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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Livro: Metallica e Filosofia - Um curso intensivo de cirurgia cerebral




Título Metallica e a Filosofia
Subtt.       Um Curso Intensivo de Cirurgia Cerebral
ISBN 9788537003091
Páginas 240
Edição 1
Formato BROCHURA
Editora Madras
Ano         2008
Assunto Filosofia
Idioma Português
Autor        William Irwin
Valor        R$ 20,00/30,00

Muito mais que uma banda barulhenta, o Metallica traz em suas músicas questões éticas, políticas e sociais do mundo moderno. Para aqueles que não o entendem, suas músicas não passam de ruídos desarmonizados, mas ir a fundo no significado de suas letras é enxergar as motivações dos integrantes e as relações discursivas subjacentes. Podemos, então, ver que os integrantes do grupo são mais que cabelos compridos e guitarras nas mãos. São seres humanos com pensamentos, idéias e emoções. Tudo isso transmitido por meio de suas melodias.  


Imagine se fosse possível observar a trajetória de uma banda como o Metallica e se deparar com detalhes de cada significado oculto, além dos aparentes, de todas as facetas possíveis das letras de suas músicas, álbum a álbum, numa nostálgica jornada para digerir tudo isso, tal como “algum tipo de monstro”.
Usando a linha de pensamento de diversos filósofos como Nietzsche, Platão, Aristóteles e Kant, “Metallica e a Filosofia” discorre sobre a trajetória da banda liderada por James Hetfield, sua superação do vício e a construção de uma ideologia que inspirou milhares de pessoas nos anos seguintes.

Ícone da cultura Rock, o Metallica já teve seu momento até nos Simpsons. 
Assim como citado no livro como exemplo, o percurso da vida de Hetfield pode ser separado para um breve entendimento como Cristão > Guerreiro > Budista. Sua educação com a tradição da Igreja de Cristo Cientista o fez perceber, ao longo dos anos, vários problemas evidentes em todas as doutrinas monoteístas. Um dos principais problemas dessa igreja era que ao ficar doente, a pessoa não poderia procurar cuidados médicos, somente rezar pela cura da alma.
De acordo com Nietzsche, assim como o livro cita, ele passou pelo processo da rejeição de todas as virtudes cristãs. Pôde então conceber a moral sem a religião. Muitas pessoas acham que isso é impossível, porém é muito mais comum do que imaginam.
O princípio de toda religião monoteísta é definido por Nietzsche como a “Moralidade do escravo”, pois tudo que é bom é a aceitação, dar a outra face, e aguentar os problemas terrenos para uma salvação em outra vida. É a valorização da morte/sofrimento em detrimento da vida. Já o estilo de vida de um guerreiro, inclusive também citado por Nietzsche, diz que o bom é a vontade de poder (valorizar a vida em detrimento da morte/sofrimento) e que todo o resto são fraquezas. Sob essa ótica, o certo e o errado não precisam de um prisma religioso para que possa haver ordem. Por fim, a superação do alcoolismo, como venceu o Master of Puppets (senhor das marionetes), como Hetfield definia o vício, culminaram na formação da prática de uma ideologia que mistura elementos do guerreiro com os do Budismo.
Ainda, de acordo com Kant, há um sentido de dever por parte dos fãs da banda (assim como de outras também), com as músicas ou com os músicos que as produzem.

Trecho do livro:
De fato, a potência sexual costuma ser considerada uma das virtudes do guerreiro; mas, por ser um clichê do rock’n’roll, não recebe muita atenção do Metallica…
…as letras do Metallica são completamente destituídas da baboseira tão comum sobre mulheres fáceis e carros rápidos (exceto “Fuel”). O Metallica se destaca entre as bandas de rock por sua falta de sordidez e misoginia, reconhecendo que na guerra da vida, assim como na República de Platão, tanto os homens como as mulheres devem brandir a lâmina.

No final do livro ainda podemos ler alguns detalhes interessantes sobre a ideologia da banda contra o método de compartilhamento de músicas que surgiu na década passada, o Napster, utilizando ainda como jargão o título “And Justice for All…” (e Justiça para Todos…) do álbum da banda.
O livro ainda discorre sobre a importância do Heavy Metal como catarse para as emoções de todos, fazendo com que as emoções extravasadas não venham à tona e não sejam descarregadas na sociedade em forma de atrocidades, como suicídios, ataques terroristas, homicídios, etc.
As diversas teorias são acompanhadas de excelentes análises das letras das músicas nas entrelinhas, sob a visão dos filósofos, para chegar a um consenso. Como exemplo, a ética da eutanásia em “One”, cujo soldado que considerava sua própria vida uma prisão, ao perder os sentidos e a visão, de acordo com Descartes não é possível em momento nenhum confiar em seus sentidos, o soldado então da música, volta-se para sua mente, exemplificando que pensar não é o suficiente, dando vasão a outra teoria, da separação da mente e corpo que diz que para sermos verdadeiramente humanos, precisamos nos comunicar de alguma forma.

Os fãs veteranos com todas as principais letras das músicas em mente, recrutas que acabaram de entrar em contato com esse gênero todo, ou até mesmo aqueles que desejam começar a aprender um pouco mais sobre as idéias transmitidas pela banda e pelo vocalista, Hetfield, encontrarão fôlego e um pouco de saciedade, nas análises contidas no livro.
Esteja preparado para uma porrada de existencialismo em cheio desse livro que, fazendo um trocadilho com uma das músicas mais conhecidas da banda, “Sad But True”, embora triste, é verdadeiro.

Resenha: Alonso Lizzard
Coletânea de William Irwin – Editora Madras

REFERÊNCIA
http://www.icultgen.com.br/2010/03/31/resenha-do-livro-metallica-e-a-filosofia/

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