente Smith. O surpreendente é que a indústria do cinema não conseguiu impedir que o filme fosse uma ácida crítica a George Bush e Tony Blair, nem que tivesse como herói um mascarado explodindo prédios públicos, um herói que é um “vilão”.


O personagem principal, que quer ser chamado apenas pelo codinome V, não tira sua máscara nem para fritar um ovo! O filme se passa numa Inglaterra de 2020 (aproximadamente). Se a HQ dá a entender de que se instaurou uma ditadura empresarial-militar fascista decorrente de um golpe de estado (situação ainda muito presente no início dos anos 1980, década em que foi escrita), no filme, o grupo chega ao poder através de eleições, o que já demonstra a incorporação da democracia formal pela burguesia no século XXI. Que tem à frente um governo totalitário, eleito com o discurso de que a população deve abrir mão de seus direitos e liberdades para que o Estado a “proteja” da ameaça terrorista.
V planeja explodir o prédio do Parlamento no dia 5 de novembro. A data se refere à história de Guy Fawkes, um soldado inglês, católico, que, num ato contra o governo protestante da época, pretendia destruir o prédio do Parlamento britânico que ficou conhecido como a Conspiração da Pólvora. Ele foi preso em 5 de novembro de 1605 e enforcado alguns meses depois. A noite de 5 de novembro é lembrada até hoje na Inglaterra com fogos, fogueiras e com a queima de bonecos de Guy Fawkes, algo como a malhação de Judas (não importa a religião, a época ou o país, alguém sempre vai para na focar ou na fogueira rsrs).
Dos quadrinhos para as telonas
Os fãs dos quadrinhos notarão muitas diferenças entre a graphic novel e o filme. Tais diferenças, entretanto, não desagradaram a maioria, pois o resultado é um grande filme, que preserva o melhor da história e acrescenta aspectos importantes, inexistentes no papel. Além disso, a versão cinematográfica “corrigiu” alguns aspectos e salientou outros da trama (como deixar de lado as traições de uma das mulheres de um dos membros do partido).



A maioria das supressões são justificadas pelo tempo de duração da história, mais ainda assim é incrível que eles tinham conseguido resumir bem a historias de um herói em um único filme. Nos quadrinhos, a história é bastante complexa e dura vários anos, algo complicado de se transpor para o cinema. Isso foi determinante para o filme não poder mostrar a lenta transformação da personagem Evey dos quadrinhos, que no início era uma garota assustada de 16 anos que se prostituía e depois se torna a corajosa parceira de V. Nas telas, Evey (Natalie Portman, de Free Zone e Closer) já surge como uma mulher decidida e questionadora. É uma jovem bem instruída, amante das artes, porém assustada e temerosa. Seus pais foram executados pelas forças policiais por serem ativistas políticos que protestavam contra a ascensão do grupo fascista ao poder e ainda por cima, trabalha no canal BTN, a TV estatal rigidamente comandada pelo governo. Ela é salva por V após quase ser estuprada pelos Homens-Dedo (policiais). Seu personagem passa por uma verdadeira metamorfose no decorrer da película. Se no início do filme, mostrava-se servil e obediente ao sistema (apesar da plena consciência da tirania no poder) e às normas legais, depois passa a compreender os propósitos de V, forjando assim, não uma consciência de classe, mas uma consciência de luta contra a opressão da sociedade. Outro aspecto incorporado por Evey em decorrência de sua convivência com V é a ausência de uma identidade própria. Liberta de seus medos e fraquezas, Evey consegue sobreviver na Londres caótica sem se deixar reconhecer (e talvez sem reconhecer a mesma Evey).
O detetive Finch (Stephen Rea, de Entrevista Com o Vampiro) dos quadrinhos é muito mais perturbado, menos decidido, que seu correspondente na adaptação. O filme também não mostra que sua compreensão sobre V aparece durante uma visão que teve em Larkhill (um tipo de campo de concentração para onde eram levados os excluídos da nova sociedade, o que incluía minorias étnicas, sexuais, imigrantes e ativistas políticos), durante uma viagem com LSD. Outra diferença é que, nos quadrinhos, o personagem V é puro ódio contra aqueles que lhe torturaram, manipularam suas propriedades psíquicas e fisiológicas, e esse desejo de vingança, o combustível para suas ações “terroristas”, fazendo assim a sua justiça pessoal, já que a justiça legalmente constituída não pertenceria mais aos cidadãos, mas à classe dominante, ele faz discursos a favor da anarquia e da ausência de líderes como esse trecho em que ele se encontra com a estátua da justiça do Old Bailey.


“V - “Eu a admirava, apesar da distância (personificada pela estátua no alto do Old Bailey). Ainda criança, passando pela rua, eu admirava sua beleza”. Porém, naquele contexto a Justiça não passava de uma meretriz que flertava com os homens de uniforme. Quando “perguntado” pela estátua sobre quem tomou o seu lugar, ele responde que “seu nome é anarquia [...] com ela, aprendi que não há sentido na justiça sem liberdade” (p.43)

O que desaparece no filme, na telona, representa o fiel cumpridor de ordens do chanceler em assuntos investigativos da polícia. Também membro do Partido, ele acredita que sua missão em prol da sociedade é manter a ordem e a unidade através do trabalho na polícia. Honesto, ele leva seu trabalho a sério em seus princípios e quando as sucessivas revelações escusas sobre membros do Partido são trazidas à tona em suas investigações, começa a se questionar sobre quais interesses realmente representa.
Esteticamente o filme é grandioso. Aproveita o contraste de luz e sombra dos desenhos de Lloyd, que compunham um ambiente depressivo para a sociedade totalitária do futuro. O filme acrescenta a esse clima imagens mais impactantes. A escuridão é explorada em todo o seu mistério. E a máscara de V, diante das diferentes cenas e luminosidades, possui uma expressividade sem igual, a face de um “inimigo” sorridente.


Indivíduo e coletivo

V é um personagem singular, cativante, expressivo, criativo e teatral. Tais características são tão suas quanto seus planos de transformação social e sua participação nesse processo. Como os super-heróis da Marvel, ele usa máscaras e usa um codinome em sua missão de salvar o mundo. No entanto, há uma grande diferença entre V e Batman ou Super-homem, muito além do método de atentados.

Neste ponto o filme "supera" os quadrinhos. O V das grandes telas defende a necessidade (e não é somente um detalhe) da ação das massas nas transformações. V pretende explodir prédios, mas também incitar o povo a se rebelar contra o governo tirano. Segundo ele, explodir um prédio como o Parlamento é algo simbólico, mas um símbolo não vale nada se não tiver o povo na rua. Mesmo que sua principal tática seja essa, por diversas vezes V mostra que a ação isolada é insuficiente. Assim, o atentado proposto por V se diferencia, por exemplo, dos atentados do 11 de setembro de 2001. Mesmo acertando um importante símbolo do imperialismo, a morte de milhares de pessoas, entre elas muitos imigrantes, não levou a uma mobilização dos trabalhadores e deu mais fôlego a Bush e Blair.
E, apesar de todas as ações serem planejadas por V, não há um heroísmo messiânico. A princípio é uma luta individual, uma vingança com ações planejadas por ele, inclusive com um toque teatral. Entretanto, o individual se quebra, em primeiro lugar, pela máscara e pelo codinome, que escondem até o fim a identidade do personagem. Depois, essa individualidade se dissolve por completo na multiplicação das máscaras na multidão, expressa ainda melhor na fala de V, que, ao ser ameaçado com uma arma, afirma que “você pode matar um homem, mas não um ideal”. E a batalha deixa de ser uma atitude isolada, fruto de uma vingança pessoal, que dá nome ao filme.

Além da liberdade

Há lacunas, frestas. Os fãs mais puristas poderão reclamar das diferenças entre o filme e os quadrinhos. Outros poderão argumentar que os discursos de V mais próximos ao anarquismo foram suprimidos na versão cinematográfica. Uma cena de luta muito ‘matrix’ também era dispensável.

Os problemas da sociedade que são destacados no filme e combatidos pelo personagem principal se resumem à falta de liberdade numa sociedade autoritária. Nem o filme nem os quadrinhos questionam a desigualdade social, se há miséria, desemprego ou fome naquela realidade.
Entretanto, por mais divergências que se possa ter com os métodos da luta isolada ou da guerrilha, com o anarquismo ou a ausência dele, ou com o tom liberal do discurso, V de Vingança faz sua revolução nas telas. Não se muda o mundo explodindo um prédio, mas nenhuma lacuna prejudica a importância de este personagem mascarado estar em cinemas de todo o planeta com falas como “o povo deve temer seu governo. O governo é que deve temer seu povo”.
Comparações HQ e Cenima
O enredo mostra a ascensão, o auge e a queda de um regime totalitário futurista firmado na Inglaterra.
  • Nas histórias em quadrinhos, o nome do ditador deste regime é "Adam James Susan". Na versão cinematográfica ele foi renomeado para "Adam Sutler", que em muito se parece com o de Adolf Hitler;
  • No enredo, a bandeira do partido que sustentava o regime totalitário possuía um símbolo com formas geométricas e ângulos retos, tal qual a suástica nazista. Além disto, a bandeira era de cores preta e vermelha, uma inversão das cores utilizadas pelo Partido Nacional Socialista Alemão (Partido Nazista);
  • A história do ditador Sutler é quase igual a de Adolf Hitler, em especial no que tange a sua ascensão junto ao partido e ao governo;
  • Após o Tratado de Versalhes, o regime nazista atribuía a culpa dos problemas da Alemanha aos judeus. Além dos judeus, iniciaram perseguição aos negros, aos ciganos, aos homossexuais e aos deficientes físicos. O regime fictício do enredo atribuía a culpa pelo atentado ocorrido no metrô e na escola aos muçulmanos. Posteriormente, fomentou também a perseguição contra homossexuais.
  • No enredo, o regime de Sutler cria campos de concentração tais quais os da Alemanha nazista;
  • Existe no enredo uma polícia secreta, chamada em português de Dedos (inglês: fingers). No regime nazista havia também uma polícia secreta, a Gestapo;
  • Há uma forte crítica ao clero no enredo, mostrando escândalos de pedofiliaassassinatos, e busca pelo poder. Além do mais, no enredo, há um acobertamento por parte do clero (provavelmente anglicano) às experiências feitas em seres humanos.
  • A fala acentuada de V no filme, provém muito possivelmente do personagem Edmond Dantes, interpretado por Robert Donat, no filme Conde de Monte Cristo, o mesmo que o V assiste.

Saiba mais se quiser:

Para os fãs:

Os HQs escaneados de V de Vingança estão disponíveis em PDF download no 4Shared.
#1  http://www.4shared.com/get/anA8CC8g/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html
#2  http://www.4shared.com/get/08lY445n/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html
#3  http://www.4shared.com/get/l91Yyh61/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html
#4  http://www.4shared.com/get/MC-GGL1x/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html
#5  http://www.4shared.com/get/DeduQAsQ/Alan_Moore_-_V_de_Vingana__Par.html

Resenha - Branco Letal, Robert Galbraith

Esse foi o primeiro livro que conclui neste ano de 2022, e devo dizer com muito prazer e segurança que já posso elencar como uma das melhores leitura deste ano. Lançado em Maio de 2019 pela Rocco, o quarto romance d'As aventura de Cormoran Strike coroa Robert Galbraith (pseudônimo de J. K. Rowling) como um dos nomes chaves do suspense e do romance policial nesta década. 



Atenção, este post contém spoilers. Se você ainda não leu e pretender ler Branco Letal, pare aqui!

Você foi avisado, siga por sua conta e risco.


Um começo singular

Após dois casos envolvendo celebridades e um terceiro que culminou por prender um estripador que aterrorizava as terras da Rainha, Cormoran está gozando de uma onda de fama que melhorou as contas da sua agência de detetive particular. Robin, sua sócia e "amiga querida" ainda sofre pelos traumas deixados pelos desfechos do livro anterior. Seria só mais um dia comum no escritório se não fosse pela chegada abrupta de Bill, um transeunte visivelmente alterado com problemas de higiene pessoal e alimentação. O malabarismo retórico de Comorarn para acalmar o visitante era igualmente destruído pelas interrupções da nova (e incompetente) secretária. Tudo começa com o "suposto assassinato de uma menina (ou menino), esganada e enterrada envolta em um lençol cor de rosa.". Foi o melhor "ponto de ignição" da serie de casos de Strike, misterioso, bem humorado, perplexo e banal.

Um Cliente Ilustre e uma Teia de Problemas

É visível e inegável que o(a) escritor(a) conseguiu amadurecer ainda mais os personagens e a qualidade das tramas que os envolvem. Comoran se vê contrato pelo Ministro da Cultura para tratar de um caso de chantagem que coincidentemente está ligado ao seu visitante alucinado, Bill. Mostrando que os perigos estão em todos os lugares e que o mundo da política é um ninho de víboras ao passo que as entranhas da alta sociedade londrina não é menos que um vespeiro só esperando uma provocação, JK introduz o leitor em um cenário conflitante de interesses que vão desde causas de moradores comunitários até chantagem milionárias e casos de traição. Robin, neste romance demonstra o quanto a jovem substituta temporária conseguiu evoluir como profissional de investigação. Usando toda uma atmosfera sufocante dos bastidores políticos de uma Londres que abraçava a realização do Jogos Olímpicos (2012), o leitor brasileiro não pode deixar de imaginar que o mesmo cenário é muito plausível nos eventos ocorridos no Brasil, nas catacumbas dos jogos políticos que vão de Brasília até as areias de Copacabana.

Cormoran e Robin vão logrando êxito em seu serviço ao Ministro da Cultura, até que no dia em que esperavam pela finalização do contrato com um cheque pomposo eles são presenteados com um  encontro com o seu contratante morto em casa, de pijamas num sofá com um tubo de gás na boca e um saco plástico envolta da cabeça. Daí em diante a mente que produziu o livro lança o leitor em uma paçoca de suspeitos, motivos e interesses que deixa o leitor zonzo pelas revelação que vão surgindo e as reviravolta a cada virada de página. O Branco Letal, sim, é viciante, do tipo que faz você ler por horas a fio.



Quem acompanhou as aventuras anteriores de Comoran e Robin, pode ver que nesta aventura não existe o óbvio, o suspeito clichê, a solução vaga que liga os pontos ou um deus ex machina para cobrir as pontas soltas da trama. O Branco Letal foi bem desenvolvido e bem coeso. A evolução dos protagonistas e o enfoque maior na vida pessoal de cada um, possibilita que o leitor entenda as suas atitudes e motivações. Já o plot da vida pessoal do Comoran Strike foi interessante, um dos pontos altos na minha opinião. As interações dele com a ex Charlotte após o "sumiço" da personagem no segundo livro, deixaram muito claro como ele ainda é muito afetado pelo relacionamento tóxico e obsessivo que ela proporcionou ao ponto de deixar sequelas em um ex-militar treinado na SIB de se envolver amorosamente com qualquer mulher de forma mais longa ou que não seja apenas sexo sem envolvimento emocional.


Em suma, recomendo o Branco Letal para quem está procurando um bom livro para se perder por horas. E digo mais, digo que é o melhor da série até agora. Vi que o próximo livro já foi lançado e pretendo começar a lê-lo em breve, esperando que seja tão bom quanto, se não melhor. E assim que possível, adicionar mais um livro para minha estante e mais uma resenha aqui.

Resenha - Origem, Dan Brown

Após um bloqueio literário de quase dois anos, finalmente voltei ao ritmo das leituras (ufa!), revigorado após esse período pandêmico, ainda que parafraseando antigos médicos medievais "a peste ainda está entre nós", agora com três doses da vacina, estou mais otimista para este ano. O maquinário voltou a brilhar para o exercício da leitura, tanto a leitura laborática quanto a leitura hedonista. E aqui vai a primeira resenha de 2022.

Essa resenha contém spoilers, fique avisado, se ainda não leu Origem e pretende ler, pare aqui!

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Começando pela capa, pois merece uma certa atenção. Inteligente, sutil e despretensioso spolier que os editores colocaram ali. Pois quem lê a sinopse encontra Gaudí antes mesmo de abrir o livro.


Agora vamos ao que importa: De onde Viemos? Para onde Vamos? Duas das três perguntas primordiais da humanidade (a saber, a terceira é "O que Somo?") são o ponto de partida desta trama. O Prólogo posiciona o leitor como um juiz convidado a questionar alguns dogmas que balizaram a condução da sociedade humana, deixando claro que mais uma vez o autor coloca num ringue intangível duas velhas amigas: Ciência e Religião. O primeiro "soco" é deferido por Kirsch direto na cara do Fórum das Religiões. Confrontado reflexões filosóficas, alvejando as respostas dadas pela Religião em conflito com as dadas pela Ciência.

Dan Brown inovou a receita do bolo mais uma vez, sem ariscar perder o sabor. Onde antes o leitor passeava por pinturas e desenhos (Anjo & Demônios, O Código Da Vinci, O Símbolo Perdido), depois saltando para os poemas épicos e criptas medievais (Inferno) chegando agora ao ápice artístico e abraçando a arquitetura espanhola em ballet com o modernismo das grandes galerias de arte conceitual.


Robert Langdon se vê mais uma vez jogado para resolver um assassinato, desta vez o morto é o seu aluno mais promissor, um apaixonado admirador de Antoni Gaudí, famoso arquiteto Catalão. Fazendo com que nosso querido simbologista dê uma aula extraordinária sobre a vida e obra nos principais pontos turísticos da Espanha. Acompanhando por uma jovem curadora de arte envolvida em um casamento que representa o choque entre o mundo tradicional e conservador espanhol e o choque da juventude e suas tendências liberais.

O ultramoderno do Museu Guggenheim de Bilbao é o palco das primeiras encenações, no desenrolar da trama são sutilmente cuspidas com muita habilidade pelo autor através de Wilson, a I.A. (Inteligência Artificial) desenvolvida por Kirsch que acompanha Langdom e Amber (a jovem curadora prometida ao príncipe da Espanha). Passeando por praticamente toda a obra de Gaudí o autor mais uma vez presenteia o seu leitor com descrições tão detalhadas que com facilidade transporta a nossa mente para os cenários mais deslumbrantes, e devo dizer: Obrigado Dan!

Os personagens nesta trama aparecem ainda mais maduros, não se referindo a idade, mas a sua construção e concepção, o que leva a crer que o autor levou mais tempo e pode se dedicar mais a esse trabalho do que nos dois primeiros livros da série de aventuras de Langdon.

O desfecho da aventura é tão surpreendente que sem dúvida pode ser descrito como o ponto mais genial e ousado de toda a produção do autor. Carregado de reflexões e implicações de sua plausível concretude em um futuro nada distante. De fato, ao mesmo tempo também pode ser visto como uma crítica e alerta do autor para o desenvolvimento de I.A.s como também alertava Stiphen Hawkins, pode ser visto como uma conclusão perfeita para uma trama que não tem vilões (Ei, eu disse que tinha spoiler aqui).

Interpretado por Tom Hanks, Robert Langdon é um personagem fictício, professor de iconografia religiosa e simbologia da Universidade Harvard.

Já postei aqui no meu blog uma discussão sobre I.A. e Filosofia, sobre as possibilidades e implicações sociais, jurídicas e existenciais de tal fenômeno. Apesar das pitadas de pistas e respostas do autor, eu penso que poderia ter tido uma discussão mais aprofundada a respeito disso ao invés de enveredar pela velha saída clichê da utopia tecnológica dando uma resposta muito "rápida", ainda assim muito coesa.

Resumindo essa obra em três palavras (eu sei, é um audácia minha), Origem é: Cultural, Instigante e Pretencioso.

Minha nova ordem de favoritismos das aventuras de Robert Langdon agora é:

1. Inferno. 2. Origem. 3. Anjos e Demônios. 4. O Símbolo Perdido. 5 O Código Da Vinci.

Leia o primeiro capítulo de Origem

O professor Robert Langdon está de volta após quatro anos de espera. A Editora Arqueiro, que publica a obra do best-seller Dan Brown no Brasil, divulgou hoje o primeiro capítulo de "Origem", o novo romance do escritor, que chega às livrarias do mundo todo no dia 3 de outubro.




Capa de "Origem", o novo romance de Dan Brown - Divulgação
Principal protagonista dos romances do best-seller americano Dan Brown — presente em "Anjos e demônios" (2000), "Código Da Vinci" (2003), "O símbolo perdido" (2009) e "Inferno" —, o professor de Harvard, especialista em simbologia e iconografia religiosa, viaja para Bilbao, na Espanha, acompanhar o anúncio de uma descoberta que iria mudar a ciência para sempre.

O responsável pela apresentação no icônico Museu Guggenheim é Edmond Kirsch, um bilionário de 40 anos que se tornou globalmente conhecido por suas invenções tecnológicas e suas previsões audaciosas. Kirsch foi um dos primeiros alunos de Langdon em Harvard e promete responder a duas questões fundamentais sobre a existência humana.

No meio do evento, entretanto, irrompe o caos e a descoberta pode ser perder para sempre. Ao lado da diretora do museu, Ambra Vidal, ele voa para Barcelona numa saga para localizara senha que pode abrir o segredo de Kirsch. A trama, bem ao estilo de Brown, mistura fatos históricos, extremismo religioso e arte.


LEIA AQUIO primeiro capítulo de 'Origem'


Não foi dessa vez Martin?!

E a espera supliciosa continua. Autor fala de novo livro dividido em duas parte e possibilidade de Winds of Winter esse ano é descarta mais uma vez.

Mesmo sem ter lançado Winds of Winter, George R. R. Martin anunciou um novíssimo livro de Game of Thrones. Mas fique tranquilo o livro da série principal não vai demorar mais por conta deste, afirma o autor.

O novo volume será chamado de Fire and Blood e será uma coletânea com diversas historias de Martin sobre os reis de Targaryen. O autor revelou que ele escreveu tantas histórias que este livro foi dividido em dois volumes por sua editora. A história contará especificamente sobre a parte da família Targaryen que vai de Aegon até Aegon III.

O primeiro volume de Fire and Blood não tem data de lançamento, mas ele espera que até o fim de 2018 já esteja nas lojas. A segunda parte deve chegar no começo de 2019.

Além disso a coletânea de contos The Book of Swords, organizada por Gardner Dozois e escrito por 16 autores — incluindo o próprio criador d'As Crônicas de Gelo e Fogo, ganhou uma data de lançamento para outubro.



Martin escreveu uma história completamente original para este livro chamada “The Sons of the Dragon”, Os filhos do Dragão em tradução livre. Apesar de ser canônico, Martin revela que ainda não leu nenhum dos outros quinze outros contos a serem publicados:

Ainda não li nenhuma outra história, mas olhando daqui parece uma lista e tanto de bons escritores.

George não esqueceu de Winds of Winter e pretende lançar dois livros em 2018. Ele diz que:

"Ainda estou trabalhando, ainda tenho alguns meses pela frente (quantos? Boa pergunta). Ainda tenho dias bons e ruins e é tudo o que vou dizer. Entre Winds [of Winter] e o primeiro volume de Fire and Blood, qual dos dois chegará primeiro às livrarias, é difícil dizer nesse momento, mas realmente acho que vocês terão um livro meu de Westeros em 2018... quem sabe, talvez dois. Um homem pode sonhar".

The Book of Swords será lançado no dia 10 de outubro por US$ 19,49 e deve chegar ao Brasil no final do mesmo mês ou início de novembro custando por volta de R$ 69,99.

Fonte: Jovem Nerd

Divulgados vídeos de Origem de Dan Brown

Após o sucesso inegável de Inferno (2013) os fás de Dan Brown agora entram em contagem regressiva para o novo sucessor a ser lançado por aqui em outubro. Origem (Origin)


Confira os primeiros vídeos promocionais do novo livro de Dan Brown, Origem.



O segundo vídeo o próprio autor aparece fazendo o convite para a nova aventura de Robert Langdon.




Eaí, o que achou desses vídeos já da pra sentir um pouco a volta do nosso simbologista? Até agora além da capa casa nada se sabe sobre o novo livro. Conforme divulgado pela editora, o livro é ambientado na Espanha, país em que o autor viveu na adolescência. O livro percorre lugares como Mosteiro de Montserrat, a Casa Milà e A Sagrada Família, em Barcelona, o Museu Guggenheim, em Bilbao, o Palácio Real de Madri e a Catedral de Sevilha. Acostumado a histórias eletrizantes Robert Langdon dessa vez terá a companhia de Ambra Vidal, a diretora do Museu.

Capa original de lançamento (EUA)

Capa provisória especulada (Br)
Conta pra gente o que você achou dos vídeos? Você é fã de Dan Brown? Já leu algum livro dele?



Castlevania - 1ª Temporada - Veredito

Um misto cronológico atropelado, primeira temporada encerra de forma razoável, mas não correspondendo as expectativas de fãs.




Sempre que é anunciado uma adaptação literária para os cinemas os leitores na maioria se preparam para o pior, no caso de adaptação de jogos para as telonas a situação é ainda mais tensa, pois os roteiros e a trama nem sempre são fechado como nos livros. Se para o cinema já é ruim imagina uma série televisiva? Mesmo assim a Netflix cumpriu a promessa de lançar o grande sucesso da Konami: Castlevania.

Inspirado no game de 1990, Castlevania III: Dracula’s Curse, a história começa em 1467 onde uma estudiosa da medicina encontra o Conde Vlad Tepes (Drácula) e de sua aproximação desprovida de medo surge uma parceria afetuosa. Um bom começo que parece ter "pegado emprestado" a formula do filme Drácula: A História Nunca Contada (2014).

A animação acertou em cheio no tom sombrio e aventureiro da trama, bem como na clareza das animações, apresentando uma história que evolui, apesar de hora engasgada e hora cuspida demais. O desenrolar dos eventos parecem quebrados e atropelados sem permitir que os protagonistas se desenvolvam muito bem.


Isso comprometeu a profundidades dos personagens principais. Lisa poderia ter sido melhor explorada como pesquisadora científica e mostrar como ou por que do Castelo ser tão tecnológico ou industrial; Drácula frente a perda de sua amada apesar de furioso não esboça muita dor e sofrimento sendo rapidamente guiado por um ódio conformista e vingança desprovida de ira. Trevor provavelmente o segundo personagem mais aguardado da série parece mais frio e insensível que o próprio Drácula, lembrando vez ou outra que "não se importa" com o que está acontecendo; Sypha melhora o "jogo" mas é um personagem descativante, quase um fardo para a própria trama. Por fim, Alucard que é provavelmente o personagem mais aguardado aparece na prorrogação, apesar de ser sem dúvida a melhor cena até aqui, o personagem mais elegante e carismático da série aparece simplesmente como um elo para criar uma empreitada contra seu pai e servindo de gancho para a próxima temporada, mau deu pra sentir o gostinho do que poderia ser capaz de fazer.


O Castelo, apesar de rápidas passagem mostrando mais o lado de fora que o lado de dentro, foi o ponto que mais agradou os fãs. A estética do castelo está fidedigna com o que era esperado, já que muitos temiam que o castelo parecesse mais uma mansão medieval ou um simples castelinho de pedra na beira de um penhasco. Esse foi mais um acerto dos produtores, pois mataria a série se o local de maior parte das aventuras futuras não fosse bom o bastante para guardar surpresas.

Dessa forma a temporada começou, se atropelou e se encerrou. Deixando os milhares de fãs com a sensação de um beijo sem lábios de uma promessa empolgante com a adaptação de um dos maiores clássicos dos games, matando o espírito de uma das mais rendosas e lucrativas franquias. Fica quase sem sentido esperar para 2018 os próximos 8 episódios da trama.

Opinião Pessoal

Apesar de ser um grande fã da franquia e já ter jogado todas as versões do jogo saíram até 2013. Confesso estar desapontado, o cenário fez pouco para criar uma sensação de perigo, sendo inicialmente chamativo e depois apático. Apesar de Castlevania ser uma animação madura com potencial, também é sobrecarregada de clichês com humor um pouco irritante e que estaria melhor sem. 

Arte do jogo original de 1990


Correios vai cobrar mais caro por livros pesados

Qual o peso da cultura? A agência dos Correios torna mais caro enviar livros acima de 2kg.

A notícia já foi confirmada. A partir de hoje, 14 de junho, os Correios mudaram as regras para envio de livros: títulos que pesem mais de dois quilos não poderão mais ser postados na modalidade impresso normal (exclusivo para livros), passando à modalidade PAC ou Sedex (para encomendas de produtos em geral).



A mudança encarece o frete em até 50% (PAC) e 200%(Sedex). Os mais afetados com a medida serão os leitores de fora da região Sudeste, que em alguns casos sequer contam com livrarias em suas cidades (uma triste realidade que já dura décadas). Somente em 2016, a Estante Virtual viabilizou, por meio de sua rede de livreiros, a compra e venda de mais de 1,4 milhões de livros a preços acessíveis para cidades fora da região sudeste, mas com a nova medida já se prever uma queda na venda devido o custo da acessibilidade, pois convenhamos, é beirando o absurdo você comprar um livro barato e pagar um preço que muitas vezes é o dobro do preço do livro.

Vale lembrar… 


Entendemos que a alteração na cobrança vai contra a Política Nacional do Livro (Lei 10.753 de 30/10/2003 – Capítulo IV), que estabelece tarifa postal preferencial reduzida para o livro brasileiro, como forma de estimular o incentivo a leitura. A medida já havia sido anunciada pela empresa em 2016, com restrições ainda maiores, mas foi revogada na época. O governo não vai precisar se esforçar tanto para dificultar nosso acesso a cultura, os preços já estão fazendo um ótimo trabalho.

Já não é bom, agora ficou pior.

Twelve virgins (Letra)

Essa canção aparace na animação Beowulf (2017) e no game homônimo sobre o guerreiro. 



Haviam doze virgens,
frísias, danas e francas.
Rasgamos seus vestidos,
pra ver suas belas ancas,

Nós somos os guerreiros,
que de longe vem.
Pegamos as mulheres
E as fazemos de reféns.

E se a mulher é mais valente,
vai ter briga bem felina.
Pra saber quem fica por baixo
e quem fica por cima. [Refrão]

A virgem mais gordinha,
não quis ficar pra traz.
Sumiu com meu salame
E disse quero mais...

Depois a prima dela.
Cobrou alguns tostões.
Pra apagar a vela
em outras posições.

E se a mulher é mais valente,
vai ter briga bem felina.
Pra saber quem fica por baixo
e quem fica por cima. [Refrão]

A loura bem jeitosa
levou todo meu dinheiro.
Mas valeu cada centavo.
Pois foi o dia inteiro.

A ruiva mais atirada
era uma moça de respeito.
Seios de uma mãe sem leite
mas de uma tara sem jeito.

E se a mulher é mais valente,
vai ter briga bem felina.
Pra saber quem fica por baixo
e quem fica por cima. [Refrão]

A mãe era Islandesa
E dava cambalhota
Pediu um iceberg
Pra refrescar as costas